Mostrando postagens com marcador The London Souls. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador The London Souls. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

TASH NEAL-CHARGE IT TO THE GAME (2021)

 


E o tão aguardado, ao menos por mim, álbum solo do ex-líder da novaiorquina The London Souls veio, finalmente, à tona. E, não à toa, é o trabalho mais pessoal, confessional mesmo, de Tash Neal, compositor, guitarrista, vocalista, produtor e ativista social e político. Muito disso deve-se ao período pessoal extremamente turbulento pelo qual passou enquanto ainda em sua banda de origem, incluindo um grave acidente automobilístico que o deixou em coma por meses e a morte de seu pai alguns meses depois. Junte a isto o difícil momento político e social de seu país durante os longos 4 anos de um governo nazifascista e a tragédia sanitária que o planeta ora atravessa, e temos a receita perfeita para um álbum profundamente lento e depressivo, certo? Só que não... Neal, influenciado por Sly & The Family Stone e o PSoul de Norman Whitfield, entre outros luminares, optou por traduzir sua raiva e inconformismo em groovies irresistíveis e, sem abandonar suas raízes em sua antiga banda, pesados...bem pesados! 
E assim nasceu 'Charge It To The Game', uma expressão que significa algo como "o que não lhe mata, lhe fortalece", "o que não mata, engorda" ou mesmo "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"... Torna-se, mesmo, um tanto estranho sair quicando pela casa ao som irresistível de faixas como 'All I See Is Blood', sobre o já citado acidente, de 'Boomerang' e 'Something Ain't Right' desfiando indignação e ódio a respeito dos últimos conflitos raciais em seu país ou apenas batendo os pés e balançando suavemente o corpo ao ritmo delicioso de 'Finding Your Way', versando sobre a morte de seu pai. Mas a verdade é que a estratégia funcionou muito bem. Tão bem que nem mesmo a equivocada entrega de 'Like A Glove' e 'Catching Up' à produção de Dan Auerbach, talvez isto explique serem as faixas menos atraentes do álbum, conseguiu apagar o brilho de 'Charge It To The Game'.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

THE LONDON SOULS-HERE COME THE GIRLS (Custom Edition/2015)

E eis que, finalmente, a tão aguardada sequência para o autointitulado álbum de estreia da novaiorquina The London Souls vê a luz do dia. Mas não sem uma série de contratempos, que incluíram até mesmo um grave acidente de trânsito que deixou seu líder, Tash Neal, por um bom tempo em estado de coma e com as piores perspectivas com relação a sequelas, quando ainda em fase de finalização deste 'Here Come The Girls', em finais de 2012. Mas, como costumam dizer, o que não destrói, fortalece. E foi o que, aparentemente, ocorreu aqui. Mesmo ainda contabilizando a perda de seu baixista, substituído por Stu Mahan, Neal e seu fiel escudeiro Chris St. Hilaire formataram um agrupamento de canções ora capazes de rachar o assoalho, ora de provocar uma irresistível vontade de cantarolar de forma emocionada uma bela balada folk. Ouso afirmar que este é um daqueles raros casos em que o tão temido segundo álbum consegue suplantar um debut. Irretocável desde a abertura com o power pop de 'When I'm With You', entregando na sequência uma 'Steady Are You Ready' digna dos melhores momentos blues rock de uma Free e responsável por já deixar a sensação de estar-se diante de um álbum inesquecível, 'Here Come The Girls', produzido por Eric Krasno da cultuada Soulive, segue entusiasmando com a linda 'Hercules' nos fazendo respirar fundo antes que nos envolvamos com o elegante r&b de 'Alone' para, em seguida, levar uma tremenda facada nos tímpanos com a potência do riff de 'All Tied Down'. E assim, alternando de maneira perfeita as mais diversas ambiências, segue este petardo em suas 13 faixas (aqui, acrescentei uma 14ª, 'City Of Light', originalmente lançada há quase 3 anos como prévia para este álbum), com tudo para tirar a banda do nicho underground em que encontra-se até o momento.
Desde já, super-mega-hiper-ultra candidato a melhor álbum de 2015.



