quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

RUFUS WAINWRIGHT


Há muito pensava disponibilizar esse enorme talento por aqui e estava só aguardando que lançasse um novo álbum para fazê-lo. Mas, como de hábito em sua carreira, esse pretexto demorou quase 3 anos. Enfim, esse dia chegou e é com enorme prazer que apresento a todos Rufus Wainwright, um canadense-americano nascido em New York, criado em Montreal e filho dos cantores folk Loudon Wainwright III e Kate McGarrigle. Menino ainda, começou a estudar piano e já aos 13 acompanhava as McGarrigle Sisters & Family (mãe, tia e irmãs) em turnês. Por essa época também resolveu assumir sua homossexualidade, fato nunca aceito por seu pai que chegou até mesmo a escrever, e lançar!, uma canção chamada 'My Son Have Tits' ('Meu Filho Tem Tetas'). Como se não bastasse, aos 14 foi espancado e violentado sendo salvo somente devido à simulação de um ataque epilético.
Seu apurado senso estético e o estudo aprofundado de piano clássico -domina ainda violão, baixo e bateria- no período da faculdade emprestou a seu trabalho um rebuscamento ímpar com canções baseadas em suas maiores paixões: a canção popular americana, o jazz, a herança folk e...o cancioneiro francês. Lógico que tudo isso regado a pop de qualidade, harmonias e melodias refinadas e arranjos intrincadíssimos, incluindo soberbas orquestrações de um alto grau de dificuldade.
De personalidade conturbada e cínica, há alguns anos internou-se para tratamento do vício em metanfetamina e, até onde se sabe, está limpo. Fã de Judy Garland, recentemente produziu um musical em que recriou na íntegra o famoso concerto da diva no Carnegie Hall em 61.
Lançou já cinco aclamadíssimos álbuns de estúdio -mais alguns EPs- e sua popularidade é cada vez maior pela Europa, notadamente França e Inglaterra, e EUA. Sinceramente, não saberia precisar qual seu melhor trabalho já que são todos equivalentes na beleza; no entanto, canções como 'Foolish Love', 'Cigarettes & Chocolate Milk', 'One Man Guy', 'Oh What a World' (com a incorporação de 'Bolero' de Ravel permeando a canção a partir de sua metade), 'Dinner At Eight', 'Agnus Dei', 'Crumb By Crumb', 'Vicious World', 'Going To A Town', entre outras, justificam totalmente o download de cada um deles.
Cabe aqui um aviso: se você é daqueles (as) que não suporta nada que tenha mais de três acordes, que música resume-se a sair quicando pela sala dando cabeçadas pela parede tocando sua air guitar e vomitando um inglês macarrônico e acha que delicadeza e sensibilidade musical são coisas de boiola, passe batido por estes links. Agora, se você curte o refinamento de Jeff Buckley, Ben Folds, Stew & The Negro Problem, Jaime Cullum, Ryan Adams, Steely Dan entre tantos da mesma estirpe, atraque-se a eles.



Capas/Caratulas/Covers

domingo, 16 de dezembro de 2007

TERRY REID

Agora, COMPLETAÇO com a inclusão de 'Silver White Light: Live At The Isle Of Wight', um presentaço dos Gomes Brothers & Sons lá do Tocosongs.
Brigadúúúúú!!!!



