segunda-feira, 18 de março de 2019

LARKIN POE



Novo trabalho das lindas, e talentosas para caralho, irmãs Lovell, Rebecca e Megan. E, uma vez mais, não decepcionam. Muito ao contrário! Apesar da investida em um álbum mais raiz, quase um retorno à sua fase country/folk/americana turbinada com boas doses de blues. É um trabalho de apreciação um tanto mais difícil para um público leigo, mas isto só escancara a disposição da dupla em não fazer concessões, tomando para si as rédeas da produção de todas as faixas. Um belo e maduro trabalho de transição.







Aproveitando a oportunidade desta postagem, aproveitei para incluir os já lendários trabalhos da fase country/folk/americana, responsáveis por apresentá-las ao planeta em 2011. Reunidos em um box set, 'Band For All Seasons' reúne os 4 CDs -'Spring', 'Summer', 'Fall' e 'Winter'- lançados naquele período.
E, como cereja do bolo, disponibilizei também os álbuns colaborativos da banda com Blair Dunlop, 'Killing Time', e Thom Hell, 'The Sound Of The Ocean Sound'.

Divirtam-se!!!







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Originalmente publicado em 23.04.2018.



De família musical, Rebecca (vocais/guitarras/violões/mandolin/banjo/piano) e Megan Lovell (lapsteel/dobro/vocais) dificilmente fariam escolha diferente no momento de decidir-se que carreira seguir. Afinal, desde a mais tenra idade, os palcos e estúdios fazem parte da rotina desta talentosa dupla, além do, atualmente, mais poderoso canal de divulgação: a internet!
Inicialmente, um trio -Lovell Sisters, com sua irmã mais velha, Jessica- sediado em Atlanta, berço do southern rock, e dedicado ao folk/bluegrass/americana, as ainda adolescentes e talentosas meninas da família Lovell, chegaram a lançar 2 álbuns e apresentar-se em palcos alternativos de alguns festivais, como o prestigioso Bonnaroo. Após 4 anos, Jessica resolve dedicar-se a outros interesses. Não demorou muito para que as 2 caçulas demonstrassem determinação suficiente em seguir em frente e, apenas poucos meses depois, apropriando-se do nome de seu tataravô, oficial da guerra civil norte-americana, dessem partida em uma sequência de EPs dedicados às estações do ano, e posteriormente lançado em um box set apropriadamente denominado 'A Band For All Seasons'. Lançados todos em 2011, tornaram-se um must digital com seu folk fofinho, sempre puxados pela voz marcante da carismática Rebecca, o impecavelmente executado lapsteel de Megan, a incrível capacidade autoral e a singular química entre ambas.    


