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segunda-feira, 4 de março de 2013

WILSON T. KING

Uma das questões mais delicadas para o blues ao longo de sua existência tem sido como manter o interesse de gerações por um gênero tão seminal para a música contemporânea quanto carente de renovações estilísticas. Já vai muito longe o tempo em que nomes como Buddy Guy, Jeff Beck, Jimmy Page, David Gilmour, Duane Allman, Eric Clapton fase Cream, Steve Miller com seu space blues de início de carreira e, acima de tudo, Jimi Hendrix, para citar apenas alguns, utilizaram-se fartamente de sua estrutura para revolucionar a música, trazendo uma nova abordagem para a guitarra no gênero e, assim, não apenas dando-lhe uma sobrevida de mais 3 gerações mas também alimentando o surgimento de ícones como Stevie Ray Vaughn e, mais recentemente, Joe Bonamassa.
Estando entre os gêneros campeões no lançamento de títulos, o blues continua revelando bons nomes, principalmente na guitarra, instrumento que lhe trouxe notoriedade e o ajudou a renovar seus fundamentos; no entanto, pouco pode ser considerado realmente relevante, grande parte devido à excessiva reverência e o pouco ímpeto transgressor dedicado ao gênero pela enorme maioria de seus representantes mais recentes, alguns bastante incensados.
Dentre os nomes que tentam alterar os rumos desta história está o do londrino Wilson T. King e seu 'future blues'. Polêmico, T. King vem enfurecendo alguns puristas com declarações de que o blues encontra-se em uma encruzilhada -desde Robert Johnson, esta é uma figura de retórica muito cara ao gênero- e que a maior parte de seus novos expoentes não passam de representantes de um tipo de 'karaoke blues', limitando-se a regravar standards, sem nada acrescentar às suas versões que as justifiquem, e/ou apresentando material autoral beirando a incipiência.
Não sei se seria tão duro com relação ao cenário blues/blues rock atual pois temos bons valores surgindo sem necessariamente soar revolucionários -Davy Knowles, Jason Barwick, Samuel McBride e Gary Clark Jr. estariam entre estes- mas mostrando qualidades autorais e transpirando tanta verdade que torna-se impossível não sentir-se atraído por sua música; no entanto, a ousadia e a busca de novas leituras está realmente em baixa no gênero e é justamente aí que encaixa-se a proposta de Wilson T. King, valendo-se de tudo que lhe estiver ao alcance, de Albert King e Jeff Beck a Bukowski e Radiohead, para criar o que alguns críticos vêm chamando de blade runner blues. Se sua proposta é válida e não apenas um tanto pretensiosa e arrogante -alguns se perguntam se ele se considera o 4º 'King'-, uma boa audição em seus dois CDs até o momento pode ajudar.
Com a palavra, vocês!  



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