Sou um tanto comedido quanto ao entusiasmo compartilhado pela grande maioria dos apaixonados pela música dos 60/70 a respeito das tais pérolas perdidas deste período mágico para a cultura do século XX. Ao contrário destes, minha opinião é que grande parte destes obscuros trabalhos, muitas vezes apenas demos e private pressings, mereceu o limbo ao qual foram relegados. No entanto, alguns poucos mereceriam melhor sorte e os que julgo enquadrados nesta categoria trago - desta vez sob os auspícios de Luiz Carlos Menegon, companheiro blogueiro do Venenos do Rock - para apreciação dos amigos frequentadores deste refinado boteco brenfoetílicomusical.
E a sueca Life está entre estes momentos preciosos e pouco conhecidos da música daquela época, seja pela excelência de sua música, pela qualidade de seus músicos ou simplesmente pelas timbragens perfeitas e delicadeza da produção, moldando, assim, um rock progressivo complexo mas sem exageros e impregnado de hard rock, enxertos nada presunçosos de jazz e plenamente assoviável a um só tempo. E essas qualidades resultaram em um grau de autenticidade e, principalmente, contemporaneidade, quase inimagináveis para um trabalho com quase 45 anos de idade e conduzido por apenas 3 jovens músicos, Anders Nordh (vocais/guitarras/teclados), Paul Sundlin (vocais/baixo/violão de 12 cordas/piano) e Thomas Rydberg (bateria/percussão), da efervescente cena musical de Estocolmo que descobriram-se almas gêmeas musicais através de intermináveis jams em uma comunidade hippie do interior.
Após a boa repercussão de um single exclusivo para o mercado sueco - com a faixa de trabalho ainda em sua língua natal, mas já contando com um dos destaques do repertório da banda, 'Living Is Loving', no lado B -, não restavam dúvidas de que havia material suficiente para um LP e, desta forma, lançaram, ainda apenas para o mercado local, o autointitulado álbum de estreia poucos meses depois. Considerado já à época um marco no rock produzido no país, veio a ideia de lançar-se mundialmente e, para tanto, regravaram todos os vocais, agora com versões em inglês para as letras originais.
Recheado de peso em meio a envolventes arranjos de cordas, 'Life', o disco, apresenta diversos momentos de excelência a toda prova mas destacaria, além da já citada sabbathica 'Living Is Loving', 'Once Upon A Time' e a sutileza de seu naipe de cordas, a belíssima, suntuosa e quase pop 'Nobody Was There To Love Me', a heavy psych 'Many Years Ago', a sunshine pop 'Every Man' e ainda 'In The Country', single de 72, aqui como faixa bonus.
Até o momento, a mais bela velha novidade (ou será nova velhidade?) deste ano e, seguramente, entre as melhores destes tempos cibernéticos.
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