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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PRÊMIOS G&B 2011

O ano de 2011 pode não ter sido tão pródigo em bons lançamentos como 2010 e, até mesmo, 2009; apesar disso, a qualidade de muitos dos trabalhos que vieram à tona é invejável. Muito sangue novo brotando, bandas confirmando tudo que delas esperávamos e pouca coisa realmente decepcionante -ainda bem!
O grande diferencial de 2011 foi a variedade, do hardão mais rasgado ao retorno com força de um muito bem repaginado rocksoul, tivemos também a sempre muito bem-vinda (neo)psicodelia e o blues entronizando seu nome mais forte desde SRV e, assim, ganhando uma visibilidade como há muito tempo não acontecia. A lamentar, apenas, a pouca expressividade dos lançamentos de prog, ao menos de grande parte que me chegou aos ouvidos. Em contrapartida, a enorme maioria das excelentes velhíssimas novidades pescadas por mim vieram desta vertente.
Sei que muitos não concordarão mas, apesar das manifestações de todos os fiéis (e de outros nem tanto)parceiros serem  fundamentais, os Prêmios G&B são absolutamente antidemocráticos. Em outras palavras, eu, o CEO desta humilde birosca, sou o único responsável pela outorgação de todas as premiações.


PRÊMIO RABO DE RAPOSA

Rival Sons - 'Pressure & Time'
Incontestável, apesar de nada fácil, a escolha de não apenas um mas dos dois trabalhos lançados em 2011 por estes angelenos emersos do cenário hard em 2009 com o promissor 'Before The Fire'. Mal começara o ano e, com um fantástico EP auto-intitulado, deixaram claro que, agora livres das amarras que comparações a "um novo Led Zeppelin" naturalmente criam, haviam já colocado uma de suas mãos na internacionalmente cobiçada comenda máxima do seu, do meu, do nosso G&B. Quando do lançamento, apenas poucos meses depois, de 'Pressure & Time'  -um vigoroso exercício de urgência visando não contaminar as  excelentes canções com preciosismos desnecessários- veio à tona, praticamente asseguraram o Prêmio Rabo de Raposa. Tratava-se apenas de uma questão de formalidade.

Rival Sons - 'Rival Sons' (EP)


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 PRÊMIO SEMENTE

The London Souls - 'The London Souls'
De New York chega a maior revelação do ano que passou. E não só por ter lançado um petardo irretocável mas, também, por apresentar um autêntico compêndio da música pop dos últimos 40 anos sem o didatismo pelo qual trabalhos desta natureza costumam se caracterizar. E tudo devido a dois fatores irrefutáveis: em primeiro lugar, ao formato power trio que adotaram, o que garantiu uma saudável crueza a todas as suas 13 faixas; em segundo, a veia autoral livre de amarras, incorporando até mesmo elementos indie, garantindo uma completa ausência de ranços saudosistas. Com este seu álbum de estreia, a The London Souls nos presenteou com um trabalho recheado de vigor e absolutamente viciante. Certamente, uma grande aposta para o futuro mas não está só pois...    

The Shoes - 'The Shoes'
...da Itália, mais precisamente de Taranto, surgiu mais um power trio, desta vez adotando uma estrutura autoral mais tradicional, claramente espelhando-se nos grandes ícones deste tipo de formação, de Cream a Experience, mas com um surpreendente conhecimento de causa e, ainda assim, exalando um frescor inebriante. Músicos irrepreensíveis sob a liderança do talentosíssimo guitarrista/vocalista/compositor Elio Di Menza, a The Shoes não deixa pedra sobre pedra. É rock de verdade como pouquíssimas bandas italianas, tradicionalmente mais afeitas a sinfonismos, um dia já ousaram criar. Mais uma auspiciosa estreia, aplicada direto em minhas veias por meu spacey broDim Maddy Lee via Plano Z.

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 PRÊMIO APERTADO MAS SÓ ACENDIDO AGORA


Blackfeather - 'At The Mountains Of Madness' (1971)
Indescritível! É o mínimo que posso dizer acerca do impacto que a descoberta desta obra-prima concebida há 40 anos me causou, a ponto de não conseguir pensar em outro para esta nova categoria dos Prêmios G&B, criada com o propósito de agraciar as velhíssimas novidades (não confundir com novíssimas velharias) garimpadas durante o período. Se desejarem saber mais, e ainda fazer o download, sobre esta jóia esquecida do hard prog, é só dar uma passada por aqui.