*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEOS





domingo, 5 de abril de 2015

THE LONDON SOULS-THE LONDON SOULS (Custom Edition/2011) / Repostagem


Originalmente publicado em 19.12.2011.


Mais uma descoberta via madrugadas insones de fim de semana. Desta vez, ao assistir um daqueles programas dedicados ao indie pop/rock -Fearless Music- e que costuma, em meio a tanta porcaria que exibe, me aplicar algumas coisas interessantes. Mas a novaiorquina The London Souls está muito além de ser apenas...interessante. A começar pelo nome. Segundo seus integrantes -Tash Neal (vocais/guitarras), Kiyoshi Matsuyama (baixo/vocais) e Chris St. Hilaire (bateria/percussão/vocais)-, a intenção seminal sempre foi fazer um som com a energia dos grandes power trios aliado à capacidade harmônica e melódica do brit pop setentista. E o resultado é um blues rock impregnado de power pop capaz de derreter o equivalente a uma Groenlândia
O que mais impressiona nesta bela estreia é a maturidade autoral e a precisão da execução de cada pormenor dos arranjos, principalmente se realmente acreditarmos que compuseram e ensaiaram por meses somente através de celulares antes de seu primeiro show há apenas 3 anos. E foi com este espírito pouco ortodoxo e munidos de 13 petardos irretocáveis que invadiram o legendário Abbey Road e registraram cada faixa em apenas 1 take!
Impossível não se contagiar por esta deliciosa bolachinha e sua estética única, tão desconcertante e tão pop a um só tempo, capaz de abrir com um breve hino a capella para, em seguida, emendar com uma pancada zeppeliniana ('She's So Mad') assustadoramente totalmente excelente demais e ainda seguir desfilando pérolas, seja através de um sincopado neo country ('Old Country Road') de levar o queixo dos fãs do gênero às profundezas do planeta, ou investindo em temas beirando o doom/stoner ('The Sound') transbordando propriedade ou cunhando uma das mais belas e perturbadoras canções que ouço em muito tempo, 'Six Feet', e cujas harmonia, melodia e arranjo Sir Paul McCartney assinaria com orgulho. 
Não sei se a The London Souls irá transformar-se em um grande sucesso ou apenas objeto de culto ou simplesmente sumir do mapa mas, certamente, estarei prestando atenção à sua trajetória enquanto vivos estiverem.
Mais um fortíssimo candidato ao Prêmio Semente 2011.


*¨*¨¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEO



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PRÊMIOS G&B 2011

O ano de 2011 pode não ter sido tão pródigo em bons lançamentos como 2010 e, até mesmo, 2009; apesar disso, a qualidade de muitos dos trabalhos que vieram à tona é invejável. Muito sangue novo brotando, bandas confirmando tudo que delas esperávamos e pouca coisa realmente decepcionante -ainda bem!
O grande diferencial de 2011 foi a variedade, do hardão mais rasgado ao retorno com força de um muito bem repaginado rocksoul, tivemos também a sempre muito bem-vinda (neo)psicodelia e o blues entronizando seu nome mais forte desde SRV e, assim, ganhando uma visibilidade como há muito tempo não acontecia. A lamentar, apenas, a pouca expressividade dos lançamentos de prog, ao menos de grande parte que me chegou aos ouvidos. Em contrapartida, a enorme maioria das excelentes velhíssimas novidades pescadas por mim vieram desta vertente.
Sei que muitos não concordarão mas, apesar das manifestações de todos os fiéis (e de outros nem tanto)parceiros serem  fundamentais, os Prêmios G&B são absolutamente antidemocráticos. Em outras palavras, eu, o CEO desta humilde birosca, sou o único responsável pela outorgação de todas as premiações.


