A dredg já é velha conhecida da casa -sua discog está disponibilizada aqui- e, apesar da polêmica envolvendo este seu novo trabalho, que muitos (na verdade, quase todas as resenhas que li apontam em uma mesma direção) acusam de uma 'traição' ao seu currículo, não poderia deixar de conferir uma das bandas que melhor trafega na difícil fronteira que separa (ou une?) o prog, o rock e o pop, que alguns progheads costumam denominar crossover. E a minha conclusão é que está se queimando 'palha' por muito pouco desde o anúncio do produtor escolhido para a nova empreitada, nada menos que Dan The Automator, célebre por seu trabalho com a...Gorillaz!!! Por tudo isso, parti extremamente receoso para audição deste 'Chuckles & Mr. Squeezy' e o grotesco da capa em nada ajudou. Será personagem de alguma nova franquia de 'terrir'?
Na verdade, confesso que fiquei muito positivamente surpreso. Para começar, o disco é infinitamente superior a tudo que li em todas as resenhas que o detratavam. Ok, superar um trabalho como seu antecessor, o fantástico 'The Pariah, The Parrot, The Delusion', é uma tarefa espinhosíssima e esperar isto de uma banda -mesmo que já com 18 anos de estrada sem alteração em seu quadro e um séquito considerável conquistado com um trabalho sempre privilegiando o respeito aos seus- é um grave erro. É certo que as expectativas aumentaram bastante desde então mas, tranquilizem-se, o bom e velho dredg a que todos estamos acostumados não alterou seu nome para 'Ximpan Zé' e está presente, firme e forte e, a não ser por um enxugamento (nada de tão exagerado) na octanagem das guitarras e no tamanho das faixas, com algumas dando a impressão de poder render bem mais com arranjos um pouco mais extensos, quase não se percebem os dedos de Dan nos controles -que, na minha opinião, ganhou um bom dinheiro para muito pouco, ainda bem! Ainda estão aqui a sonoridade orgânica, com todos os instrumentos (alguns bem inusitados e manufaturados pelos próprios integrantes) tocados pela banda, os frequentes ruidos rosas, a bela voz de Gavin Hayes e as composições ganchudas de sempre emolduradas por arranjos cheios de dramaticidade, apesar de ressentir-se do pouco uso de um dos emblemas da banda, a lap steel. Algumas destas composições estão entre as melhores de sua longa discografia e já vinham sendo executadas ao vivo -é o caso da acachapante 'Upon Returning'. Como não se emocionar com 'The Tent', escolhida para primeiro single; ou deixar de bater o pé com o pop com cérebro de 'Another Tribe'; ou mesmo ficar em silêncio absoluto para ouvir o lindo violão de 'Kalathat'? Está mais pop? Sim, por que não? Se até Muse e The Mars Volta, só para citar alguns, fizeram concessões para atingir um mercado maior e nem por isso seus últimos trabalhos podem ser considerados menores -muito longe disso!-, por que não a dredg, cuja veia pop sempre foi mais afiada que as 2 citadas?
Querem saber? De ruim, 'Chuckles & Mr. Squeezy' só tem a capa.











