segunda-feira, 31 de março de 2014

MOUNT CARMEL-GET PURE (2014)

2014 chegou rasgando, com uma sequência incrível de excelentes lançamentos, dentre os quais alguns por bandas prediletas da casa. E a Mount Carmel está entre estas. E seu 'Get Pure', recém-saído do forno, é um passo à frente na discografia deste power trio natural de Columbus, não só pela costumeira altíssima qualidade das composições, sempre privilegiando o belo arsenal de riffs e a voz cada vez mais sanguínea de seu líder, Matt Reed, como pela produção exemplar, que vestiu cada tema com peso na medida certa, texturas as mais variadas e arrancou de cada músico performances arrebatadoras. De seu início, com a acelerada e poderosíssima 'Gold', ao hardão clássico de 'Yeah You Mama', 'Get Pure' prova-se contagiante e, muitas vezes, surpreendente, mesmo para quem, como eu, nunca duvidou da capacidade da banda de cumprir a dificílima tarefa de agregar novos elementos ao formato. Discaço! 
Gostou? Então, tem mais Mount Carmel aqui.


segunda-feira, 24 de março de 2014

NORTHWIND / G&B Remasters

Já há algum tempo desejava disponibilizar a discog desta boa banda de heavy prog de Detroit, não apenas pelo inusitado do gênero ter pouca (ou nenhuma) representatividade em motor city mas, principalmente, pela qualidade de seus registros, todos private pressing independentes. Criada em 1968 pelo vocalista, guitarrista, baixista Roland Ernest, o tecladista e vocalista Jan Stepka e com Steve White nas baquetas, a Northwind conseguiu a duras penas amealhar um certo prestígio local devido à excelente qualidade de suas composições e arranjos, sempre brilhantemente defendidos por seus integrantes.
Lutando praticamente sozinhos em um cenário dividido entre o rhythm & blues nacionalmente irradiado pela Motown e o hard rock de MC5, Grand Funk e Ted Nugent, já 2 anos após sua formação conseguem boa repercussão para uma ousada opera rock, 'Looking Back'. No entanto, as coisas permaneciam um tanto sem horizonte. Resolvem, assim, reunir-se para prensar e distribuir pequena quantidade de cópias de meia dúzia de faixas razoavelmente bem registradas ao vivo na Universidade de Oakland em apenas 2 canais durante as primeiras horas de 1972. O resultado ficou posteriormente conhecido por 'Last Day At Lokun' e só recentemente viu à luz do dia via cópia em acetato disponibilizada no Bandcamp, assim como todos os demais trabalhos da banda.
Não seria exagero afirmar que o compartilhamento foi o responsável pela aura cult amealhada pela banda. E o trabalho que conseguiu tal façanha, apesar mais uma vez sem um título oficial, passou a ser conhecido por 'Woods Of Zandor' e foi lançado no ano seguinte, já com Tom Iacaboni em substituição a White. Recheado de excelentes temas e impregnado de boas e sutis influências, 'Woods Of Zandor' é uma beleza de obra e, fosse adequadamente trabalhado, poderia ter encontrado melhor sorte.
Ainda sem contrato e já um tanto esgotados do sofrido trabalho de auto-produção, lançam ainda um honestíssimo canto do cisne em 1977, 'Distant Shores', antes de entregarem os pontos, vítimas do mau gerenciamento da carreira, apenas 1 ano depois e, segundo a própria banda, sem traumas. Ao menos, graças ao compartilhamento, temos a felicidade de conhecer estes belos trabalhos, mesmo que com uma boa defasagem de tempo.

(G&B Remaster)

(G&B Remaster)

(G&B Remaster)

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segunda-feira, 17 de março de 2014

LIFE-LIFE (1970 + 1972 Bonus Singles)