PRÊMIO RABO DE RAPOSA

Rival Sons - 'Pressure & Time'
Incontestável, apesar de nada fácil, a escolha de não apenas um mas dos dois trabalhos lançados em 2011 por estes angelenos emersos do cenário hard em 2009 com o promissor 'Before The Fire'. Mal começara o ano e, com um fantástico EP auto-intitulado, deixaram claro que, agora livres das amarras que comparações a "um novo Led Zeppelin" naturalmente criam, haviam já colocado uma de suas mãos na internacionalmente cobiçada comenda máxima do seu, do meu, do nosso G&B. Quando do lançamento, apenas poucos meses depois, de 'Pressure & Time'  -um vigoroso exercício de urgência visando não contaminar as  excelentes canções com preciosismos desnecessários- veio à tona, praticamente asseguraram o Prêmio Rabo de Raposa. Tratava-se apenas de uma questão de formalidade.

Rival Sons - 'Rival Sons' (EP)


*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
 PRÊMIO SEMENTE

The London Souls - 'The London Souls'
De New York chega a maior revelação do ano que passou. E não só por ter lançado um petardo irretocável mas, também, por apresentar um autêntico compêndio da música pop dos últimos 40 anos sem o didatismo pelo qual trabalhos desta natureza costumam se caracterizar. E tudo devido a dois fatores irrefutáveis: em primeiro lugar, ao formato power trio que adotaram, o que garantiu uma saudável crueza a todas as suas 13 faixas; em segundo, a veia autoral livre de amarras, incorporando até mesmo elementos indie, garantindo uma completa ausência de ranços saudosistas. Com este seu álbum de estreia, a The London Souls nos presenteou com um trabalho recheado de vigor e absolutamente viciante. Certamente, uma grande aposta para o futuro mas não está só pois...    

The Shoes - 'The Shoes'
...da Itália, mais precisamente de Taranto, surgiu mais um power trio, desta vez adotando uma estrutura autoral mais tradicional, claramente espelhando-se nos grandes ícones deste tipo de formação, de Cream a Experience, mas com um surpreendente conhecimento de causa e, ainda assim, exalando um frescor inebriante. Músicos irrepreensíveis sob a liderança do talentosíssimo guitarrista/vocalista/compositor Elio Di Menza, a The Shoes não deixa pedra sobre pedra. É rock de verdade como pouquíssimas bandas italianas, tradicionalmente mais afeitas a sinfonismos, um dia já ousaram criar. Mais uma auspiciosa estreia, aplicada direto em minhas veias por meu spacey broDim Maddy Lee via Plano Z.

 *¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
 PRÊMIO APERTADO MAS SÓ ACENDIDO AGORA


Blackfeather - 'At The Mountains Of Madness' (1971)
Indescritível! É o mínimo que posso dizer acerca do impacto que a descoberta desta obra-prima concebida há 40 anos me causou, a ponto de não conseguir pensar em outro para esta nova categoria dos Prêmios G&B, criada com o propósito de agraciar as velhíssimas novidades (não confundir com novíssimas velharias) garimpadas durante o período. Se desejarem saber mais, e ainda fazer o download, sobre esta jóia esquecida do hard prog, é só dar uma passada por aqui.

*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
PRÊMIO DA LATA

Radio Moscow - 'The Great Escape Of Leslie Magnafuzz'
 
Como os visitantes mais antigos já sabem, esta categoria dedica-se a premiar outros excelentes trabalhos lançados, ou descobertos, durante o ano. Trata-se de uma espécie de menção honrosa, nunca um prêmio de consolação, devo deixar bem claro, pois cada um destes poderia encabeçar as demais premiações. E quase todos aqui perderam no photochart.
É exatamente este o caso de nossa velha conhecida Radio Moscow e seu 'The Great Escape Of Leslie Magnafuzz', um trabalho maduro e magistralmente conduzido por Parker Griggs, um dos grandes talentos da novíssima geração de músicos dedicados a explorar com muita personalidade o universo hard psych. Gostou? Quer mais? Então é só dar uma viajada até aqui.
Mas não havia como ficar apenas nisso e...

