segunda-feira, 25 de julho de 2016

ROYAL SOUTHERN BROTHERHOOD

Se existe família mais longeva e de maior influência na música produzida mais ao sul dos EUA que o clã Neville, confesso que desconheço. Talvez apenas os Allman ou os Van Zant...mas, sinceramente, ainda aposto minhas fichas no legado dos negões de New Orleans
E foi com a força deste sobrenome que, em 2011, Cyril Neville, veterano percussionista e vocalista, ainda oriundo da primeira banda de renome de seu clã, The Meters, decidiu criar -incentivado por seu empresário Reuben Willians- com o parceiro de longa data (e também empresariado por Willians) Mike Zito e Devon Allman (Honeytribe), ambos guitarristas e vocalistas com larga experiência, prestígio e também um riquíssimo histórico familiar na música, o talentoso baixista Charlie Wooton e Yonrico Scott, baterista da Derek Trucks Band, a Royal Southern Brotherhood
Com esta formação, começaram a rodar o circuito sulista e logo incendiaram plateias com uma azeitada mistura de todo o largo espectro da música produzida dos pântanos da Louisianna ao interior da Georgia, com um providencial repouso em Memphis. Com um groove arrebatador, não demorou para que um primeiro álbum, autointitulado,  fosse lançado já no ano seguinte. E, como já esperado, foi um tremendo sucesso, concorrendo a diversos prêmios no gênero, e até levando alguns destes para a estante. E tudo sem a menor necessidade de reinventar a roda, como bem disse Devon à época. A tour de apoio ao álbum gerou ainda o premiado DVD 'Songs From The Road', em 2013.
Em 2014, mesmo sob a atribulada agenda da banda e de seus integrantes em projetos pessoais, ainda lançariam o petardo 'HeartSoulBlood', último com esta formação.
Com a saída de Zito e Allman, devido a conflito de agendas, Bart Walker, experiente músico da cena country de Nashville, e Tyrone Vaughn (filho de Jimmy e, portanto, sobrinho de Stevie Ray) assumem as 6 cordas, imprimindo um peso extra para a sonoridade da banda e mantendo seu grau de nobreza. Com esta formação, e com energia redobrada, lançaram já dois trabalhos, 'Don't Look Back'(2015) e o recentíssimo 'The Royal Gospel'.
Todos recomendadíssimos!!!











segunda-feira, 18 de julho de 2016

NÓÓÓSSINHOOORA...


Karina Oliani











segunda-feira, 11 de julho de 2016

JEFF BECK-LOUD HAILER (2016)