Sou um tanto comedido quanto ao entusiasmo compartilhado pela grande maioria dos apaixonados pela música dos 60/70 a respeito das tais pérolas perdidas deste período mágico para a cultura do século XX. Ao contrário destes, minha opinião é que grande parte destes obscuros trabalhos, muitas vezes apenas demos e private pressings, mereceu o limbo ao qual foram relegados. No entanto, alguns poucos mereceriam melhor sorte e os que julgo enquadrados nesta categoria trago - desta vez sob os auspícios de Luiz Carlos Menegon, companheiro blogueiro do Venenos do Rock - para apreciação dos amigos frequentadores deste refinado boteco brenfoetílicomusical.
E a sueca Life está entre estes momentos preciosos e pouco conhecidos da música daquela época, seja pela excelência de sua música, pela qualidade de seus músicos ou simplesmente pelas timbragens perfeitas e delicadeza da produção, moldando, assim, um rock progressivo complexo mas sem exageros e impregnado de hard rock, enxertos nada presunçosos de jazz e plenamente assoviável a um só tempo. E essas qualidades resultaram em um grau de autenticidade e, principalmente, contemporaneidade, quase inimagináveis para um trabalho com quase 45 anos de idade e conduzido por apenas 3 jovens músicos, Anders Nordh (vocais/guitarras/teclados), Paul Sundlin (vocais/baixo/violão de 12 cordas/piano) e Thomas Rydberg (bateria/percussão), da efervescente cena musical de Estocolmo que descobriram-se almas gêmeas musicais através de intermináveis jams em uma comunidade hippie do interior. 
Após a boa repercussão de um single exclusivo para o mercado sueco - com a faixa de trabalho ainda em sua língua natal, mas já contando com um dos destaques do repertório da banda, 'Living Is Loving', no lado B -, não restavam dúvidas de que havia material suficiente para um LP e, desta forma, lançaram, ainda apenas para o mercado local, o autointitulado álbum de estreia poucos meses depois. Considerado já à época um marco no rock produzido no país, veio a ideia de lançar-se mundialmente e, para tanto, regravaram todos os vocais, agora com versões em inglês para as letras originais. 
Recheado de peso em meio a envolventes arranjos de cordas, 'Life', o disco, apresenta diversos momentos de excelência a toda prova mas destacaria, além da já citada sabbathica 'Living Is Loving', 'Once Upon A Time' e a sutileza de seu naipe de cordas, a belíssima, suntuosa e quase pop 'Nobody Was There To Love Me', a heavy psych 'Many Years Ago', a sunshine pop 'Every Man' e ainda 'In The Country', single de 72, aqui como faixa bonus. 
Até o momento, a mais bela velha novidade (ou será nova velhidade?) deste ano e, seguramente, entre as melhores destes tempos cibernéticos.



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segunda-feira, 10 de março de 2014

THE SOULBREAKER COMPANY-GRACELESS(2014) + SHAMELESS(2013)

E o ano já começa muito bem, com novos trabalhos de algumas das bandas prediletaças deste humilde boteco. E para felicidade geral da nação roquenrou, todos -no mínimo!- excelentes até o momento.
Para começar a avalanche, optei pelo principal item de exportação e grande orgulho rock do País Basco, a inigualável The Soulbreaker Company. E, como de hábito, arrombam as portas de nossa percepção com muitas novidades, principalmente por conta do uso de cordas em muitos de seus arranjos. Mas não pensem que sua sonoridade tornou-se mais comportada por conta disso. Na verdade, muito pelo contrário já que outra grande novidade foi o substancial aumento do uso de fuzz no talo, antes um tanto parcimonioso e de timbragens menos rascantes e agora de fazer tweeteres cometerem suicídio. Junte a isso o tradicional uso de equipamentos absolutamente vintage, a quase ausência de overdubs e a produção crua de Liam Watson, um especialista na captação do melhor no gênero e temos um legítimo, mesmo que absolutamente diverso em proposta, sucessor da pequena joia de 4 anos atrás, 'Itaca'. E já nem preciso citar o desempenho de Jony Moreno, sempre uma grande referência.
Destaques? Difícil...mas se ao fim de 'Good Times' você não se sentir uma pessoa melhor é porque talvez lhe falte um pedaço do coração.
Impossível não enxergar em 'Graceless', desde já, um dos favoritos de um ano que ainda engatinha.

PS: Gostou? Tem mais aqui e aqui!



Aproveitando, segue a atualização da discografia da banda com o EP 'Shameless', compilação de b-sides e raridades lançada em 2013.