Mas as meninas estavam crescendo rápido, muito graças à estrada, e o blues passou a fazer parte do cotidiano das irmãs Lovell. Apaixonaram-se pelos grandes mestres do gênero, notadamente Son House, e logo mostraram-se inclinadas a uma guinada em direção à eletrificação e timbragens mais pesadas, com a dedicação mais evidente de Rebecca à guitarra. E 'Thick As Thieves', já no ano seguinte, insinuava esta direção. 
Mas as mudanças tornariam-se mais evidentes na estrada. Foi quando começaram a chamar a atenção de uma galera mais cascuda. E foi ninguém menos que T-Bone Burnett que, em fase de produção de um tributo a Bob Dylan -'The New Basement Tapes'-, percebeu o enorme potencial das lindas e talentosas irmãs e as contratou para participar de todo o projeto, ao lado de nomes do porte de Elvis Costello, com quem ainda sairiam em turnê posteriormente, Marcus Munford e Jim James. O prestígio que acabaram por angariar, as levou a assinar com um selo independente e, assim, nascia 'Skin' -agora com a efetivação de Kelly McCarty no baixo e Kevin McGowan na bateria- um enorme avanço na sonoridade da banda mas ainda um tanto ta-ti-bi-ta-ti. E a faixa de trabalho, o contagiante power pop 'Don't', não faz jus à qualidade do conteúdo do restante do álbum, com petardos como 'Jailbreak', 'Dandelion' e 'Sugar High' e a delicadeza exuberante de 'Overachiever', em uma impactante interpretação de Rebecca.
Não plenamente satisfeitas com o resultado de 'Skin', trabalham incessantemente em sua repaginação e, em 2016, lançam 'Reskinned'. E valeu muito a pena... O flagrante amadurecimento trouxe a personalidade blues rock, há tanto tempo buscada, para a banda...seco, na lata, com menos excessos de produção. E, de quebra, confirmando que Rebecca Lovell, muito em breve, será reconhecida como uma das grandes vozes de sua geração. As inéditas 'Trouble In Mind', 'Sucker Puncher' e 'When God Closes A Door', são testemunhos disso.
E a sequência de apresentações com a nata do country/blues/folk/americana segue seu curso...de Don Henley a Steven Tyler, todos querem um pouquinho do frescor e competência da Larkin Poe.
Mas elas precisavam de mais, muito mais...o blues, antes uma sombra mas já timidamente incorporado, agora dominava o espectro musical das 2 forças criativas da banda. Tornou-se uma obsessão. E deste forte laço surgiu a necessidade de uma imersão profunda no gênero e, assim, 'Peach', recheado de releituras cheias de personalidade, ainda que respeitosas, de clássicos do blues, é idealizado e lançado em finais de 2017, agora com Tarka Layman no baixo. E que bela surpresa estas meninas nos trouxeram! De 'Come On In My Kitchen' a 'Tom Devil', atropelando pelo caminho joias como 'Black Betty', 'Preachin' Blues' e 'John The Revelator', e autorais de alto calibre, 'Peach' é  a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e perfeito!!!
Tenho certeza que vocês também cairão de 4 pelos talentos destas belas irmãs... 











segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

GAYE ADEGBALOLA


Gaye Adegbalola tem um currículo irrepreensível. E multidisciplinar! Professora, cantora, compositora, instrumentista, atriz, escritora, fotógrafa e ativista em diversas frentes -notadamente, nas causas LGBTQ+, ambientais e raciais-, Adegbalola é um ícone cultural e social, reconhecida tanto em território nacional como internacionalmente.
Filha de um educador e músico de jazz com uma líder comunitária ativista dos Direitos Humanos e nascida em Fredericksburg, VA, parece natural sua opção pelo outro, pelos menos favorecidos. Nascida Gaye Todd, em 1944, recebeu o sobrenome yorubá através de uma sacerdotisa mais de 20 anos depois. Tendo iniciado seu ativismo ainda adolescente, logo tornou-se líder estudantil secundarista e formou-se com honras, sendo escolhida como oradora. Bacharel em Biologia pela Boston University, nunca abandonou o ativismo e logo envolveu-se com os Black Panthers, mesmo já casada e mãe dedicada ainda muito cedo. Após o divórcio, em 1970, decide-se por voltar a sua cidade natal para criar seu filho, mas sem nunca abandonar o ativismo político. Desta forma, envolveu-se na criação de diversos cursos técnicos e artísticos de profundo caráter inclusivo e passou a ajudar seu pai na direção do Harambee Theatre, um patrimônio material da cidade, fundado e dirigido por ele até sua morte, em 1977. Em 1978, conclui seu mestrado em Educação em Mídias Educacionais pela Virginia University e, já em 1982, recebeu o título regional de Professora do Ano, fazendo com que percorresse o país por quase toda a década de 80, promovendo workshops para desenvolvimento e aplicação de suas inovadoras técnicas de ensino.
Em paralelo, Adegbalola, com sua professora de violão, Ann Rabson, e Earlene Lewis (posteriormente, substituída por Andra Faye), forma o trio Saffire-The Uppity Blues Women, lançando seu primeiro, e  muito bem recebido, álbum, 'Middle Age Blues', ainda em 1987, pela prestigiosa Alligator Recs., como todos os demais 9 álbuns lançados pelo trio até sua dissolução em 2009. A partir de então, a música passa a ser sua atividade principal e com a qual rodará por todo o país e o mundo. Sempre uma inconformista, e temendo o forte processo de apropriação cultural do blues, promove workshops e torna-se repórter especializada do gênero. Assumindo sua homossexualidade logo no início dos anos 90, encontra aquela que seria o grande amor de sua vida, Suzanne Moe, que lhe ajudaria a sobreviver a um terrível câncer e, ainda hoje, ao seu lado.  
Em 1999, opta por uma carreira solo em paralelo com o sempre bem recebido trabalho com a Saffire, e lança 'Bitter Sweet Blues', um belo e incensado mix de lindas canções autorais com clássicos de Nina Simone, Bessie Smith e Smokey Robinson, entre outros. Um novo álbum solo só veria a luz do dia em 2008, o afirmativo 'Gaye Without Shame'. Mas, trazendo à tona um antigo sonho de sua verve educadora, lança o didático e dedicado às crianças, o delicado e delicioso 'Blues In All Flavours', onde, além de elencar os diversos gêneros derivados do blues do delta do Mississipi, Adegbalola incute em suas letras ensinamentos e modelos de tolerância, Direitos Humanos, problemas sócio-ambientais...tudo aquilo que uma escola 'esquerdopata' costuma oferecer em seu currículo básico e que a América neonazifascista de todos os Cones ama odiar.
Seu mais recente trabalho, 'The Griot' (2018), segue a tradição, como o próprio título explicita, abraçada por esta determinada blues woman de cuidar e transmitir o conhecimento e a cultura de seu povo, sem perder de vista o cuidado com causas tão urgentes à sociedade, como os mais combalidos que nunca Direitos Humanos.
É uma espécie de salvo conduto que a Humanidade experimenta quando pessoas como Gaye Adegbalola não desistem da luta...pena que tão poucos aceitem isso.









segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

NÓÓÓSSINHOOORA...


DEBORAH ANN WOLL











segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

RIVAL SONS-FERAL ROOTS (2019)


A esta altura, acredito que tecer comentários e exaltar as virtudes desta banda californiana, é absolutamente redundante. E este 'Feral Roots', recém-nascido, só confirma o que todos que conhecem o trabalho de Jay Buchanan, Scott Holiday, David Beste e Mike Miley sabem, já há algum tempo: Rival Sons é a melhor banda de hard rock da atualidade.
Ouve saporraê e me diga se não é verdade...

Se concordou e quer mais, é só dar um rolê por aqui!





segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

THE LAST INTERNATIONALE-SOUL ON FIRE (2019)


E o retorno das merecidas férias desta birosca brenfoetílicomusical não poderia se dar de outra forma que não com o recém-parido 'Soul On Fire', da banda de rebel rock prediletaça da casa. E o mega-aguardado trabalho da banda de Delila Paz e Edgey Pires cumpre o prometido: roquenrou sem firulas e com conteúdo lírico apropriado para enfrentar os dias obscurantistas e recheados de fascismo que vivemos. E isto está explícito em cada verso de petardos como 'Hard Times', 'Mind Ain't Free', 'Freak Revolution', '5th World' e a faixa-título. Na verdade, a poesia de Delila Paz não deixa pedra sobre pedra no combate intransigente às desigualdades sociais, apoio incansável às causas ambientalistas e trabalhistas, defesa intransigente do feminismo e da diversidade e o ódio explícito ao fascismo, entre muitas outras. Aqui não tem papo de 'i love yous'. É música inconformista para sacudir o esqueleto e pensar, tudo ao mesmo tempo agora. Um chute nos bagos da extrema-direita. A mais autêntica expressão da máxima "Dançar pra não dançar"...

Não conhecia? Gostou? Então, tem mais aqui, procê...