Costumo afirmar que a apreciação de uma obra artística, seja ela qual for, deve ser acompanhada das circunstâncias psicológicas, de criação, desenvolvimento e execução, entre diversos outros itens, em que foi concebida. Uma ópera, por exemplo, sem libreto, pode tornar-se profundamente mal compreendida. Pode-se afirmar o mesmo de uma exposição de artes plásticas sem um portfólio, conceito e/ou proposta do expositor com aquele seu conjunto de obras.
Talvez nem sempre este preciosismo se faça necessário ao analisarmos a música e o universo da cultura pop, mas em tratando-se de um novo trabalho de um dos grandes gênios da guitarra em todos os tempos e também conhecido pela alcunha de 'Mestre dos Mestres', isto se mostra imprescindível. Principalmente, quando trata-se de um trabalho que se pretendeu polêmico desde quando ainda em seu início de gestação. Preparei-me para isso desde que as primeiras notícias sobre 'Loud Hailer' vieram à tona, alguns meses antes. Para começar, fui pesquisar a nova banda, produtor, etc, provavelmente, como de hábito, recheada de virtuoses e, quem sabe?, com a descoberta de uma nova Tal Wilkenfeld. E já aí a coisa começava a ficar complicada...afinal, quem diabos seriam Rosie Bones, Carmen Vandenberg e Filippo Cimacci? Cheguei rápido à banda indie inglesa Bones e, confesso, comecei a me desesperar com o que li e ouvi. Não porque fosse ruim, longe disso. O problema é que não via como equalizar a proposta eletro-hardcore-punk do trio -muitas vezes também descrito como duo- com a postura, apesar de sempre inquieta e provocadora, de um músico do quilate de Beck.
Mas um ponto me intrigava ainda mais. Por que um trabalho -tudo levava a crer nisso- privilegiando as letras? E a resposta veio rápida através do release, parcialmente publicado em matéria da Rolling Stone, em que o genial guitarrista afirmna ter passado os últimos 6 anos em tour constante pelo mundo, incluindo países nunca dantes visitados por ele, e muitas coisas o incomodaram e entristeceram. E ele precisava externar estes sentimentos. Desta feita, Beck decidiu que seu próximo trabalho seria, tanto quanto o possível, uma volta às suas raízes, quando ainda um luxuoso sidemen. A diferença seria que ele teria total gerenciamento do conceito do álbum, incluindo seu conteúdo lírico. Mas como viabilizar isso?
A resposta veio quando, em uma festa de Roger Taylor, baterista da Queen, conheceu Vandenberg e Bones e engataram em uma conversa que culminou, horas depois, com um convite para que assistisse, alguns dias depois, a uma performance da banda. E ele foi. Impactado com o texto e a complexa textura musical do trio, em seguida à apresentação, partiram para o pequeno estúdio de Cimacci, que também receberia naquela mesma madrugada a comenda de produtor, e de onde, após fartas doses de prosecco, sairiam com 5 composições alinhavadas.
O resultado deste desabafo-conceito foi resumido em 11 faixas que versam sobre guerras, infanticídio, pobreza, geopolítica, desastres ambientais e todo o universo de mazelas provocado pela raça humana em sua infindável ganância e ausência de empatia. 
É bem verdade que 'Loud Hailer' -o mesmo que 'megafone', mais uma referência à necessidade de se fazer ouvido- pouco reflete o Jeff Beck a que nos acostumamos a ouvir, mesmo quando em suas mais radicais experiências, ao longo de 50 anos de carreira. Mas, convenhamos, Jeff Beck -digo, Deus- há décadas não precisa provar mais nada a ninguém. Portanto, se ele julga ter algo de relevante a dizer, nada mais justo que calemo-nos e o ouçamos ajoelhados sobre sementes de cannabis






segunda-feira, 4 de julho de 2016

STONERIDER-HOLOGRAM (2016)

E a StoneRider reinventa-se...again. Uma das crias recentes da Georgia, com maior respaldo fora do universo puramente southern, a banda, em sua terceira formação, de Matt Tanner, Noah Pine, John Pratt e Jason Krutzky, após um mergulho inicial e muito promissor no hard com acentuado tempero regional em sua estreia em 2008 e a genial imersão no universo seminal setentista com 'Fountains Left To Wake', de 2012, rasgam todos os protocolos e, com o recentíssimo 'Hologram' entregam-se de corpo e alma à lisergia em todos os seus variados matizes. Para muitos, a proposta deste novo trabalho poderá parecer apenas uma continuação de seu cultuado predescessor. Isto seria um erro, sob todos os aspectos, a começar pela ideia de álbum-conceito do primeiro em contraponto ao delicioso didatismo deste último. Podemos citar também a forte abordagem, neste 'Hologram', mesmo que ligeiramente, a um período ainda anterior ao mote de partida de 'Fountains...', por si descaracterizando a ideia de continuação. Mas, talvez, deixando no ar uma pista para a proposta da banda para seu próximo trabalho: o brit rock da primeira metade dos '60. Será devaneio? 


 Link roubartilhado de meu  
Spacey BrodIm Maddy Lee, do Plano Z.


Gostou e quer mais StoneRider? É só seguir o futum até aqui.