Gallera, estou completamente C-H-A-P-A-D-O!!!!
Calma, não tomei um 'purple haze' ou algo parecido. Tudo teve início quando um parceiro, Jorge Sant'Anna, me perguntou se tinha algo de Terry Reid e respondi -meio que burocraticamente, confesso- que não conhecia a figura mas que iria pesquisar a respeito. De repente veio-me um estalo: 'Peraí, esse não é aquele....?'. Sim, Terry Reid é o maluco que, não satisfeito em ter jogado o melhor emprego do mundo no lixo (afinal, foi o primeiro vocalista cogitado por Jimmy Page para assumir o microfone dos New Yardbirds, protótipo de uma obscura bandinha de garagem conhecida por Led Zeppelin, mas polidamente declinou do convite), ainda tornou-se responsável por metade do line-up desta que foi, é e sempre será a maior banda de todos os tempos. Calma, eu explico esta matemática: ao recusar o convite feito por Page, Reid indicou um obscuro vocalista de nome Robert Plant que, por sua vez, carregou o maior baterista da história, John Bonham. No entanto, isso é tudo que sempre soube do cara pois nunca o havia escutado, até porque nunca vi sequer um disco seu lançado por aqui.
Bom, criado o interesse, comecei a correr atrás de material do cara e, conforme ia baixando e ouvindo, cada vez me admirava mais não só com sua estupenda voz mas com seu extraordinário e pioneiro trabalho autoral.
Vou tentar passar para vocês não só o pouco que descobri a respeito deste tão extraordinário quanto desconhecido intérprete, compositor, guitarrista e arranjador. Quero, antes de mais nada, fazê-los compreender o que tanto me impressionou nesse talento há mais de 40 anos nas minhas fuças e que, só agora, vim a descobrir. Espero que consiga.
Terry Reid foi um típico prodígio. Aos 15, este inglês de Huntington foi descoberto por Peter Jay, baterista e líder de uma banda de baile de certo sucesso local -The Jaywalkers- e juntos lançaram alguns singles entre 66 e 67 antes da dispersão. Imediatamente, Reid chamou a atenção do tubarão Mickie Most, que não perdeu tempo e lançou o single 'Better By Far', feita sob medida para as rádios. Com este primeiro objetivo alcançado, chegou a hora de lançar um álbum e é nesse instante que surgem as primeiras desavenças entre Reid e o linha dura, e reconhecido escravagista musical, Most. Enquanto Reid desejava impor seu excelente material autoral com arranjos recheados de psicodelia, folk e blues, Most mantinha-se firme em seu propósito de torná-lo um baladeiro típico da época. E o primeiro round foi vencido por Reid que, astutamente, cedeu à imposição do cover de 'Bang Bang' (sucesso na voz de Nancy Sinatra, e completamente 'desconstruída' neste novo arranjo), e que acabou por dar título ao álbum, mas incluiu uma estupenda recriação com mais de 10 minutos de 'Season Of The Witch' de Donovan, uma de suas maiores infuências. No mais, todo o restante do material era completamente autoral, incluindo obras-primas como 'Wrinting On The Wall', 'Without Expression', 'Tinker Taylor' e 'Loving Time' (boa demaaaaaiiiis!!!). O resultado foi um fracasso de vendas, apesar do reconhecimento de seu talento por, entre outros, Van Morrison, Graham Nash, Eric Clapton, Jimi Hendrix (consta que chegou a rolar umas jams) e, lógico, Jimmy Page. Só um detalhe: Terry Reid tinha apenas 18 anos!!!
E é nesse momento que a capacidade empresarial de Mickie Most mostra serviço ao conseguir encaixá-lo em uma USA tour com o Cream. Com isso, Reid consegue arrebanhar uma quantidade suficiente de fiéis seguidores para justificar o lançamento de um próximo álbum e um retorno consagrador à sua Inglaterra. E é neste período que surge o convite de Jimmy Page e blá, blá, blá.
Com prestígio em alta e popularidade em ascenção, é lançado 'Terry Reid'(69) e o placar é ampliado a seu favor pois muitos consideram este seu melhor trabalho com obras-primas do quilate de 'Rich Kid Blues', 'Stay With Me Baby' e 'Silver White Light' e, como não poderia deixar de ser, covers arrasadores de 'Superlungs My Supergirl' (novamente Donovan) e 'Highway 61 Revisited' (para mim, só superada pela versão alive de Johnny Winter). E, mais uma vez, surge um convite. Desta vez, para substituir Rod Evans no Deep Purple. Mais um excelente emprego recusado e um ilustre desconhecido Ian Gillan abocanha a vaga e...bem...o resto é história. Como prêmio, mais uma turnê americana, desta feita com The Rolling Stones. Mas as desavenças com Most se agravam e Reid decide mudar-se provisoriamente para ares californianos enquanto uma batalha legal era travada. Retorna brevemente para participar do lendário festival da Ilha de Wight em 70 mas somente em 73 consegue um novo contrato, agora com a Atlantic Records, e com Eddie Offord nos controles grava 'River', já recheado de influências americanas mas tão belo e provocador quanto seus predecessores. Mas esse hiato, às vezes tão cruel no showbusiness, mostra suas garras pois, devido ao enorme sucesso de seu confesso seguidor e admirador Robert Plant à frente do Led Zeppelin, seu timbre poderoso já não possui a chama da novidade -a despeito do excelente material contido em seus trabalhos.
Como se não bastasse, passa por um novo período de afastamento dos estúdios e somente em 76 consegue um contrato com a ABC Records para a gravação de 'Seed Of Memory', mais comportado mas, ainda assim, um belíssimo trabalho com produção de seu fiel amigo Graham Nash. Mais uma nova tentativa com o mais hard, e também recheado de excelentes momentos, 'Rogue Waves' em 79 e a saída de cena em 81 para tornar-se músico de estúdio full time. Trabalhou com, entre outros, Jackson Browne, Don Henley e Bonnie Raitt.
Uma nova oportunidade surge em 91 através da insistência de um antigo admirador, Trevor Horn. Dessa parceria emerge 'The Driver' que, segundo algumas críticas que li, é um excelente disco de retorno chegando a emplacar o cover de 'Gimme Some Lovin' na OST de 'Dias de Trovão'. Lança ainda um single com um cover de 'The Whole Of The Moon' (The Waterboys). Mas, verdade seja dita, a essa altura o bonde da história já tinha passado. Ou não?
Surpreendentemente, Rob Zombie resolve incluir nada menos que 3 canções de 'Seed Of Memory' na trilha de seu filme 'The Devil's Rejects'(2006) e uma espécie de redescoberta ocorre, Reid volta a excursionar, tendo como parceiros os lendários Mick Taylor e Brian Auger, e ainda testemunha o lançamento em cd de sua apresentação no Festival da Ilha de Wight, 'Silver White Light: Live At Isle Of Wight 1970'. Como se não bastasse, participa da Waddy Wachtel All Star Band, inicia uma nova turnê britânica e tudo aponta para um novo álbum de material inédito. Assim seja!
Infelizmente, Terry Reid é mais um daqueles enormes talentos que sofreram com o mau gerenciamento da carreira. Felizmente, hoje temos ferramentas poderosíssimas para reparar, ao menos em parte, erros e injustiças deste nível. Neste momento estou fazendo uso da mais poderosa de todas para levar a vocês a obra deste extraordinário artista muito à frente de seu tempo pois, como Ledmaníaco, posso afirmar com segurança que seus dois primeiros álbuns contém elementos precursores da sonoridade que acabou por consagrar a banda.
Salve, Jorge!!!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

