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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

THE DAYJOB ORCHESTRA-...UNSOLICITED MATERIAL(2002) / G&B Remasters

Em junho, um colega de profissão me enviou um e-mail cujo conteúdo era mais ou menos assim: "Edinho, já conhece uma banda chamada The Dayjob Orchestra? Não? Então dá uma chegada aqui porque achei a sua cara". Em retorno, lhe perguntei se ele havia gostado e a resposta foi: "Achei uma merda mas tenho certeza que você vai gostar". Após tão 'sutil' observação, vocês têm todo o direito de estranhar meu interesse pela banda mas como sei de seu gosto musical um tanto o quanto duvidoso (adora um hard bem farofa do tipo Europe e congêneres), isto só aguçou minha curiosidade. Assim, recorri ao velho truque índio de dar uma checada no iutubiu para ver se descolava algum material da banda. E não é que encontrei?! Curiosamente, nenhum destes vídeos tinha qualquer relação com música, apenas paródias de seriados, filmes e entrevistas, colagens animadas, etc. Logo pensei que o cara estivesse tirando onda com a minha cara mas resolvi seguir o seu conselho: entrei no site indicado e descobri uma banda que leva sua música muito a sério mas, em contrapartida, não se leva nada a sério. Além de tomar contato com uma música instrumental de altíssima qualidade e riquíssima complexidade, percebi que estes três excelentes músicos canadenses transpiram humor, seja naqueles vídeos (sim, foram mesmo criados por eles) ou permeando todo este seu, por enquanto e já há 7 anos, filho único de mãe solteira. Mas o melhor ainda estava por vir: o disco se encontrava totalmente disponível di grátis, faixa por faixa. Que felicidade!
Por sinal, a história por trás deste disco é um tanto curiosa: músicos já bem experientes e há muito trabalhando juntos, em 2002 ganharam, em uma dessas batalhas de bandas, o suficiente para gravação e prensagem de 2000 cópias de seu trabalho. Como dois anos antes haviam concluído um CD demo, optaram por fazer alguns poucos ajustes e lançar aquele mesmo material. Talvez quisessem guardar uma boa grana para umas cervejas. Mas, é claro, lá como aqui, música instrumental é sempre o patinho feio e, apesar do respeito que gozam nos mercados canadense e europeu, nada mudou. Ou seja, continuam atarefadíssimos com seus trabalhos como produtores, videomakers e session men e, nos poucos intervalos, tentam acelerar a gestação de um temporão para este '...Unsolicited Material', uma obra excelentemente conduzida e, apesar de ser apenas uma demo que provavelmente sofreu alguns delays em sua gravação, facilmente perceptíveis nas diferenças de equalização e timbragem das faixas, o capricho é visível nos temas intrincados, extremamente criativos e, repito, recheados de humor, que receberiam a total aprovação de Mestre Zappa, uma claríssima influência para a banda. Percebe-se esta ascendência até mesmo na -apenas a princípio, inapropriada- inclusão de 3 faixas vocais onde, assim como Zappa, que costumava brincar com as diferentes faces do pop -doo-wop estava entre os gêneros mais explorados pelo mestre-, invocam o pior e o menos pior do espírito oitentista. E estas divertidas faixas são tão bem ambientadas que tivessem sido lançadas no miolo dos 80, 'House Of David' (uma -boa, por sinal- baladona típica da época e com uma linha de baixo muito interessante), 'Innocent' (um dos melhores AOR que já escutei e que já se tornou um clássico da Rádio G&B-420MHz) e 'I Wanna Play' (este synth pop chega a ser hilário de tão ridículo mas resista a pulá-lo para não perder o escracho final) teriam sido hits absolutos. O disco é tão bom que até o solo de bateria ('Playing With Myself'), que não costuma me conquistar salvo naquelas clássicas exceções que todos conhecemos, é arrasador. E o surpreendente prelúdio brilhantemente composto e executado por Swann? E o que dizer da faixa final que....não....mais não digo, baixem e confiram.
Como afirmei, todo este material é resultado de muito tempo de labuta em épocas e condições diferentes. Sendo assim, resolvi remasterizá-lo apenas para conferir maior unidade de timbres, imprimir peso e normalizar o volume; no entanto, o que parecia ser fácil foi me envolvendo -em muito devido ao meu doentio preciosismo- de uma determinada maneira que sua conclusão levou o dobro do tempo estimado. Mas valeu a pena e acho que vocês acharão o mesmo.

Pete Swann

Christ Robertson

Michael Thorne