
A origem da texana
THE MARS VOLTA remonta a meados dos anos 90 quando
Omar Rodriguez-Lopes (guitarras) e
Cedric Bixler-Zavala (vocais) faziam parte de uma banda
punk/
noise local chamada
At The Drive-In. Paralelamente, mantinham um projeto, o
De Facto em que
Cedric assumia a bateria,
Omar, o baixo e
Jeremy M. Ward (originalmente, técnico de som) experimentava nos vocais. Logo, decidiram dedicar-se somente a este instigante projeto, com o restante da banda formando o
Sparta. O som do
De Facto agregava influências do
dub,
reggae,
jazz, eletrônica,
salsa e o que mais desse na telha e chegaram a gravar um cd de pouca repercussão. Mudando-se para
Long Beach,
CA, adicionaram o tecladista
Isaiah 'Ikey' Owens que acrescentou uma nova dimensão ao som do
De Facto e, a reboque, uma popularidade nunca antes experimentada - o que proporcionou a gravação de um segundo album no ano de 2001. Por esta época,
Jon Theodore (bateria) e
Eva Gardner (baixo) juntaram-se à banda, liberando
Omar para seu instrumento de origem -a guitarra- e, inexperadamente, decidiram mudar o nome da banda para
The Mars Volta, já sem
Jeremy -que voltou a ser o engenheiro de som da banda e parceiro nas letras- e com
Cedric assumindo definitivamente os vocais. O novo projeto era extremamente audacioso e expandia os horizontes sonoros já experimentados à exaustão com o
De Facto. Gravam, então, um EP denominado '
TREMULANT'(2002), um
mix de
prog, música latina e experimentalismo. Segue-se a este, '
DE-LOUSED IN THE COMATORIUM'(2003), produzido pelo mago
Rick Rubin. Neste cd, ao contrário de '
TREMULANT', a ambientação é conceitual e narra a estória, em primeira pessoa, de um viciado em drogas em coma -um antigo amigo,
Julio Venegas, ou
Cerpin Taxt, como mencionado na história, que esteve em coma por vários anos antes de acordar, vindo a saltar, posteriormente, de um viaduto sobre uma rodovia em
El Paso durante a hora do
rush. Vale citar que, durante a pré-produção do álbum,
Eva foi demitida deixando a banda sem baixista. Mas o problema foi solucionado com o auxílio luxuoso de
Flea (
Red Hot Chilli Peppers)
, um admirador da banda, que adicionou o baixo em 9 das 10 músicas do cd-que ainda teve a participação de outro membro do
RHCP,
John Frusciante. O álbum foi um sucesso de público e crítica, rendendo um
tour como banda de abertura para....
Red Hot Chili Peppers!!! Mas nem tudo foram flores: no meio da turnê,
Ward foi encontrado morto por
overdose.
Em 2004, começam a produzir '
FRANCES THE MUTE', já com
Juan Alderete definitivamente incorporado como baixista, adicionando
Marcel (irmão de
Omar) como percussionista e, uma vez mais, contando com a participação dos amigos pimentões.
'FRANCES THE MUTE' é todo baseado em personagens criados por
Jeremy Ward e detalhadamente descritos em um caderno de anotações encontrado em seu carro. Este cd veio a tornar-se um sucesso ainda maior que
seu predecessor, sendo
"The Widow" executada maciçamente nas rádios americanas e européias. O fato mais incrível do álbum talvez seja o envolvimento quase obsessivo de
Omar em sua criação. Ele escreveu todas as partes instrumentais -guitarra, teclado, melodias vocais e rotinas de bateria (com ajuda de
Theodore), e todos os arranjos- e dedicou-se à produção valendo-se de um método pouco ortodoxo, que alguns diretores de cinema como
Woody Allen constumam usar, para extrair grandes performances de seus colegas de banda: proibir os outros membros de ouvirem outras partes, ou o contexto de sua própria parte, forçando-os a tocarem cada trecho como se fosse uma música auto-suficiente. E este álbum é, realmente, surpreendente.
Recentemente, foi lançado o terceiro álbum, desta feita denominado '
AMPUTECHTURE' que, a uma primeira audição, soa inferior aos outros, talvez por ser mais soturno. Mas suas qualidades intrínsecas sobressaem a cada audição. Tirem vocês suas próprias conclusões. De minha parte, só posso dizer que sou um entusiasta da banda, que acompanho desde o lançamento de
'De-Loused...' .
Tudo bem, a música dos caras não é de fácil digestão, feijoada também não, mas quem não gosta?