Tá bom, eu sei que esse disco já está bem rodado -em se tratando de quem é, não poderia esperar algo diferente- pela blogosfera mas não poderia deixar de baixar por aqui, não só por tratar-se do novo trabalho de um dos gogós mais privilegiados de todos os tempos mas, também, por ser um belíssimo álbum, um projeto de retorno às raizes mais profundas de uma carreira recheada de clássicos e plenamente vitoriosa, apesar dos enormes e bem conhecidos percalços.
No entanto, para o pleno entendimento deste disco, quase tão importante quanto o currículo de seu autor, é seu título, uma clara alusão à banda que tornou-se conhecida por ser o marco zero da carreira de muita gente boa. Resumindo, a banda que é sem nunca ter sido. Na verdade, nos efervescentes sixties, esbarrava-se com uma banda a cada metro quadrado e a Band Of Joy seria apenas mais uma delas se, em uma certa noite -segundo reza a lenda, seguindo uma dica de Terry Reid, que recusara o convite para o que viria a se tornar o emprego mais cobiçado do mundo-, Sir James Patrick Page, já um dos músicos mais assediados da cena londrina, não tivesse aparecido em um de seus shows e roubado, de uma só tacada, seu vocalista Sir Robert Anthony Plant e Sir John Henry Bonham, um troglodita espancador de peles que veio a tornar-se o maior baterista da História, para com Sir John Paul Jones e sua musicalidade insana criarem aquela bandinha xexelenta que dominou os '70 chamada Led Zeppelin. Aquela pub band com temperos folk era tão foda que, algum tempo depois, até seu roadie tornou-se uma das figuras emblemáticas desse mundão roquenrou. Seu nome: Noddy Holder, a alma da Slade.
Na verdade, embora nunca tenha lançado nada oficialmente à época -além do que passou a circular de forma pirata, alguns registros foram lançados na compilação 'Sisty Six To Timbuktu'-, a Band Of Joy já havia conquistado um razoável público cativo e, verdade seja dita, Plant nunca negou o carinho que nutria pelo trabalho que desenvolveu com a banda. E foi alimentado por este mesmo carinho que resolveu trazer este sentimento à tona através de uma reformulada Band Of Joy. É isso mesmo, nenhum dos integrantes atuais -Patti Griffin (vocais/violões), Buddy Miller (guitarras/violões/vocais), Darrell Scott (vocais/mandolin/guitarras/violões/acordeão/pedal e lap steel/banjos), Byron House (baixo) e Marco Giovinno (bateria/percussão)-, além de Plant, é claro, fez parte da formação original; alguns, muito provavelmente, sequer eram nascidos à época.
E aí reside o grande barato de tudo isto. Como recriar, e atualizar, toda a magia daqueles anos sem soar um pastiche de si mesmo? Só encontro uma resposta: o próprio Plant incumbiu-se de impregnar a mente de seus músicos com intermináveis sessões noite adentro de folk, r&b e psicodelia regadas a muito scotch barato (e nacional!) em uma taverna de beira de estrada. Se assim foi, nem imagino...mas que ficou um trabalho estupendo, disso não tenho dúvidas. Mais um que, certamente, não ficará de fora das listas de melhores do ano.
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