segunda-feira, 19 de novembro de 2018

WINDOW-THE EMPYREAL BALLET (1978)


Recentemente, descobri que meus HDs estão recheados de arquivos em mp3 intactos, sem nenhuma audição sequer. Ao menos que eu me lembre. Em tempos líquidos, a quantidade de informações recolhidas e não absorvidas ou absorvidas e cuspidas fora é incomensurável. Por conta disso, vez ou outra descubro algum material, de fato, interessante. E a estadunidense, de San Francisco, Window me chamou bastante a atenção. Seja pelo fato de que boas bandas de prog rock Made in USA não são muito comuns. E com uma proposta tão diversa como a apresentada neste seu único álbum, 'The Empyreal Ballet', de finais dos 70, período seminal do que costumou-se denominar de neo prog, um subgênero que nunca me desceu bem, é ainda mais impressionante.
Liderada por Douglas Lichterman (vocais e guitarras), contava ainda com Joseph Jacobs (guitarra, piano, flauta e vocais), Stephen O'Hara (baixo e vocais) e David Pinsky (bateria, percussão, vibrafone e vocais), todos músicos de qualidade indiscutível, para concretizar suas intrincadas ideias. Com um mix de Gentle Giant, Zappa, jazz-fusion, funky, disco e art rock, a Window é um tanto difícil de categorizar. Valendo-se de arranjos instrumentais recheados de polirritmia e harmonias vocais inspiradas, 'The Empyreal Ballet' é extremamente sofisticado, luxuoso e, surpreendentemente, bastante palatável. E tudo emoldurado pelo auxílio luxuoso de uma extensa lista de músicos, de naipes de sopros e cordas a coro. 
Definitivamente, uma bela surpresa. Ao menos para mim... 




segunda-feira, 5 de novembro de 2018

JORJA SMITH


Há alguns meses sem apresentar uma diva nesta birosca brenfoetílicomusical, já começava a questionar minha sagacidade em descobrir novos talentos femininos na área musical. Será que a magia se acabara? Como um apaixonado por vozes femininas, custava acreditar nisso...mas onde estas vozes estariam se escondendo?
E foi exatamente como em um passe de mágica que a beleza estonteante e o timbre único dessa inglesinha de Walsall surgiram na tela de minha TV nos impactantes pouco mais de 3 minutos do plano americano em P&B de 'Where Did I Go?'.  
Com apenas 21 anos, Jorja Smith já começa a despertar a atenção da mídia especializada. Mas essa talentosa cantora, compositora e pianista -além de canto lírico, no currículo- não surgiu do nada. Com uma incrível mistura de soul, r&b e jazz, compõe desde os 11 e expõe vídeos com seus trabalhos desde os 15 anos. No entanto, seu primeiro single, 'Blue Lights', só foi lançado em 2016, aos 19 anos. Já com 'Where Did I Go?', seu segundo single, chama a atenção de Drake, que a elege como canção predileta em uma das plataformas de streaming e resolve apadrinhá-la, inserindo-a como convidada em sua turnê de 2017. Segue-se, ainda em 2016, o EP 'Project 11', com destaque para a complexa, quase uma pequena suite, 'Imperfect Circle'.
E, assim, a música classuda e cheia de sensualidade de Jorja Smith inicia sua jornada para um futuro que já se vislumbrava brilhante. E 'Lost & Found', lançado há poucos meses, reforça esta ideia com 12 petardos, em sua maioria, beirando a perfeição. Além das já citadas 'Blue Lights' e 'Where Did I Go?', merecem destaques a delicadeza de 'Goodbyes', as confessionais 'On Your Own' e 'The One' e a sinuosa faixa-título.
Esperemos que o, geralmente, cruel mercado da música pop tenha um especial cuidado com essa pequena gema e procure preservar ao máximo a integridade de seu trabalho. 












segunda-feira, 22 de outubro de 2018

CIRCLES AROUND THE SUN-LET IT WANDER (2018)