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THE SOULBREAKER COMPANY / Re-postagem

UAU!!!! Sei que essa singela onomatopéia é muito pouco para descrever a sensação de ouvir essa banda basca pela primeira vez mas é que, aparvalhadamente, foi a única coisa que consegui balbuciar naquele momento. E tudo por obra e graça de uma indicação do parceiro Reginaldo. Confesso que, a princípio, não levei muita fé; afinal, minhas experiências com bandas de língua espanhola, salvo raríssimas exceções geralmente delegadas às originárias da terra de Pancho Villa, não são das melhores. Mas bastou uma visita ao maispeixe de Jony Moreno (vocais), Dan Trignanes e Asier S. Breaker (guitarras), Lazyhand (Hammond/pianos/synths/harmônica), J. J. Manzaneto (baixo) e Ortiz Domingo (bateria/percussão) para uma paella acompanhada por um aromático Don Roman, para a desconfiança tornar-se obsessão e convencer-me a revirar a grande rede atrás de links vivos e com um bitrate o melhor possível de seus álbuns -'Hot Smoke & Heavy Blues'(2006) e 'The Pink Alchemist'(2008)- lançados até o momento, exemplares perfeitos da mistura de tudo de melhor que meu querido hardão setentista legou ao mundo lindamente embalado por um belo sopro de renovação e pequenos enxertos folk de sua região de origem, mais facilmente percebida na segunda bolachinha ('Elliptic Turns', faixa de abertura, causou-me quase a mesma sensação de quando ouvi 'The Mexican' da Babe Ruth pela primeira vez). Sim, eu sei que vocês estão pensando tratar-se de mais uma banda retrô-tudo e que essa coisa toda já está ficando meio que qualquer coisa mas, garanto, a The Soulbreaker Company pode surpreendê-los visto que suas influências setentistas, de tão distintas, tornam impossível determinar uma dominante. O resultado é um som muito próprio e, apesar do uso correto do  sempre bem-vindo Hammond, os destaques são diluidos entre a excelência dos hards impregnados de blues -como todo hard de verdade deve ser-, os bem engendrados arranjos e o talento de todos os músicos, a começar pelo gogó embebido em puro etanol de Moreno. Que venham muitos mais!
Um belo presente adiantado de Natal essa indicação e nada mais justo que reparti-lo com vocês que aturam este espaço brenfoetílicomusical há tanto tempo. Espero que curtam.




THE SOULBREAKER COMPANY-ITACA (2010) / Re-postagem


STOP THE PRESS!!!!
Esta é daquelas bandas que me tomaram de assalto à primeira orelhada e estava ansiosamente no aguardo de um sucessor para o fantástico 'The Pink Alchemist', já postado aqui com seu debut 'Hot Smoke & Heavy Blues'. A expectativa era muito grande devido à enorme evolução apresentada de um para outro; no entanto, surpreendeu-me um salto tão significativo na sonoridade da banda para este 'Itaca'. Na verdade, confesso ter estranhado bastante a introdução com 'It's Dirt', um symphonic hard prog que cresce muito a cada audição mas que, a princípio, me passou uma sensação do tipo "putz! bom bagarai mas se o disco todo for nessa onda, sei não...". E, para meu deleite, já na faixa seguinte, a bolachinha retoma os trilhos que me fizeram -e a muitos que a conheceram através do G&B- fiel seguidor do trabalho desta banda basca. Sim, os caras agregaram uma infinidade de novos elementos à sua sonoridade, até mesmo alguns saxes em substituição aos naipes de sopros presentes mesmo que parcimoniosamente em 'The Pink Alchemist', e ambientações spacey e doses homeopáticas de psicodelia. Mas a essência do som da The Soulbreaker Co. continua intacta, em muito devido à voz de Jony Moreno (canta muuuuuiiiito esse féladamãe!!!) e a determinação em manter, apesar de um cada vez maior rebuscamento, a crueza e espontaneidade de sua música. Desde já, candidataço-aço-aço a melhor do ano.
Posso até estar enganado, mas acho que o próximo tem tudo para ser uma obra-prima.


PS: o link foi generosamente cedido por meu broDim Maddy Lee pois, apesar da resenha já escrita, só o postaria na 2ª feira, 18.10 -mesmo assim, já passando à frente de outro aguardado lançamento- já que ainda me faltava subir o link. Diante de tamanho desprendimento por parte do proghead (brincadeirinha...amigo...amigo...) mais gente fina da rede, não consegui aguardar tanto.
Valeu, HermaNito!!!!