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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

SOULIVE


Esta postagem é para quem gosta de música feita por quem ama música. Sim, a força motriz por trás deste trio fundado pelos irmãos Neal (Hammond-B3/Taurus bass pedal/Honner Clavinet) e Alan Evans (bateria/percussão) e Eric Krasno (guitarras) é o amor à música, principalmente jazz, soul e funk. E a elegância com que executam sua arte é de tirar o chapéu.
Musicalmente, poderíamos afirmar que a Soulive seria prima-irmã de um Jimmy Smith e um M, M & W com um certo tempero acid-jazz. Mas, na verdade, é mais do que isso. Se não, como explicar a sua penetração em eventos que vão do tradicionalíssimo Monterey Jazz Festival ao renomado Bonnaroo? E o que dizer do prestígio alcançado junto a nomes tão diversos como Oteil Burbridge, John Scofield, Fred Wesley, Chaka Khan, Neville Bros e Dave Matthews, levando-os a excursionar com, entre outros, Rolling Stones, John Mayer e Dave Matthews Band.
E tudo começou em 99 quando os irmãos Evans, já conceituados session men, convidam Krasno para algumas jam session em seu estúdio. As sessões foram tão entusiasmantes que transformaram-se em 'Get Down!', seu primeiro disco. Mantendo a linha totalmente instrumental lançam 'Turn It Out' que, mesmo ainda um lançamento independente, consegue vender rapidamente as 65000 cópias iniciais e trouxe a reboque o reconhecimento e o prestígio necessários no cenário jazz/funky e um contrato com a prestigiada Blue Note.
O primeiro trabalho por sua nova gravadora, 'Doin' Something', já se utiliza de um belo naipe de metais arranjado e conduzido pelo admirador Fred Wesley e faz um suceso estrondoso. Capitalizando este sucesso, em seguida emendam com 'Next' onde, talvez pressionados por um selo hoje já não tão purista, experimentam uma fusão até certo ponto meio desastrada com o hip-hop em algumas poucas faixas mas, ainda assim, trazendo excelentes momentos e grooves matadores. De quebra, uma participação de Dave Matthews, outro admirador confesso. O álbum 'Soulive'(2003/ao vivo), marca a despedida da banda do selo. Ainda neste ano soltam o álbum 'Turn It Out Remixed', continuam excursionando e cada vez mais angariando prestígio e bons amigos.
E são esses amigos que farão a diferença em 'Break Out' de 2005, seu primeiro trabalho já com uma divisão clara entre a fidelidade ao padrão instrumental e faixas privilegiando os vocais. Entre estes, a já citada Chaka Khan, o magistral Ivan Neville e Corey Glover. A alteração de direcionamento que seria radicalizada em seu próximo trabalho, 'No Place Like Soul', começou a ser delineada aqui.
E já que falamos de 'No Place Like Soul', vale dizer que foi um dos álbuns que carregou o pesado fardo de 'ressucitar' o mítico selo Stax e, talvez excessivamente imbuídos desta responsabilidade, optaram por adicionar um vocalista fixo, Toussaint, e, ao meu ver, fizeram um excelente, e muito mais pesado, disco que, infelizmente, não cumpriu o que dele se esperava -ajudar a trazer um novo público- e ainda assustou seus mais fiéis seguidores, apesar de vender muito bem.
As últimas notícias dão conta de que optaram por retornar ao padrão trio pois sentem-se mais felizes e livres para as improvisações, marca registrada da banda.