E não é que o despretensioso projeto de Neal Casal deu certo e seguiu em frente por conta própria? E sem, necessariamente, manter-se atrelado à necessidade de funcionar sazonalmente em suporte a tributos à Grateful Dead mas mantendo a aura de sua força motriz.
E, desta forma, a bolachinha desce redonda, seguindo a receita de seu predecessor, 'Interludes For The Dead', uma psicodelia magistralmente fundida a um smooth jazz fusion e muito bem temperada com improvisações a dar com o pau. Como não poderia deixar de ser...





segunda-feira, 15 de outubro de 2018

THE BREW / Atualização




Época de lançamentos de bandas já velhas conhecidas...algumas, como a The Brew, peguei no colo e, por isso, rola um carinho especial. É o bom e velho blues rock em sua versão com mais octanagem e graduação alcoólica. And I like It!!!






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Atualizado em 21.08.2017.


Mais uma atualização. E, desta vez, com a The Brew, uma das melhores bandas de blues rock da safra mais recente. E o power trio de Smith Pai, Smith Filho e o prodígio Jason Barwick segue rachando o assoalho...e mais pesado que nunca. 
Divirtam-se!!!  





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Repostado e atualizado em 14.04.2014.



Quando achamos que nada mais poderia nos surpreender, é exatamente neste instante que somos tomados por um indescritível sentimento de euforia. E quando isto parte de uma banda de blues rock cuja carreira acompanhamos praticamente desde seu surgimento, dá-se uma prazerosa sensação de dever cumprido por apostar em talentos ainda tão tenros e, mesmo que um tanto pretensiosamente, também um tanto responsável por seu sucesso. 
E a The Brew desta vez ultrapassou todos os limites com um (talvez) inédito exemplar de power blues rock conceitual. O tema? Acreditem se quiser...as funções de um controle remoto, com direito a faixas com os sugestivos títulos de 'Repeat' (viciante faixa de trabalho), 'Mute' e 'Pause', só para citar algumas de um total de dez. E mesmo correndo o risco de abusar de seu ceticismo, garanto que fizeram um belíssimo trabalho neste 'Control', seu recém-lançado 6º trabalho de estúdio.



E para não deixar nenhuma lacuna na discografia da banda, segue abaixo o resumo do tour europeu de 2012.



Gostou? Quer mais, né? Então é só continuar seu passeio pela cervejaria aí abaixo.

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Originalmente publicado em 05.09.2011.


E a temporada de candidatos ao prestigiadíssimo Prêmio Rabo de Raposa deste ano continua. E desta vez a lista é engrossada por 'The Third Floor', trabalho de estúdio da banda também conhecida por 'The Father, The Son & The Holy Spirit' -se quiser saber o porquê, basta ler minha resenha anterior, logo aí abaixo. 
A verdade é que, após o lançamento de sua bolachinha anterior, o eficiente mas por demais polido 'A Million Dead Stars', de 2009, pairou uma incógnita sobre os rumos musicais que Smith, Smith & Barwick tomariam. No meu entender, continuassem na linha tênue entre o indie pop  e o power blues (quase que) de boutique apontada por aquelas 11 faixas, muito provavelmente não colheriam bons frutos mais à frente. Parece que o trio chegou à mesma conclusão e foi ainda mais fundo nesta questão, não limitando-se a retornar à proposta de seus primeiros trabalhos -notadamente o acachapante 'The Joker'- mas agregando novos elementos,  como uma bem dosada psicodelia, ultimamente em alta e sendo absorvida por todos o gêneros musicais. Outro ponto a ser comemorado é a ausência dos backings beirando o farofa muito utilizados também naquele trabalho; aqui, ao contrário, a diferença entre os timbres de Jason Barwick (cada vez cantando melhor) e 'Big Boss' Papa Smith -também debulhando matadores fraseados de baixo- não só foi incentivada como realçada, causando um efeito para lá de interessante. 
A The Brew, com este 'The Third Floor', provou ser ainda uma das grandes esperanças para o blues rock inglês, até por não ser purista ao extremo. Mas uma boa pitada de bom senso é sempre recomendável. E este equilíbrio está entre os grandes méritos desta excelente bolachinha.