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PRÊMIO DA LATA

Radio Moscow - 'The Great Escape Of Leslie Magnafuzz'
 
Como os visitantes mais antigos já sabem, esta categoria dedica-se a premiar outros excelentes trabalhos lançados, ou descobertos, durante o ano. Trata-se de uma espécie de menção honrosa, nunca um prêmio de consolação, devo deixar bem claro, pois cada um destes poderia encabeçar as demais premiações. E quase todos aqui perderam no photochart.
É exatamente este o caso de nossa velha conhecida Radio Moscow e seu 'The Great Escape Of Leslie Magnafuzz', um trabalho maduro e magistralmente conduzido por Parker Griggs, um dos grandes talentos da novíssima geração de músicos dedicados a explorar com muita personalidade o universo hard psych. Gostou? Quer mais? Então é só dar uma viajada até aqui.
Mas não havia como ficar apenas nisso e...

Three Seasons - 'Life's Road'
...decidi adicionar outro trabalho que me impressionou bastante: a estreia da Three Seasons, banda de Sartez Faraj, ex-vocalista (e o menos dotado dos que por lá passaram) da cultuada banda sueca Siena Root e aqui acumulando também a função de guitarrista, que conheci no Hard & Heavy de meu aborígene predileto, Dagon, também conhecido por Arariboia Man. E é justamente aí o calcanhar de Aquiles deste trabalho pois -a despeito da proposta extremamente bem direcionada e a excelente veia autoral de seu líder (por sinal, também mandando muito bem no gogó)- a incorporação de um guitarrista de mais 'pegada' seria fundamental para as pretensões da banda no futuro. Já até me coloquei à disposição...

The Sheepdogs - 'Five Easy Pieces'
Mas ainda era pouco e a inclusão de outra banda descoberta em visitas ao meu manim Maddy Lee que, inexplicavelmente, não atualizou sua postagem com seu novo lançamento, o estupendo EP 'Five Easy Pieces', foi a escolha mais óbvia. Estou falando da canadense The Sheepdogs. Caaaalma, não se deixem enganar pelo rídiculo nome pois trata-se de uma das maiores apostas do país que tem aquela folhinha um tanto canábica na bandeira e até já gozam de muito prestígio junto ao seu vizinho mais abaixo, sendo escolhidos pelo público para uma das capas da Rolling Stone em 2011. Como insinuado no título, tratam-se de 5 singelos pedaços do melhor que o rock pode oferecer a quem realmente conhece o gênero e sabe que 90% do que rola por aí está muito longe de merecer este título. Se quiserem mais, implorem ajoelhados em 150 kg de gravetos canábicos por 2 horas ao interplanetário comandante-em-chefe do Plano Z pela repostagem de sua discografia.

Lightning - 'The Lost Album' (1969)
A certa altura, pensei: "Por que não incluir nesta porra de categoria mais uma das tais velhíssimas novidades que garimpei durante o período?". E a escolha recaiu em 'The Lost Album' da Lightning, não só porque ainda esteja muito recente em meu único neurônio mas, também, por ser um trabalho irretocável em suas 8 faixas distribuidas por pouco mais de 28 minutos. Se gostou e deseja conhecer mais da banda e sua interessantíssima trajetória, dê um rolê por aqui.

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PRÊMIO PALHOÇA

Superheavy - 'Superheavy'
Este é pule de dez!!! Provavelmente, no futuro, será conhecido como o pior disco de todos os tempos. Inexplicável o que levou a lenda Mick Jagger e o respeitado David Stewart a jogar seus nomes na lama ao convidar 2 inócuos e absolutamente desprovidos de talento (um deles espoliando o sacrossanto nome de Bob Marley) para um projeto fadado ao fracasso. Mas o pior -na verdade, imperdoável!- foi seduzirem Joss Stone, um dos maiores talentos da música pop nos últimos 20 anos, a embarcar nesta canoa furada.
Link??? Pra quê??? Fuja disso!
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PERSONALIDADE ENFUMAÇADA