LED ZEPPELIN



É exatamente isso que vocês estão imaginando: o áudio gravado da audiência do maior espetáculo da Terra proporcionado pela maior banda de todos os tempos em sua tão aguardada reunião!!!
Ontem, chegando em casa depois de mais um longo e estafante dia de labuta, tive a agradável notícia por parte da Primeira-Dama do G&B de que havia conseguido o áudio dessa apresentação. Fui verificar meio incrédulo e...não é que o som estava bem razoável? Melhor do que muitos bootlegs que andei baixando por aí nesses quase 10 anos de internet. A bem da verdade, só há um pequeno defeito -enorme, mas que minimizei ao máximo- na 'boi de piranha' (costumo chamar assim a primeira música de qualquer show) 'Good Times, Bad Times'. No entanto, não satisfeito, dei uma boa melhorada na resposta de frequências e um grau no volume, resultando em mais pressão no som. Serve como um saboroso aperitivo enquanto aguardamos a chegada do CD/DVD. Bom, espero que gostem porque eu gostei PRA CARALHO!!!! Deu uma peniiiiinha do The Police...


Part 1 Part 2 Part 3

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CHINGON-MEXICAN SPAGHETTI WESTERN(2005)

Alertado por um parceiro do G&B, subi um novo link para esse delicioso cd. Com isso, decidi nunca mais utilizar o hospedeiro Mediafire pois o link foi deletado em menos de 15 dias!

