E o tão aguardado, ao menos por mim, álbum solo do ex-líder da novaiorquina The London Souls veio, finalmente, à tona. E, não à toa, é o trabalho mais pessoal, confessional mesmo, de Tash Neal, compositor, guitarrista, vocalista, produtor e ativista social e político. Muito disso deve-se ao período pessoal extremamente turbulento pelo qual passou enquanto ainda em sua banda de origem, incluindo um grave acidente automobilístico que o deixou em coma por meses e a morte de seu pai alguns meses depois. Junte a isto o difícil momento político e social de seu país durante os longos 4 anos de um governo nazifascista e a tragédia sanitária que o planeta ora atravessa, e temos a receita perfeita para um álbum profundamente lento e depressivo, certo? Só que não... Neal, influenciado por Sly & The Family Stone e o PSoul de Norman Whitfield, entre outros luminares, optou por traduzir sua raiva e inconformismo em groovies irresistíveis e, sem abandonar suas raízes em sua antiga banda, pesados...bem pesados!
E assim nasceu 'Charge It To The Game', uma expressão que significa algo como "o que não lhe mata, lhe fortalece", "o que não mata, engorda" ou mesmo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"... Torna-se, mesmo, um tanto estranho sair quicando pela casa ao som irresistível de faixas como 'All I See Is Blood', sobre o já citado acidente, de 'Boomerang' e 'Something Ain't Right' desfiando indignação e ódio a respeito dos últimos conflitos raciais em seu país ou apenas batendo os pés e balançando suavemente o corpo ao ritmo delicioso de 'Finding Your Way', versando sobre a morte de seu pai. Mas a verdade é que a estratégia funcionou muito bem. Tão bem que nem mesmo a equivocada entrega de 'Like A Glove' e 'Catching Up' à produção de Dan Auerbach, talvez isto explique serem as faixas menos atraentes do álbum, conseguiu apagar o brilho de 'Charge It To The Game'.