Joe Bonamassa

Não havia como deixar de prestar esta homenagem ao genial e incansável guitarrista, cantor e compositor novaiorquino de 34 anos de idade e 20 de carreira que tornou-se o nome mais popular do blues na era pós-SRV. Como se não bastasse ter iniciado o ano com o lançamento de mais um álbum solo, o incensado 'Dust Bowl', Zé Boapizza ainda encontrou forças para mais um petardo da Black Country Communion, o único supergrupo realmente merecedor deste título nos últimos tempos, e, como se não bastasse, lançou um belíssimo disco dedicado a covers de soul/r&b em parceria com a veterana blueswoman Beth Hart. E o maluco ainda encontrou tempo para turnês!
Acredito que 2012 será o ano das tais merecidas férias que, muito provavelmente, serão aproveitadas...compondo, criando novos e irrepreensíveis riffs e licks, reestruturando sua banda e adquirindo mais algumas dezenas de guitarras, violões, amplificadores e pedais de efeitos à sua modesta coleção.
Se decidir fazê-lo em um confortável hostel à beira-mar, o Rio o receberá de braços abertos,

segunda-feira, 22 de março de 2010

ZÉZINHO BOAPIZZA-ROCHA NEGRA (2010)

Muitos devem pensar que sou uma figura estranha. Senão, como explicar o fato de alguns dos músicos e/ou bandas que mais admiro serem tão pouco vistos por aqui? Em alguns casos, nadica de nada! De Jethro Tull e Jimi Hendrix a The Who e a melhor de todas as melhores de todos os melhores tempos, Led Zeppelin. Os motivos para este, apenas aparente, lapso são vários e seria demasiado cansativo expô-los. Mas é exatamente nessa meiuca que encontra-se este fantástico guitarrista, cujo único trabalho postado por aqui, Bloodline, já remonta a mais de 2 anos e foi gravado na plenitude de seus 15 anos, mas já demonstrando imensa maturidade musical. De lá para cá, o prodígio que encantou B.B. King ainda aos 12 tornou-se o músico mais popular do blues rock contemporâneo -de certa maneira suprindo a ausência do mestre SRV- e, de um estalo, todos passaram a ansiar a cada ano por um novo disco e, consequentemente, a oferta para downloads aumentava de acordo com uma demanda sempre em progressão geométrica.  E assim mantendo o blues mais vivo que nunca em álbuns ora magistrais ('A New Day Yesterday'/2000), ora registrando um momento de transição em sua sonoridade ('You & Me'/2006) mas, invariavelmente, produtos únicos e recheados de pérolas.
Confesso que tenho um carinho muito especial pelo line-up clássico de seu trio, principalmente pela admiração que nutro por Eric Czar, seu primeiro e extraordinário baixista. Com sua saída e a de Kenny Kramme para a entrada do experiente e seguro, mas burocrático, Carmine Rojas e o filho de peixe Jason Bonham, sua sonoridade tornou-se mais densa, arrastada, longe demais do blues e perto demais de lugar nenhum. Com o excelente e quase hard/heavy 'The Ballad Of John Henry' (2008), o jogo começava a ser virado, agora com a entrada de 2 responsáveis pelas baquetas -o veterano Anton Fig e o pupilo Bogie Dowles-, recurso que não é novidade para ninguém desde aquela bandinha dos manos Allman e que, verdade seja dita, se soa muito bem ao vivo -vide o DVD 'Live At The Royal Albert Hall'(2009)-, em estúdio pouco se acrescenta devido às limitações do próprio gênero. Mesmo que a intenção seja aproximar-se um pouco mais do hard -e o conseguiu com méritos de sobra pois trata-se de um belo trabalho-, continuo não vendo necessidade de 4 baquetas. Tudo bem, cada louco com suas manias.
Mas, afinal, por que cargas d'água resolvi disponibilizar este seu último trabalho ainda em vias de ser lançado oficialmente? Como afirmei no primero parágrafo, seria muito chato arrazoar em cima deste assunto mas citarei apenas duas boas razões: o disco é bom demais, talvez devido ao clima das Ilhas Gregas que acrescentou exatas doses de exotismo à sua música, e por, apesar de já estar no meu PC em encodamento 320Kbps e com todos os encartes há uns bons 10 dias, nenhum dos blogs parceiros ainda o disponibilizou. Bem...acho que até a data programada para a postagem, já não será mais nenhuma novidade.

RS
MU