Bem, sou um fã do cinema pipoca-retrô-podreira-sanguinolento de Robert Rodriguez. Um cineasta de apenas 23 anos que faz um primeiro e divertidíssimo filme como 'El Mariachi'(92) com menos de US$7,000 e o transforma em um sucesso espetacular de bilheteria é, no mínimo, um herói - e rico, pois rendeu milhões mundo afora. E não é só por isso: o cara ainda fez 'From Dusk Till Dawn', os três 'Spy Kids', 'Sin City' e 'Grindhouse: Planet Terror' (já assisti em primeiríssima mão e é muuuiiiito bom!!!), ainda inédito por aqui. Querem mais? Além de estar 'pegando' a deliciosa ruivinha Rose McGowan, o chicano ainda manda bem na guitarra. É vero, minha gente. Tanto é que a trilha sonora de grande parte de sua já extensa (15!!!) filmografia tem algum dedo seu.
E parece que o cara gostou tanto desta história de debulhar uma guitarra que arregimentou antigos amigos e colaboradores com quem fazia constantes jams em Austin, Texas - membros da excelente Del Castillo, Tito Larriva (Tito & Tarantula), Cecilio Ruiz (The Heebeejeebees), entre outros- e criou o projeto Chingon para acompanhá-lo. A estréia da banda foi na trilha de 'Once Upon A Time in Mexico' com a instrumental 'Cuka Rocka' e 'Siente Mi Amor' -ambas também neste cd- e acabaram conquistando a admiração de seu grande amigo Quentin Tarantino que incluiu sua versão turbinada de uma tradicional canção mariachi - 'Malagueña Salerosa', também por aqui- em 'Kill Bill 2'. Daí para a gravação de um álbum era só questão de tempo (algo que não sei como Rodriguez arruma com tanta facilidade) e, finalmente, lançam este 'Mexican Spaguetti Western', uma perfeita mistura de música mariachi, flamenco, texmex, garage e hard rock. Ainda não ouvi versão mais pesada para 'Cielito Lindo'. E esse exemplar que estou disponibilizando está turbinado com a excelente instrumental 'Cherry's Dance Of Death', de 'Planet Terror'.
Esse post é dedicado a Miguelito, El Gran Chihuahua San Bernardo Yorkshire Terrier, um fã incondicional de música mariachi. Só espero que ele não seja muito purista.
Divirtam-se!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

CRÁSSICOS XIV:DAVE MASON-CERTIFIED LIVE(1976)

Bom, gallera, passado este período de repostagens nada mais justo que retornar em grande estilo com mais um episódio da séria série Crássicos G&B. E desta vez disponibilizando um dos melhores álbuns ao vivo que conheço. E são vários os motivos que me levam a afirmar isso mas o principal é ser um dos poucos alive que não se utiliza de recursos de overdubs, seja para suprir a falta de algum instrumento ou para reparar erros de execução. Resumindo: o que foi registrado é um retrato fiel do executado.
Para dizer a verdade, sou meio radical com relação a overdubs em registros ao vivo pois este recurso, no meu entendimento, descaracteriza por completo a intenção de um álbum desta natureza: flagrar com exatidão o potencial de uma banda/músico em cima de um palco, seu habitat natural. E é reconhecidamente um trabalho difícil pois shit happens.
E, apesar destas dificuldades, o que impressiona neste 'Certified Live' é que tudo está redondo. Do trabalho da excelente banda formada por Mike Finnigan (teclados), Jim Kruegar (guitarra), Gerald Johnson (baixo) e Rick Jaeger (bateria) à produção do próprio Dave Mason, tudo é perfeito neste disco. É uma verdadeira aula de como se gravar um álbum ao vivo. A mim, em particular, sempre me impressionou neste registro, além da excelência da gravação, a sonoridade e o trabalho de bateria de Jaeger, um pilar de segurança nos tambores, pratos e baquetas e com uma técnica de contratempo magnífica.
E de Dave Mason? O que falar dessa lenda do rock inglês que já não se tenha dito antes?
Que o cara foi o fundador e um dos principais compositores de uma das bandas capitais da história do rock, o Traffic? Que foi um dos melhores amigos daquele negão que reinventou a guitarra, um tal de Jimi Hendrix? Que não só apresentou 'All Along The Watchtower' a esse mesmo genial negão como também criou e executou a 'levada' de violão que deu uma nova personalidade ao cover deste clássico de Dylan tão lindamente registrado em 'Electric Ladyland'? Que tocou em alguns dos álbuns clássicos de Beatles, Rolling Stones, Delaney & Bonnie & Friends e Eric Clapton? Que foi o primeiro nome pensado por este último para seu parceiro de seis cordas na banda Derek & The Dominos? Tem mais...mas vamos parar por aqui.
O melhor a fazer é atracar-se a esse link e sorver seu conteúdo até a última gota pois todos seus grandes clássicos -de 'Feelin' Alright' (uma das canções mais coverizadas do rock) e 'Only You Know And I Know' a 'Sad And Deep As You' e 'Pearly Queen'- além de covers matadores para a já citada canção de Dylan e 'Gimme Some Lovin'', estão por aqui com toda a energia que só um palco pode gerar.