Originalmente publicado em 31.07.2007

Da XTC já disponibilizei, na sessão 'Crássicos G&B', a obra-prima 'Oranges & Lemons'. Façamos, agora, uma ácida viagem ao seu alter-ego: The Dukes Of Stratosphear.
Da XTC já disponibilizei, na sessão 'Crássicos G&B', a obra-prima 'Oranges & Lemons'. Façamos, agora, uma ácida viagem ao seu alter-ego: The Dukes Of Stratosphear.
Bom, já que o último post foi com material dos anos 80 e como nunca havia postado nada desta -para muitos- 'década perdida', vamos a uma pequena overdose. E que overdose!
Este álbum, originalmente um lp duplo, é uma das (senão a melhor) melhores coisas lançadas naquela década. O XTC (não ainda com este nome) foi formado em 72, em Swindon, Inglaterra, por Andy Partridge(vocais/guitarra), Colin Moulding (vocais/baixo), Barry Andrews (teclados) e Terry Chambers (bateria) com o intuito de tocar algo próximo a um glam rock na linha New York Dolls. Contudo, a diversidade de influências de seus músicos fez com que à essa postura inicial fossem acrescentados elementos de punk, ska, pop, art rock e, até mesmo, reggae. E isso fez toda a diferença pois tornaram-se rapidamente reconhecidos por esta diversidade e pela excelência de seus músicos. Começaram a lançar álbuns em 77, já como XTC, mas, logo depois, ocorre a primeira baixa: Andrews sai para tocar com o Shriekback e com a League of Gentlemen de Robert Fripp, sendo substituído por Dave Gregory (teclados/guitarra/arranjo de cordas). Lançam diversos discos com esta formação mas sempre priorizando a tal da diversidade, o que fazia com que nenhum trabalho fosse igual ao anterior.
E assim foi até 82 quando Partridge (com Moulding o principal compositor da banda) sofre um colapso nervoso em pleno show, posteriormente diagnosticado como 'stage fright' (medo de palco), e torna-se dependente de Valium. A partir de então o XTC tornou-se uma banda exclusivamente de estúdio e, devido a isso, perdem Chambers. Não mais tiveram um baterista fixo, preferindo usar músicos de estúdio do naipe de Prairie Prince, Dave Mattacks e Pat Mastelotto para esta função .
Muitas mudanças no som da banda começam a ocorrer com 'Skylarking'(86), produzido por Todd Rundgren, e desembocam neste 'Oranges & Lemons', até hoje seu álbum mais aclamado e vendido. Aqui, conseguiram criar um verdadeiro compêndio de, não só, tudo que já foi feito no pop e no rock até então, como também apontando caminhos futuros. Seria leviano apontar um destaque pois existem vários e é melhor que cada ouvinte escolha o(s) seu(s).A banda passeia por estilos que vão do bubblegum ao experimentalismo com uma firmeza e desenvoltura impressionantes e, como de costume, sem perda de identidade sonora, em muito graças à produção primorosa de Paul Fox que deve ter sofrido muito para conseguir a excelência de engenharia sonora apresentada pelo álbum. A banda tinha tanta consciência do divisor de águas que este trabalho significava que concebeu sua belíssima capa como uma alusão a um outro trabalho com igual significado de uma bandinha de Liverpool cujo nome me escapa.
A partir daí, lançaram ainda os excelentes 'Nonsuch'(92), produzido por Gus Dudgeon, e 'Apple Venus Vol. 1'(99), 'Wasp Star - Apple Venus Vol. 2'(2000), quando decidem por um hiato que já perdura por 7 longos anos.
Uma coisa é certa: 'Oranges & Lemons' vai estar sempre entre meus discos de cabeceira.
E -quem sabe?- talvez passe a ser um dos seus. Experimente o doce e o azedo. É uma excelente combinação.