
Martin Barre é o caso clássico do músico que todos respeitam e admiram mas poucos ousariam afirmar estar entre os grandes de todos os tempos. Este, com certeza, não é o meu caso pois sou um declarado fã do cara. Muitos ligam Jethro Tull apenas à figura de Ian Anderson. É inegável que Anderson -recheadíssimo de méritos, entre eles o de ser um dos maiores compositores da história do rock- é o polo catalisador de atenções de público e mídia mas basta um pouco de conhecimento da trajetória da banda para saber o quão importante foi a entrada de Barre, logo após o lançamento de 'This Was'(68) -1º disco da banda- e a saída de Mick Abrahams, um purista do blues descontente com os caminhos folk/prog que o eterno menestrel Anderson estava decidido a trilhar. O que levou Anderson a insistir em sua contratação, mesmo após duas desastrosas audições e iniciando, assim, uma das parcerias musicais mais felizes da história do rock, é uma incógnita. Mas não poderia ter feito escolha mais acertada. A assinatura única de sua guitarra e uma incrível capacidade como arranjador e criador de riffs são, tanto quanto o inigualável timbre vocal e a flauta de Anderson, marcas registradas de uma das bandas ícones de uma música que um dia jurou mudar o mundo.Confesso que não fazia ideia -até pela dificuldade em dissociá-lo de sua banda- de que Martin Barre havia lançado discos solo até há alguns meses quando dei de cara com 'Stage Left' boiando pela rede, salvei o link em um bloco de notas e...não me lembro onde o escondi. O interesse renovou-se quando o parceiro Rocker Santista me solicitou a postagem destes trabalhos e meu irmãoSinho Maddy Lee prontificou-se de imediato a levantar links para toda a sua discografia, viabilizando esse 'post meinha'.
Do despretensioso ao vivo 'A Summer Band'(92) -como o título sugere, apenas um delicioso e muito bem executado passatempo de verão onde toda a banda diverte-se tocando clássicos do blues e r&b- ao elaboradíssimo e absolutamente magnífico 'Stage Left'(2003), esse músico ímpar passeia por todas as suas influências com a categoria que lhe é peculiar lançando mão dos mais diversos instrumentos -do sax ao bouzuki- além de seu poderosíssimo arsenal de guitarras, claro; no entanto, há de se destacar sua insuspeitada e inspiradíssima veia autoral. Toda a experiência de seus 45 anos de carreira estão muito bem representados em cada bit contido nestes discos mas 'Stage Left' (referência ao seu posicionamento de palco durante as apresentaçãoes da banda), o primeiro predominantemente instrumental -apenas uma faixa contém vocais-, é um caso raro de 'disco de guitarrista' em que nada está fora do lugar. Garanto que muitos aqui encontrarão enormes dificuldades em tirá-lo do player.