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Originalmente publicado em 01.03.2010 


Não à toa apontei o álbum 'The Joker' como seríssimo candidato ao Prêmio Rabo de Raposa 2009. Só não levou, coube a 'Cosmic Egg' (Extended Version) da Wolfmother tão disputada honraria, devido à enxurrada de excelentes lançamentos naquele ano. O importante é que, com aquele magistral trabalho, conheci a The Brew e, com uma incontida curiosidade, corri atrás de informações sobre a banda para, depois de muito penar, descobrir seus 2 trabalhos anteriores, o primeiro datando ainda de 2006.
Por falar em informações, o line-up da banda é bem curioso. Afinal, quantas bandas conhecemos formadas por pai, filho e amigo do filho? Bem, não sei vocês, mas creio não conhecer uma sequer -a Spirit não conta pois padrasto não é pai!
E tudo começou em 2005 quando Tim Smith (vocais/baixo) e seu filho Kurtis (bateria/percussão/vocais -16 anos à época), já bem conhecidos em sua Grimsby natal, descobrem o endiabrado guitarrista de apenas 15 anos Jason Barwick. Em pouquíssimo tempo, o que parecia apenas uma brincadeira garageira torna-se um fenômeno através de um intenso boca-a-boca dando conta de apresentações bombásticas de uma banda que seria a redenção do novo blues rock britânico. O resultado é que, já no ano seguinte, lançam seu primeiro trabalho, auto-produzido e reforçando tudo o que a barulhenta e já invejável base de fãs da banda esperava: uma sonoridade profundamente influenciada pelos finais dos 60/início dos 70, notadamente os power trios do período e muito da melhor das melhores de todos os tempos, Led Zeppelin, misturada a um saudável tempero indie. O resultado foi tão surpreendente que aquela garagem expandiu-se muito além das fronteiras não só da pequena Grimsby como atravessou o Canal da Mancha, espalhando-se por alguns países europeus -Bélgica, Holanda e Alemanha entre estes- e levando-os a dividir o palco com verdadeiros monstros sagrados. A It's Only Rock'n'Roll, periódico editado pelo fã clube oficial dos Rolling Stones, chegou a eleger a The Brew como melhor banda da temporada 2006/2007. E para manter a chama acesa enquanto excursionavam e compunham para um novo álbum, soltam o EP 'Fate And Time', com 2 faixas inéditas -a faixa-título e 'Gypsy Queen'-,  uma versão estendida de 'Maybe Next Time' e uma matadora 'Mermekes' ao vivo, ainda em 2007
Com a fama espalhando-se pela Europa como gripe suína através de incendiárias apresentações, com destaque absoluto para as performances do carismático Jason, lançam em 2009 'The Joker', um acachapante trabalho onde as influências blues rock regadas com fartas doses de riffs pegajosos secundados por uma cozinha perfeita, em muito devido ao impressionante crescimento de Kurtis como instrumentista -ganhou até o direito a uma faixa totalmente dedicada a demonstrar toda sua perícia nas baquetas, a mobydickeana 'Burt's Boogie'-, predominam em um conjunto irrepreensível de canções. E agora, ao contrário da estreia, quando a maior parte dos vocais ficaram a cargo de Tim, com Jason mostrando se garantir no gogó, muito embora este quesito  ainda esteja aunda um tanto longe de ser o forte da banda.
E eis que há pouco mais de mês lançaram o ansiosamente aguardado 'A Million Dead Stars', uma clara tentativa de penetração no mercado americano com uma sonoridade límpida ao extremo, beirando o asséptico, e tendendo para composições privilegiando uma insuspeitada face pop da banda com farto uso de refrões de fácil assimilação. A mim -embora desça redondinho como se fora uma Bohemia geladíssima em um domingo ensolarado- este novo trabalho deixou uma certa sensação de decepção. Sinceramente, torço para que se torne um sucesso e dê força mercadológica à banda, não para  justificar uma temerosa estagnação artística mas para alavancar uma retomada das diretrizes  iniciais da banda e, assim, continuar fazendo jus ao título de 'The Father, The Son & The Holy Spirit' outorgado pelo MC de um festival holandês após mais uma de suas arrasadoras apresentações.