Three Seasons - 'Life's Road'
...decidi adicionar outro trabalho que me impressionou bastante: a estreia da Three Seasons, banda de Sartez Faraj, ex-vocalista (e o menos dotado dos que por lá passaram) da cultuada banda sueca Siena Root e aqui acumulando também a função de guitarrista, que conheci no Hard & Heavy de meu aborígene predileto, Dagon, também conhecido por Arariboia Man. E é justamente aí o calcanhar de Aquiles deste trabalho pois -a despeito da proposta extremamente bem direcionada e a excelente veia autoral de seu líder (por sinal, também mandando muito bem no gogó)- a incorporação de um guitarrista de mais 'pegada' seria fundamental para as pretensões da banda no futuro. Já até me coloquei à disposição...

The Sheepdogs - 'Five Easy Pieces'
Mas ainda era pouco e a inclusão de outra banda descoberta em visitas ao meu manim Maddy Lee que, inexplicavelmente, não atualizou sua postagem com seu novo lançamento, o estupendo EP 'Five Easy Pieces', foi a escolha mais óbvia. Estou falando da canadense The Sheepdogs. Caaaalma, não se deixem enganar pelo rídiculo nome pois trata-se de uma das maiores apostas do país que tem aquela folhinha um tanto canábica na bandeira e até já gozam de muito prestígio junto ao seu vizinho mais abaixo, sendo escolhidos pelo público para uma das capas da Rolling Stone em 2011. Como insinuado no título, tratam-se de 5 singelos pedaços do melhor que o rock pode oferecer a quem realmente conhece o gênero e sabe que 90% do que rola por aí está muito longe de merecer este título. Se quiserem mais, implorem ajoelhados em 150 kg de gravetos canábicos por 2 horas ao interplanetário comandante-em-chefe do Plano Z pela repostagem de sua discografia.

Lightning - 'The Lost Album' (1969)
A certa altura, pensei: "Por que não incluir nesta porra de categoria mais uma das tais velhíssimas novidades que garimpei durante o período?". E a escolha recaiu em 'The Lost Album' da Lightning, não só porque ainda esteja muito recente em meu único neurônio mas, também, por ser um trabalho irretocável em suas 8 faixas distribuidas por pouco mais de 28 minutos. Se gostou e deseja conhecer mais da banda e sua interessantíssima trajetória, dê um rolê por aqui.

*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
PRÊMIO PALHOÇA

Superheavy - 'Superheavy'
Este é pule de dez!!! Provavelmente, no futuro, será conhecido como o pior disco de todos os tempos. Inexplicável o que levou a lenda Mick Jagger e o respeitado David Stewart a jogar seus nomes na lama ao convidar 2 inócuos e absolutamente desprovidos de talento (um deles espoliando o sacrossanto nome de Bob Marley) para um projeto fadado ao fracasso. Mas o pior -na verdade, imperdoável!- foi seduzirem Joss Stone, um dos maiores talentos da música pop nos últimos 20 anos, a embarcar nesta canoa furada.
Link??? Pra quê??? Fuja disso!
*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
PERSONALIDADE ENFUMAÇADA

Joe Bonamassa

Não havia como deixar de prestar esta homenagem ao genial e incansável guitarrista, cantor e compositor novaiorquino de 34 anos de idade e 20 de carreira que tornou-se o nome mais popular do blues na era pós-SRV. Como se não bastasse ter iniciado o ano com o lançamento de mais um álbum solo, o incensado 'Dust Bowl', Zé Boapizza ainda encontrou forças para mais um petardo da Black Country Communion, o único supergrupo realmente merecedor deste título nos últimos tempos, e, como se não bastasse, lançou um belíssimo disco dedicado a covers de soul/r&b em parceria com a veterana blueswoman Beth Hart. E o maluco ainda encontrou tempo para turnês!
Acredito que 2012 será o ano das tais merecidas férias que, muito provavelmente, serão aproveitadas...compondo, criando novos e irrepreensíveis riffs e licks, reestruturando sua banda e adquirindo mais algumas dezenas de guitarras, violões, amplificadores e pedais de efeitos à sua modesta coleção.
Se decidir fazê-lo em um confortável hostel à beira-mar, o Rio o receberá de braços abertos,