Uma vez mais, meu perfeccionismo não me permite dar por findo um trabalho. E desta vez estou falando da carreira de Elmer Gantry (aka Dave Terry), uma personalidade fascinante e cuja interessante carreira descortinou-se para mim nas pesquisas dedicadas a encontrar material da Stretch, objeto de postagem imediatamente anterior a esta. Assim, lá fui eu atrás da Velvet Opera, mesmo tendo um certo receio por grande parte do que convencionou-se chamar por psicodelia, mormente seja um admirador do movimento e o considere um dos mais influentes da história da música. Ocorre que, a partir de um determinado momento, toda a indústria musical passou a utilizar-se do gênero para acessar as hit parades, muitas vezes apenas inserindo uma cítara aqui, uma guitarrinha fuzzy ali e versos infantis e sem sentido aparente emoldurado por vocalizações tatibitati acolá, como se a isso se resumisse a lisergia. E nunca se vendeu tanto de Lewis Carroll e sua anti-heroína Alice. E o movimento, que partia da premissa da diversidade e liberdade de ideias e ideais, tornou-se chato, modorrento e até mesmo ridicularizado.
Mas, no meio de toda a empulhação, alguns excelentes nomes -além daqueles ícones do gênero tanto na vertente americana como na inglesa e que julgo desnecessário enumerar- vieram à tona e a Velvet Opera está entre estes. E tudo partiu das cinzas de uma banda formada por Dave Terry (vocais/guitarra), Colin Forster (guitarra), Jimmy Horrocks (teclados), John Ford (baixo/vocais) e Richard Hudson (bateria/percussão/vocais) que optou por trocar a blue eyed soul que praticavam nos clubs londrinos pela sonoridade regada a ácido que ainda engatinhava à época. Fazendo do talento autoral, do vocal estupendo e da figura carismática de Terry (agora já assumindo a persona de Elmer Gantry) seu principal alicerce -a ponto de adicionarem-no ao nome da banda-, alcançaram um relativo sucesso e angariaram admiradores, entre eles Jimmy Page que incluiu 'Flames' em diversos set lists da melhor das melhores de todos os tempos. Mas seu primeiro Lp guarda outras pepitas, como a destruidora sequência inicial com 'Intro'/'Mother Writes' e o inocente libelo banido das rádios, 'Mary Jane' (sim, o motivo foi a malfadada apologia àquela querida erva), entre outrras. Mas, como nem tudo é regado a LSD e flores nos cabelos, o fantasma das tais divergências musicais -Gantry apregoava um retorno às origens r&r/r&b, enquanto a cozinha Hudson-Ford já apontava em uma direção folk que, mais à frente, desembocaria na Strawbs- começou a assombrar os bastidores daquela ópera e...
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...Gantry e Forster resolvem seguir outros rumos. Neste momento, Hudson e Ford assumem o controle e convidam um ainda ilustre desconhecido Paul Brett e Johnny Joyce para se ocuparem das 6 e 12 cordas e modificam radicalmente a sonoridade da banda em 'Ride A Hustler's Dream'(69), agora mais folk mas ainda com algumas pitadas ácidas no tempero. Surpreendentemente, um belo disco mesmo sendo o oposto da proposta inicial da banda.
Bem, o resto da história segue o mesmo roteiro de tantas outras bandas. A diferença é que nem todas geraram frutos tão saborosos como o que ousei nomear Triplo 'S' - Strawbs, Sage e Stretch.
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