Atualização em dose dupla (ou seria quádrupla, visto que ambos os álbuns são duplos?) da discog da ruivinha canadense que abalou a cena blues rock com seus drives matadores e apresentações comparáveis à força de um vulcão. E se 'Gemini' é, com certa folga -e em muito por abraçar o conceito de um lado dedicado à sua faceta mais raiz, enquanto o outro privilegia seus momentos mais bombásticos- seu melhor trabalho em estúdio, 'Retrospective Tour2019', seu 3º ao vivo (e também duplo, como os demais) é uma justa celebração a este importante momento na carreira de Layla Zoe e comparável, em performance e impacto, ao fantástico 'Spirit Of 76'.
Desta forma, só me resta recomendar que deleitem-se ou incendeiem-se com a melhor blues woman desconhecida da atualidade...ao menos, até o lançamento de 'Nowhere Left To Go', inicialmente prometido para ainda este ano.
Jack Broadbent vem sendo constantemente saudado como nova sensação do slide guitar. Exageros à parte, seu trabalho obteve merecido destaque mais por uma carreira gerida como um busker - um dos termos em inglês para designar artista de rua- que, talvez, por acrescentar novidades técnicas e/ou estilísticas ao gênero. Suas peformances incendiárias em ambientes públicos ao redor do planeta, geralmente só mas eventualmente acompanhado por seu pai baixista, acumulam milhões de visualizações no Youtube, que ele magistralmente utiliza como principal ferramenta de marketing há mais de 15 anos. Em paralelo, com o dinheiro arrecadado nas ruas, este britânico natural de Lincolnshire, de recém-completados 30 anos, vem lançando EPs e álbuns, sempre registrados em turnês e valendo-se apenas de um poderoso mini-gravador Zoom H4n, tendo como 'estúdio' quartos de hotéis, lanchonetes, becos, etc
É claro que, com o sucesso de suas bombásticas apresentações públicas, não tardaram a surgir convites para apresentações formais, a princípio em pequenos espaços mas logo abrindo para nomes do quilate de Lynyrd Skynyrd, Tony Joe White e Robben Ford e, posteriormente, em incessantes turnês mundias e o roteiro de festivais europeus, incluindo apresentações consagradas em Montreux.
Nesta postagem, trago 4 dos 5 trabalhos lançados por Broadbent, onde ele nos brinda com um mix envenenado de folk/roots/blues -autorais e standards- emoldurados por uma tão bela e vigorosa quanto suja técnica de slide, em que costuma substituir o tradicional bottleneck por um cantil de bolso. Ficou de fora apenas seu primeiro trabalho, e único registrado com algo próximo de uma banda completa, 'Public Announcement', de 2011, infelizmente muito difícil de encontrar boiando na rede. Talvez por ser o único lançado por uma gravadora, já que todos os demais foram lançados por selo próprio. Jack Broadbent é um belo exemplo de músico que deu certo sendo completamente dono de sua carreira. Uma carreira com a qual todo artista de verdade sonha: sem concessões e, ainda assim, com bom retorno do público e, por que não?, lucrativa.