E, finalmente, um novo trabalho de uma das mais originais e interessantes bandas brazukas, agora não mais limitada apenas à cena autoral alternativa independente, como também do circuito rock como um todo. Na verdade, eu categorizaria a minha conterrânea El Efecto como MPBRock. E a nova safra de canções de Tomás Rosati & Cia. se mostra urgente, posto que um flagrante retrato de um difícil momento para o mundo em geral. E para nosso país, em particular. Difícil ficar indiferente ao texto -a partir da cultuada obra homônima de Eduardo Galeano- recheado de realidade e à musicalidade sem limites deste sexteto -agora com Cristine Ariel e Tomás Tróia reforçando as guitarras, cavacos e voz em substituição a Pablo Barroso- e uma matilha de convidados acima de quaisquer suspeitas.
Recomendadaço-aço-aço!!!
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Atualização publicada em 29.12.2014.
Depois de uma longa temporada de sucesso por aqui e pelo exterior, chegam-nos novidades de uma das mais interessantes bandas do cenário brazuka. Investindo em um álbum de acústicas, 4 destas - 'Ciranda' (com Daíra Saboia), 'Os Assaltimbancos', 'Pedras e Sonhos' e 'Santos Dumont' - já antigas conhecidas de CDs anteriores e ainda as inéditas 'Retrato Fadado', mostrando um sotaque mediterrâneo certamente adquirido nas andanças por esse mundão afora, e 'Trova Do Vento Que Passa', típico exemplar do cancioneiro da banda e de cujo trecho pegaram emprestado o título do novo trabalho, o EP 'A Cantiga É Uma Arma' serve como aperitivo e curiosidade acerca de um autêntico sucessor para o fantástico 'Pedras E Sonhos'. E de (luxuoso) brinde, o raro EP 'Novas Músicas, Velhas Angústias', de 2010.
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Originalmente publicado em 17.06.2013.
Sim, é bem verdade que o cenário rock no país está desolador. Mas, vez ou outra, boas surpresas ocorrem e a El Efecto, banda de minha querida Cidade Maravilhosa, está certamente entre as mais gratas. Mas como falar de surpresa em relação a uma banda já há tanto tempo na estrada e com um séquito fiel peregrinando permanentemente atrás de alguma de suas incendiárias apresentações. Formada no início do século por Tomás Rosati (vocal/percussão/clarinete/bateria), Bruno Danton (guitarras/cavaquinho/trompete/arranjos/vocal) e Eduardo Baker (baixo), em seguida adicionam Diogo Furieri, logo substituído por Pablo Barroso (guitarras/vocal), e Gustavo Loureiro (bateria) e começam a colecionar material autoral de qualidade inquestionável, sempre recheadas de alternâncias de tempos e explorando uma infinidade de texturas e estilos, do forró de Gonzagão à atonalidade de Arrigo Barnabé, da brejeira Zezé Gonzaga ao thrash de Metallica, do madrigal Vivaldi ao metal sinfônico da Dream Theater. E tudo isto interligado por um discurso afiado envolto por uma capacidade poética invejável.
Rapidamente, caem no gosto do underground carioca e a internet se ocupa do resto e, após algumas demos, 2004 testemunha o lançamento de seu primeiro álbum, 'Como Qualquer Outra Coisa', já trazendo tudo que faria a fama da banda mas ainda incapaz de dar uma sonoridade que fizesse jus à que seus admiradores já estavam acostumados em suas catárticas apresentações. Mas serviu muito bem ao propósito de ampliar as possibilidades da banda nacionalmente.
E assim seguiram tocando por festivais em todo o país enquanto uma nova fornada de inéditas, seguida de ensaios exaustivos, resultasse em 'Cidade Das Almas Adormecidas', longos 4 anos depois. Indiscutivelmente mais maduro, segue a mesma cartilha e definitivamente alcançam o que tantos almejam mas pouquíssimos conseguem: uma assinatura musical. E tudo resultado de muito trabalho, inspiração e inegável talento.
No entanto, não se deitaram sobre os louros alcançados até aquele momento e seguiram crescendo em todos os parâmetros, musical e poeticamente falando, e investindo constantemente na banda. Durante este processo, testam novos elementos no EP 'Novas Músicas, Velhas Angústias', de 2010. Chegam, assim, a uma encruzilhada em que torna-se necessária a criação de um marco zero e, após mais um bom período de maturação, soltam 'Pedras & Sonhos' no segundo semestre de 2012. E da profética 'O Encontro de Lampião com Eike Batista', com seus épicos 8:20min, ao iê-iê-iê punk no melhor estilo Patife Band de 'Os Assaltimbancos', passeiam por matizes e texturas de um vigor e beleza únicos, agora com uma produção impecável, finalmente traduzindo de forma certeira para o mundo dos bits a sonoridade única da banda, ora de uma delicadeza de câmara (a linda 'Consagração da Primavera' e o lamento 'Prelúdio Em HD'), ora de uma ferocidade digna de uma System Of A Down ('A Caça Que Se Apaixonou Pelo Caçador') ou, na enorme maioria das vezes, tudo ao mesmo tempo agora. Uma obra-prima do novo roquenrou brazuca, mas talvez só o reconheçamos assim daqui a 20 anos. Ou mais...
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NOVO!!!
NOVO!!!
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