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segunda-feira, 18 de março de 2013

CRÁSSICOS XXIV: DAMNATION (OF ADAM BLESSING)

Pode uma banda com a qual você manteve uma certa intimidade ainda lhe surpreender? Sim, pode, e isto me aconteceu há alguns anos quando resolvi, ainda maravilhado com as possibilidades que a internet se me descortinava a cada minuto e passava por aquela fase de repor digitalmente os itens de minha coleção de LPs, que definhava a passos largos conforme os lotes de 100 a 200 itens iam esvaziando as estantes, obrigando-me a um trabalho de reengenharia para que os buracos não interferissem na decoração, quando decidi procurar por um disco que há muito já não fazia parte de minha coleção devido a uma oferta irrecusável muitos anos antes. Seu nome? 'The Second Damnation'. A banda? Simplesmente Damnation. No entanto, me revoltava o fato de que ninguém nos diversos fóruns que visitava conhecesse banda e disco e os mecanismos de busca não ajudavam muito, fazendo com que só obtivesse informações anos depois, ao deparar-me com uma página do site de um colecionador de nome Alex Gitlin e descobrir que a banda que havia produzido um dos melhores álbuns que já tive o prazer de ouvir chamava-se na verdade Damnation Of Adam Blessing e que lançara ainda 3 outros excelentes trabalhos ao longo de sua curta mas prestigiosa trajetória. E assim minha admiração pela banda só aumentava a cada faixa destes trabalhos que tanto tempo levei para descobrir.
Surgida em 1968 da fusão de duas cultuadas bandas de Cleveland, Ohio, este combo possui uma história um tanto tumultuada, envolvendo até mesmo um crime mal solucionado, e as constantes indefinições acerca do nome são o resultado de relações conflituosas e um gerenciamento equivocado da carreira. A despeito disto, Bill Constable (aka Adam Blessing/vocais), Jim Quinn (guitarras/vocais), Bob Kalamasz (guitarras/vocais), Ray Benich (baixo) e Bill Schwarck (bateria) construiram uma bela e singular, apesar de curta, carreira, quando chegaram a excursionar com Faces, Janis Joplin, MC5, Grand Funk Railroad, Traffic, Alice Cooper e Eric Clapton e só perdiam em popularidade na região para seus conterrâneos da James Gang e Raspberries. De um início garage psych da estreia, chegaram ao ápice já em seu álbum seguinte, 'The Second Damnation', um espetacular repertório de riffs que ajudaria a parir quase uma década depois o que ficaria conhecida como NWOBHM; daí, um enorme salto para a descoberta de uma insuspeitada veia acústica emoldurada por belos arranjos de cordas no lindíssimo 'Which Is The Justice, Whitch Is The Thief' (agora com um novo titular nas baquetas, Ken Constable, irmão de Bill) e uma tentativa de retorno ao hard rock clássico daquele segundo álbum com 'Glory' (na verdade este seria um 3º nome para a banda), seu último suspiro antes da debandada em finais de 1973.
Foram seis anos de carreira e 4 belos registros de estúdio. O bastante para dar uma aura cult toda especial à banda, levando-os em 2000 a um breve retorno para 2700 fãs em comemoração ao 5º aniversário da Cleveland's Rock'n'Roll Hall Of Fame, da qual são membros.




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