Sempre fui muito simpático ao trabalho de Peter Frampton desde os tempos de Humble Pie, quando eu era apenas um pré-aborrecente e ele já havia sido promovido. Não se espantem, o cara começou cedo, um verdadeiro prodígio. Aliás, quanta diferença entre épocas, não? Nas décadas de 60/70, se déssemos uma guitarra a um adolescente, poderíamos estar criando um Mutantes, um Free ou um Humble Pie; hoje, corremos o sério risco de criar um NXZero, um CPM22 ou um Jonas Brothers. Affff...que lástima!Bem...voltemos ao tema: como dizia, sempre gostei do trabalho do cara e, mesmo quando seguiu em carreira solo, lá fui eu comprando seus discos na sequência, não apenas por ser um bom músico. O maior atrativo, ao menos pra mim, era que o moço era um excelente compositor e arranjador, além de ter um timbre de voz singular e sempre encaixar sua Les Paul Black Beauty em licks com extremada elegância. Em suma, um rock classudo, com 'R' maiúsculo. Não preciso dizer do enorme e, até certo ponto, prejudicial sucesso do duplo 'Frampton Comes Alive'(76), talvez ainda hoje o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos. Nem mesmo do declínio de sua carreira a partir de pouco tempo depois quando, logo após o lançamento do bom 'I'm In You'(77), envolveu-se em sério acidente automobilístico e ficou um longo tempo entre a vida e a morte.
O ocaso de sua carreira provocado por aquela trágica interrupção e uma profunda depressão só foi amenizado quando do lançamento do excelente 'Breaking All The Rules', em 81, e cuja música-título tem um dos riffs de guitarra mais marcantes do rock. Mesmo assim, sabiamente, optou por um envolvimento low profile com a indústria musical e continuou lançando sempre bons discos com razoável regularidade até 2003, com 'Now', mais um excelente trabalho.
Em meados de 2007, estava este seu humilde escriba fuçando a grande rede atrás de novidades discográficas quando deparei-me com um link para este 'Fingerprints', mas nada de resenha. No entanto, em se tratando de um legítimo Frampton, tratei de atracar-me ao link.
E que bela surpresa! Aqui, só não temos sua singular voz por tratar-se de um disco totalmente instrumental, o primeiro de sua carreira e um sonho antigo desse guitarrista boa praça. Todo o resto -excelentes composições próprias (entre os covers, destaque para 'Black Hole Sun', em respeitosa e linda interpretação), arranjos recheados de sutilezas e a usual excelente forma técnica no instrumento- está aqui em doses maciças. Não, não esperem aqui os histrionismos guitarrísticos da indefectível trinca Steve Sai/ Joe Vatriani/ Y$#@&*e Malmsteen e muitos de seus pares. Volto a frisar: estou falando de um guitarrista que sabe compor, arranjar, trabalhar dinâmicas e explorar à perfeição seu estilo. Ou seja, nada em comum com os três 'fritadores de ovos' citados. Não à toa, 'Fingerprints' lhe proporcionou o primeiro Grammy de sua carreira.
Tudo bem, até agora não se convenceram do alto nível do disco, né? Então só me resta apelar para a lista de convidados sob sua batuta: Courtney Pine, Hank Marvin, Brian Bennett, Bill Wyman, Charlie Watts, Warren Haynes, Matt Cameron, Mike McCready, Paul Franklin, Stanley Sheldon, Gordon Kennedy e John Jorgenson.
Ahhhhh...agora caiu a ficha, heim?!