segunda-feira, 26 de agosto de 2019

LAIDLAW


Em tempos de empulhações do porte de uma Greta Van Fleet, chega a bater-me uma tremenda nostalgia de bandas que conheci neste século -algumas já com carreira bem estruturada em finais do século anterior- que já desbravavam o universo do que convencionou chamar-se, mesmo que equivocadamente, classic rock. Entre estas, destacaria a sueca Lotus e a estadunidense Laidlaw. Em comum, além de abraçarem o mesmo gênero musical, o fato de já não mais existirem. Enquanto a primeira tornou-se uma das postagens mais emblemáticas desta birosca brenfoetílicomusical ainda engatinhando, a Laidlaw fez bela carreira em todos os blogs antenados da época, e, muito por conta disso, não disponibilizei sua discog por aqui. Grande parte deste destaque deveu-se ao sucesso underground de 'Swan Song', faixa de seu quarto, e derradeiro, álbum, 'The Foam Box Sessions' (2006). Um merecido sucesso, diga-se de passagem, em que valeram-se de títulos e trechos de letras de diversas canções da Led Zeppelin para construir um emocionante -e premonitório?- tributo.
Criada por Craig DeFalco (guitarras/vocais) e Buzzy James (guitarras/slide/vocais) em 1990, passaram por diversas formações desde quando ainda chamavam-se Moonshine e tinham apenas uma boa demo nas mãos e uma reputação ainda em construção na cena californiana. Com o nome alterado por Nikki Sixx, que não só os apadrinhou, produziu e contratou para inaugurar seu recém-criado selo Americoma, como os levou como banda de abertura daquele tour da Motley Crüe, a Laidlaw logo regravou todo aquele material e ainda um bom cover para 'Rock'n'Roll Hoochie Coo' e as inéditas 'Stoned' e 'Just Might Do Me In', agora com Tommy Roberts nos vocais, Michael Norton no baixo e o canadense Darrell Millar na bateria. Mesmo assim, e já com o excelente 'First Big Picnic' lançado e recheado do melhor do hard southern rock, apesar de conseguirem firmar seu nome, as coisas não tomavam o rumo desejado por DeFalco.
Rompidos com Sixx e sua Americoma, DeFalco, James e Millar convocam um antigo colaborador da época de Moonshine, Joey Pantera, para o posto de vocalista e ainda Gary Nutt para as 4 cordas. Com esta formação lançam outro petardo, auto-intitulado, em 2003, com destaque para 'Ode To Ronnie', uma clara homenagem a Ronnie Van Zant e toda nação Lynyrd Skynyrd. Mas nada de mais relevante acontecia. Inexplicavelmente...
Segue-se mais um período de hiato, que culminou com DeFalco como único remanescente, e o lançamento, quase 4 anos após, do trabalho que poderia ser a redenção para a banda e uma vitória pessoal de seu incansável fundador e líder, o já citado 'The Foam Box Sessions'. Só que não...
Mas, ao menos agora, faço justiça, mesmo que tardia, a esta banda que poderia -e deveria!- ter ido muito mais longe.

















segunda-feira, 12 de agosto de 2019

GAIL ANN DORSEY

Resultado de imagem para gail ann dorsey

Acredito que todos que acompanhamos o mundo da música já por décadas temos aqueles sidemen que sempre nos roubaram a atenção, seja pelo talento, seja pela performance...ou, principalmente, por ambos! No meu caso, tenho vários e, de Mick Ronson e Earl Slick a Jeff 'Skunk' Baxter e Kenny Aronoff posso listar dezenas... 
Mas nenhum deles me causou tanto espanto quanto Gail Ann Dorsey ao descobri-la no icônico show 'Going To California/Live At The County Bowl' (1990), da Tears For Fears. Portanto, estamos falando de uma sidewoman. Ali, Gail me ganhou pela beleza de seus fraseados no contrabaixo e por ainda mandar uns backing vocals absolutamente fantásticos, nada burocráticos. Além, é claro da bela postura de palco e carismática figura cênica. E isto, rapidamente, a transformou em uma das mais requisitadas musicistas do planeta, disputada a tapas por figuras do porte de Seal, Bryan Ferry, Boy George, Indigo Girls, Charlie Watts e, claro, seus 'patrões' mais regulares, a ponto de nunca prescindirem de seus serviços, Lenny Kravitz (assisti-a in loco em sua primeira passagem pelo Rio) e David Bowie, com quem atuou por 21 anos, até a morte do 'camaleão' em 2016. E foi, justamente, ao assistir sua performance no DVD 'A Reality Tour' (2004), mais especificamente no dueto de 'Under Pressure', que decidi-me por conhecer melhor esta extraordinária performer norte-americana da Pensilvania, mas radicada em Londres, e correr atrás de sua discografia, cuja existência já conhecia, mas os meios de consegui-la ainda eram um tanto difíceis. Foram mais de 2 anos de uma paciente pescaria por links para seus 3 únicos álbuns. E posso, sem receio algum, afirmar ter valido cada segundo investido.
O mais interessante é que, tendo sido lançados em décadas diversas -'Corporate World' (1988), 'Rude Blue' (1992) e 'I Used To Be...' (2004)-, cada um, à sua maneira, é um fiel retrato musical e comportamental de suas épocas. Não esperem aqui discursos adocicados. Seus trabalhos são quase conceituais. Além de musicalmente inspiradíssimos e executados com perfeição cirúrgica...mas sem jamais perder o groove. E é groove a dar com o pau! E com Gail mostrando toda sua musicalidade em diversos instrumentos, além do baixo. E que voz!!!
Como explicar que tanta música pop de qualidade duvidosíssima, para dizer o mínimo, infeste as playlists de bilhões ao redor do planeta e um talento como o de Gail Ann Dorsey, uma autêntica lenda dos estúdios e palcos e com trabalhos solo de tamanha envergadura, mantenha-se na obscuridade?