Formada por 2 ex-integrantes, John Du Cann (guitarras/cello/vocal) e Paul Hammond (bateria/percussão), da cultuada Atomic Rooster, a londrina Hard Stuff contou ainda com o soberbo ex-baixista/vocalista da Quatermass, John Gustafson, e o excelente timbre vocal do ilustre desconhecido Al Shaw em seu line-up inicial. Valendo-se do prestígio profissional e formação eclética de seus integrantes, capazes de executar do mais cru rock'n'roll ao mais intrincado prog rock com singular sensibilidade, logo conseguiram um contrato com a recém-criada Purple Records de Blackmore-Gillan-Lord-Glover-Paice. Mas nada seria tão fácil, a começar pela escolha de um nome para a banda, inicialmente, Daemon e posteriormente, Bullet, este último abandonado mesmo após o lançamento do primeiro single devido à existência de uma homônima banda norte-americana, e, por fim, a alcunha com a qual tornaram-se conhecidos e que muito bem definia esta e outras turbulentas atribuições que envolvem a manutenção de uma banda.
Mas as intempéries estavam apenas começando. Com o primeiro trabalho -'Bulletproof', de 72- finalizado e prestes a ser lançado, Shaw resolve pedir as contas e sequer encontra-se citado nos créditos. Com uma bela força dos padrinhos púrpuras e também da Uriah Heep, que os carregou em suas turnês européias, tudo, finalmente, parecia conspirar a favor.
E foi com este espírito que entraram em estúdio no ano seguinte para registrar o (desculpem-me pelo trocadilho) demencial 'Bolex Dementia' -agora com Gustafson e Du Cann dividindo os vocais-, fartamente recheado com todos os ingredientes para transformar a Hard Stuff em uma banda de insuspeito sucesso entre os mais antenados. No entanto, um grave acidente de carro envolvendo Du Cann e Hammond inviabilizaria quaisquer pretensões neste sentido.
Mais uma bela banda a engrossar as estatísticas das pérolas perdidas do período mais fértil da música em todos os tempos.



