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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CATHEDRAL-THE BRIDGE (2007)

E a saga continua, longos 30 anos após o lançamento de 'Stained Glass Stories', com quase toda a formação original. O 'quase' fica por conta da entrada de David Doig na vaga de Rudy Perrone, hoje um renomado violonista new age vinculado ao selo Windham Hill, ícone do gênero. 
E o novo integrante não fez feio ao manter o elevadíssimo padrão impresso por seu predecessor naquele primeiro trabalho, o mesmo valendo para todos os demais integrantes, que procuraram ater-se, tanto quanto o possível, a estrutura daquele pequeno clássico cult -além de ainda valer-se dos bons e velhos teclados analógicos, incluindo aí o mellotron- ao mesmo tempo em que temperos mais contemporâneos eram cuidadosamente incorporados. Para tanto, foram necessários mais de 3 anos entre ensaios e gravações para que 'The Bridge' se mostrasse um digno sucessor de 'Stained Glass Stories'. Mas o esforço valeu muitíssimo a pena pois, apesar de ressentir-se da aura de surpresa causada na estreia, estão ainda aqui as longas e inspiradíssimas suites, agora com guitarras timbradas de forma a acresecentar uma muito bem equilibrada dose de século XXI à sonoridade da banda e violões arpejados com diferenciada maestria por Doig. Não à toa, um seu tema solo -'Kithara Interludium'- está entre os mehores momentos do disco em seus mais de 6 minutos de pura delicadeza e virtuosismo perfeitamente dosado.       
Confesso que desconhecia por completo o lançamento de um segundo trabalho da banda e só o soube por intermédio de meu spacey brodim Maddy Lee, que subiu um link para disponibilizá-lo em seu Plano Z. Por conta disso, excepcionalmente, o link abaixo teletransportará os interessados neste material diretamente ao espaço-porto daquele blog via intrincadas manobras de dobra espaço-tempo, quando então, certamente, serão muito bem recebidos. Apertem seus cintos e boa viagem.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CATHEDRAL-STAINED GLASS STORIES (1978)


Não se pode dizer que 1978 foi um bom ano para os amantes (ou apenas simpatizantes, como eu) do prog rock. O punk havia tomado de assalto corações e mentes de uma nova geração um par de anos antes e, na necessidade de canalização de sua ira, escolheu como seu principal alvo o gênero que impregnara o roquenrou com fortes doses de sofisticação. Pregando o D.I.Y., o movimento tinha como objetivo promover o retorno do rock às suas origens, incluindo aí fortes doses de inconformismo, tão comuns a qualquer jovem e negligenciado pelo cenário um tanto mais erudito do prog. Por conta disso, muitas bandas já apontavam para direções mais pop e que viriam a desembocar, já no início dos '80, no neo prog.
Mas não a novaiorquina Cathedral, para cujos integrantes o que interessava era o symphonic prog de bandas inglesas do quilate de Genesis, Yes, King Crimson, Gentle Giant, Camel...a lista é longa. E foi na contramão que Paul Seal (vocais/percussão/bass pedal), Rudy Perrone (guitarras/violões/vocal), Tom Doncourt (teclados/glockenspiel/percussão/efeitos), Fred Callan (baixo/bass pedal/vocal) e Mercury Caronia IV (bateria/percussão) decidiram remar, devidamente assessorados e financiados por 'papa' Mercury Caronia III, que lhes conseguiu ainda um contrato com a nanica Delta Rec., que prensou apenas algumas centenas de cópias que logo tornaram-se sonhos de consumo de colecionadores. E não à toa pois seu único trabalho, 'Stained Glass Stories', foi um dos últimos grandes suspiros do rock progressivo como o conhecemos, cheio de longas peças/suites e transbordando criatividade. Um perfeito exemplar de como absorver influências em proveito de encontrar sua própria voz. E para que isto ocorra não basta apenas juntar uma penca de excelentes músicos, deve haver um diferencial. E este tem nome: Rudy Perrone. Responsável por tudo que necessitasse de cordas de aço ou nylon para ser executado -exceto baixo, magistralmente digitado por Fred Callan-, Perrone nos proporciona verdadeiras lições de como encontrar, demarcar e dominar seu espaço em arranjos extremamente complexos sem jamais soar desnecessário ou pedante.
Certamente, 'Stained Glass Stories' está entre aqueles discos que lamento profundamente não ter conhecido à época de seus lançamentos. E talvez vocês compartilhem desta mesma opinião. Mas, para isso, precisam baixar, ouvir e...comentar.