Ah, essas talentosas mulheres...quem, em sã consciência, consegue resistir a elas? Eu, certamente, não...
E, não à toa, grande parte de minhas postagens, é dedicada a elas. Nem bem publiquei a postagem de Kristina Train e o novo álbum de Imelda May, já velha conhecida de rockers mais antenados através de seus trabalhos dedicados ao rockabilly e swing jazz, foi lançado, obrigando-me a reagendar diversas postagens. Afinal, trata-se de, praticamente uma unanimidade como poucas, angariando, ao longo de sua carreira, o respeito de luminares da envergadura de Jeff Beck, Bono, Elvis Costello, Michel Legrand, Meat Loaf, Smokey Robinson, Tom Jones e inúmeros etcéteras.
Nascida Imelda Mary Clabby, em Dublin, iniciou muito cedo -aos 16- uma vitoriosa carreira; no entanto, somente em 2002, conseguiu lançar seu primeiro álbum, 'No Turning Back', cujo sucesso fora da região a fez, com seu marido, parceiro autoral e guitarrista, Darrell Higham, radicar-se em Londres. Uma declarada fã, desde a mais tenra idade, de rockabilly, blues e jazz, Imelda moldou seu estilo vocal através destes gêneros, tornando-se única. Com apoio de Jools Holland, que transformou-se em uma espécie de mentor, sua carreira tomou um belo rumo e gerou mais 3 álbuns de sucesso e 2 turnês mundiais.
Mas nem tudo são flores e a inesperada, e um tanto turbulenta, separação de Higham, em 2015, a levou a uma arriscada guinada na carreira. Optando por expandir seu leque musical, Imelda iniciou o processo de composição e pré-produção de 'Life. Love. Flesh. Blood', seu primeiro trabalho fora do espectro que a consagrou. E, surpreendentemente, saiu-se muitíssimo bem. Quem a imaginaria passeando com tanta desenvoltura, em 15 faixas autorais, pelo soft rock classudo de 'Call Me', pelo folk da belíssima 'The Girl I Used To Be', o power pop de 'Should've Been You' ou, até mesmo, pelos hard rocks de 'The Longing', 'Love And Fear' e 'Leave Me Lonely', e ainda arrumar espaço para o blues 'Black Tears' (com participação de Deus, digo, Jeff Beck) e o ganchudo blues rock de 'Game Changer'? E tudo isto sem dispensar inspiradíssimos exemplares de suas matrizes no rockabilly e swing, ainda que, no geral, em roupagem mais transgressora, como na climática 'Levitate', ou de fraque e cartola em 'When It's My Time', exemplarmente defendida com o auxílio luxuoso de seu padrinho Jools Holland. Sem dúvidas, 'Life. Love. Flesh. Blood' passou com sobras no duro propósito traçado por sua idealizadora, qual fosse mostrar-se por inteira, em todos os seus ângulos, sem limites. E, em muito, graças à liga perfeita proporcionada pela produção enxuta e charmosa de T Bone Burnett.
E já falei que Imelda May está cantando como nunca? Pois é...
E já falei que Imelda May está cantando como nunca? Pois é...