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VÍDEOS

Live At Rockpalast 2012 (Full HD)







segunda-feira, 8 de outubro de 2018

SONNY LANDRETH / Atualização



Originalmente publicado em 23.09.2007, atualizado em 17.07.2009, em 01.05.2012  e em 07.10.2018.


Nascido no Mississipi e criado na Louisiana, o guitarrista Sonny Landreth é um especialista na técnica do slide. Pode-se afirmar, também, ser dos poucos com possibilidades de reivindicar o cetro de melhor guitarrista desconhecido, há muito nas mãos do já falecido Roy Buchanan. Não porque seja melhor, esta não é a questão, mas tão somente por conseguir ser mais desconhecido ainda, apesar de respeitadíssimo -Eric Clapton e Mark Knopfler estão entre seus admiradores.
O cara foi um prodígio no instrumento pois, já aos 17, era o guitarrista da banda de Clifton Chenier, o rei do zydeco -ritmo regional equivalente, mal comparando, ao nosso forró. E isso não é tudo: era o único membro branco da banda. De Dolly Parton a Muddy Waters, o currículo do cara é extremamente extenso.
No entanto, as coisas somente começaram a acontecer quando em 87 foi escolhido -junto com sua banda à época, The Goners- por John Hiatt, após uma única audição, para acompanhá-lo no tour de lançamento de seu 'Bring The Family', gravado por um timaço de 'feras' caríssimo para manter na estrada. A função de Sonny era suprir a ausência de, ninguém menos, Ry Cooder!
Bom, neste ponto vocês devem estar se perguntando: "Sim, e daí? Qual o segredo desse famoso QUEM?" Vou tentar explicar: o 'pulo do gato' está na técnica incomum de, ao mesmo tempo em que executa o slide, fazer soar os acordes (ou partes fundamentais destes) através de arpeggios, taps ou hammer-ons com as digitações feitas nos trastes imediatamente anteriores ao utilizado para o bottleneck (para os menos familiarizados, um tubo de vidro ou metal utilizado para deslizar pelas cordas e responsável pelo chamado efeito slide). Quando ao vivo, sem o uso de nenhum overdub, tem-se a nítida impressão da existência de, no mínimo, mais um guitarrista. Parece difícil? Para caralho à beça!
E como se não bastasse, o cara ainda manda muito bem no gogó e é um compositor prolífico e muito bem articulado. Do zydeco -e outros gêneros regionais, como cajun e bluegrass- ao power blues mais rasgado, não existe bola fora. Esse branquelo com pinta de professor de literatura de public high school destrói em todas as posições com um punch arrasador.
Conheci esse monstro -antes tarde do que nunca!- através do blog irmão Boogie Woody, onde foi postado o alive 'Grant Street'(2005). Imediatamente, implorei de joelhos no milho para que seu CEO me enviasse por e-mail os links dos demais álbuns, sendo prontamente atendido e autorizado a disponibilizá-los por aqui.
Valeu, Woody!


















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NOVO

Atualizado em 03.06.2012.

Novíssimo trabalho deste cracaço do instrumento, com e sem bottleneck, e primeiro totalmente instrumental. Uma aula de criatividade, bom gosto, sensibilidade e técnica. E tudo a serviço de uma viagem por suas raízes mais profundas, como o próprio título do ábum explicita. Se em seus registros anteriores, Sonny procurava dedicar-se a um gênero específico por vez, explorando cada um deles -cajun, country, blues, zydeco, boogie, bluegrass e uma infinidade de outros- ao máximo, aqui sintetiza magistralmente todas as suas influências em temas impecavelmente construidos, sem desperdício de uma nota sequer; ao contrário, valorizando cada uma delas como se absolutamente indispensáveis.
Se você é guitarrista ou apenas aprecia uma guitarra cuidadosamente executada a serviço de uma música impregnada de honestidade, não há como deixar de conhecer Sonny Landreth, e 'Elemental Journey' é um ótimo veículo para isso.



PS: um enorme abraço em meu spacey broDim Maddy Lee por me enviar um link para este CD
Valeu, Valeu, Valeu!!!!


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NOVO

Atualizado em 07.10.2018.