Esta é uma das muitas excelentes indicações de meu spacey brodim Maddy Lee. Mesmo que normalmente mais afeito a música estranha para gente esquisita, sempre que encontra algo que julga ser a minha cara, me envia empolgadamente uma mensagem com links. E na imensa maioria das vezes, acerta no alvo.
Nascida em finais de 2008 da obstinação de um músico de sólida carreira (integrou por mais de uma década a death metal Gorefest) em sua Holanda natal, a Gingerpig iniciou seus trabalhos quando o guitarrista e vocalista Boudewijn Bonebakker, de formação acadêmica e um apaixonado por sonoridades vintage (recentemente, restaurou uma Gibson Les Paul Gold Top '55), resolveu adquirir um Hammond B3. Não demorou muito para que aquele instrumento tão emblemático para o rock, lhe despertasse o desejo de juntar um grupo de músicos amigos com o propósito de, segundo suas próprias palavras, criar uma música humana, orgânica e genuína. Como companheiros para esta empreitada, convoca Sytse Roelevink para as 4 cordas, Ries Doms para socar tambores e pratos e, a escolha mais delicada, o pianista de formação jazzística Jarno Van Es para pilotar seu novo 'brinquedinho', piano e alguns outros teclados analógicos. Após muito ensaio para formatar as canções que já vinha escrevendo há algum tempo e uma demo gravada, Doms decide dedicar-se a outros projetos e Maarten Poirters, baterista de jazz rock da cena de Breda, aceita a convocação para o posto e traz a reboque inúmeras possibilidades imediatamente absorvidas por todos e este novo fôlego resultou, apenas quase 3 anos depois, agora sob a batuta experiente de Pieter Kloos (produtor de trabalhos para 35007 e Motorpsycho, entre outras), em 8 faixas gravadas no The Void Studio de Eindhoven, que se transformariam em 'The Ways Of The Gingerpig'. Quase que totalmente registrado ao vivo - exceção feita aos vocais - e em equipamentos 100% analógicos, 'The Ways Of The Gingerpig' é uma pequena joia do hard rock, liquidificando influências as mais diversas para criar um som único, retrô sem soar datado e contemporâneo sem parecer asséptico. E ainda descobrindo em Van Es uma 'pegada' nata para o B3, com escolha de timbres muito próprios e fraseados envolventes.
E o mesmo Van Es veio a tornar-se pivô de um turbulento período para a banda quando, em inícios de 2012, opta por pedir o boné para mochilar pelo mundo. Era o momento de tomar uma decisão: continuar como um trio ou procurar um substituto? Optaram, ao menos por enquanto, pela primeira proposta e partiram de imediato para a pré-produção de um novo trabalho enquanto cobriam o circuito europeu de festivais e abriam para alguns grandes em tour pelos Países Baixos, e uma amostra da sonoridade mais crua característica de um power trio não tardaria, com o single 'Ugly Heart' despontando com destaque em meados daquele ano e sinalizando com boas perspectivas para o novo álbum.
E as previsões confirmaram-se com sobras pois o recém-lançado 'Hidden From View' deixa transparente uma potência capaz de desafiar todos os limites de uma formação deste tipo. E é claro que o bom e velho B3 não ficou de fora, agora a cargo de Arno Krijger e usado com um pouco mais de parcimônia. Mas o pulo do gato de 'Hidden From View' reside mesmo na qualidade das pancadas e riffs, sempre irresistíveis, e na voz sempre transbordando dramaticidade de Bonebakker, mesmo que para isto necessite chegar no limiar de fritar as cordas vocais. E isto o coloca na sempre gratificante posição de ter forjado um dos grandes lançamentos de 2013 no gênero. E há quanto tempo não vemos uma banda holandesa em tão confortável situação?
E o mesmo Van Es veio a tornar-se pivô de um turbulento período para a banda quando, em inícios de 2012, opta por pedir o boné para mochilar pelo mundo. Era o momento de tomar uma decisão: continuar como um trio ou procurar um substituto? Optaram, ao menos por enquanto, pela primeira proposta e partiram de imediato para a pré-produção de um novo trabalho enquanto cobriam o circuito europeu de festivais e abriam para alguns grandes em tour pelos Países Baixos, e uma amostra da sonoridade mais crua característica de um power trio não tardaria, com o single 'Ugly Heart' despontando com destaque em meados daquele ano e sinalizando com boas perspectivas para o novo álbum.
E as previsões confirmaram-se com sobras pois o recém-lançado 'Hidden From View' deixa transparente uma potência capaz de desafiar todos os limites de uma formação deste tipo. E é claro que o bom e velho B3 não ficou de fora, agora a cargo de Arno Krijger e usado com um pouco mais de parcimônia. Mas o pulo do gato de 'Hidden From View' reside mesmo na qualidade das pancadas e riffs, sempre irresistíveis, e na voz sempre transbordando dramaticidade de Bonebakker, mesmo que para isto necessite chegar no limiar de fritar as cordas vocais. E isto o coloca na sempre gratificante posição de ter forjado um dos grandes lançamentos de 2013 no gênero. E há quanto tempo não vemos uma banda holandesa em tão confortável situação?
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