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segunda-feira, 22 de abril de 2019

HOZIER-WASTELAND, BABY! (2019)


E, finalmente, a sequência da acachapante estreia deste irlandês porreta...e se 'Wasteland, Baby!' não possui os mesmos frescor e impacto estético daquele álbum que tomou o mundo de assalto com 'Take Me To Church' à frente, sobram sofisticação e bom gosto. A começar por trazer Mavis Staples e sua verve gospel para abrir os trabalhos de maneira arrebatadora com 'Nina Cried Power', uma pungente homenagem à diva Nina Simone. E mesmo explorando um pouco mais timbragens eletrônicas, a organicidade segue sendo a tônica do trabalho de Hozier, como faixas do porte da faixa-título e ainda 'Movement', 'Nobody', 'Shrike', 'Be' e a (quase) dançante 'Dinner & Diatribes' deixam tão bem transparecer.   
Par ouvir em noites solitárias regadas a um bom single malt...




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

HOZIER-HOZIER (2014) / Deluxe Edition

Eu e meu filho temos por hábito sentarmo-nos diante da TV nos fins de noite/início da madrugada daqueles fins de semana mais ociosos para o que chamamos de 'Sessão Beavis & Butthead'. Esta produtiva atividade consiste basicamente de zappear os canais a cabo de música em busca daqueles programas dedicados a clipes. O que não é difícil, devido à proficuidade com que tais programas pipocam por estes canais. Difícil é encontrar um clipe que não lhe provoque gargalhadas asfixiantes ou ânsias de vômito. E foi numa destas madrugadas que um belo clipe em p&b conseguiu nos calar e voltarmos toda a atenção para a bela canção, 'Take Me To Church', um visceral libelo anti-fundamentalismo e propósito daquele festival de lindas e cruéis imagens. Surpreso com o conteúdo, uma espécie de amálgama de Jeff Buckley e Van Morrison, resolvi correr atrás de mais informações daquele seja lá quem ou o quê, denominado Hozier.
E assim cheguei ao cantor/compositor/multi-instrumentista irlandês de 24 anos Andrew Hozier-Byrne. Filho de músico, logo cedo dedicou-se aos estudos da música e envolveu-se com conceituados grupos dedicados ao crossover entre o folk celta e a música pop e o rock, entre os quais Trinity Orchestra e Anúna. Talento plenamente reconhecido, é convocado ainda em 2010 pela Universal para algumas sessões demo que não resultaram em nada. É a já tradicional obtusidade das majors.
No entanto, um minúsculo selo, Rubyworks, topou a empreitada de lançar aquele material, mesmo que de uma maneira um tanto tímida, apenas via downloads. E foi assim que o EP 'Take Me To Church' tornou-se um fenômeno de público e crítica em 2013, gerando, ainda no início do ano seguinte, o lançamento de mais um EP, 'From Eden', que se encarregaria de confirmar o talento de Hozier para a construção de lindas composições, arranjos de texturas e dinâmica inspiradas e um raro aproach no manuseio das palavras.
Para coroar ascensão tão surpreendente, nada mais justo que um álbum, agora também via distribuição tradicional, via Islands. E assim nos chega seu autointitulado álbum de estreia, compilando, em sua Deluxe Edition, todo seu material lançado até o momento e ainda 9 faixas inéditas. E o resultado não poderia ser melhor. Às já citadas 'Take Me To Church', uma peça de beleza única, e 'From Eden', acrescente 'To Be Alone', 'Jackie And Wilson', 'Angel Of Small Death And The Codeine Scene', 'Work Song' e, como se não bastasse, ainda nos trazendo mais uma obra-prima: a folk zeppeliniana 'In A Week', em dueto com a bela Karen Cowley, do trio Wyvern Lingo.
Para aqueles que, como eu, julgam-se um pouco órfãos de Jeff Buckley, Hozier pode ser um grande alento. Ou, ao menos, a constatação de que ainda existe vida inteligente na música pop.


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