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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CRISTIANO PINHO

Fui apresentado a este guitarrista cearense há pouco mais de 1 ano pelo parceiro Nino (CEO do  saudoso e já citado por aqui Cordas, Bandas & Metais) que me enviou um link para seu cd 'Pessoa' (97). Confesso que, a despeito do excelente trabalho e da demonstração de uma tremenda veia autoral -em que já predominava a influência de suas raizes nordestinas que viria a ser a tônica de todo seu trabalho- o estilo ainda muito contido, influenciadíssimo pelos grandes mestres do jazz e ainda sem uma assinatura própria, não me pegou na veia mas, após algum tempo, temas como 'Amolando Faca' e 'Oasis'  passaram a me assombrar. Passados 13 anos e já um músico requisitado por diversos medalhões (mantém também uma parceria com Fagner que remonta já dessa época) da MPB e da música instrumental tupiniquim, sua pegada encorpou, sua escrita amadureceu assustadoramente e o resultado foi o extraordinário 'Cortejo', recém-lançado e também enviado a mim pelo mesmo Nino. Aqui, além de utilizar-se de timbres mais pesados e cheios daqueles graves matadores que só um humbucking (principalmente em se tratando de uma Gibson Les Paul...aaaffff) pode oferecer, Cristiano nos instiga em uníssonos e mais uma penca de surpreendentes vozes com rabecas, violas diversas e outros instrumentos em composições estupendas e ainda mais recheadas de calangada eletrificada que em seu primeiro trabalho. Impossível destacar um tema em particular tamanha a excelência do material. Seria como se -detesto fazer isso, mas como muitos preferem referências mais ilustrativas...- Jeff Beck (digo, Deus!) voltasse seus ouvidos para o nosso querido nordeste em seu estado mais bruto e impregnado de influência moura e resolvesse apropriar-se da riqueza musical daquela bela região como com os orientalismos (derivativos mas sempre belíssimos) presentes em seus últimos trabalhos. No entanto, para nossa sorte, coube a Cristiano Pinho o mérito de nos proporcionar esta pororoca entre 2 universos tão diferentes e provar que têm tudo a ver. Ou será a ouvir?