Mostrando postagens com marcador Collective Soul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Collective Soul. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

COLLECTIVE SOUL

Antes de mais nada, um aviso aos que enchem-se de urticárias à simples menção da palavra 'pop'. Sinto informar mas a sulista Collective Soul é...pop. Neste momento muitos devem estranhar esta afirmação pois já devem ter visto em vários sites sua classificação como post-grunge, indie rock e sabe-se lá o que mais. Até tem um pouco de indie na sua mistura e seu início bebeu em muito do som de Seattle mas paremos por aí, a sua essência é de uma banda pop. Tudo bem, as guitarras são sempre pesadas (em fantásticos e personalíssimos timbres) e muito bem tramadas, o vocal foi lanhado no hard e a cozinha é segura e de sonoridade cheia, mas tudo a serviço de uma música voltada a atingir as massas através de arranjos sofisticados, até mesmo com a utilização de naipes de cordas, ganchudos riffs hard e refrões pegajosos na medida certa. É o que costumo chamar de pop com cérebro, um espécime em extinção e por isso devemos devotar um certo carinho ao esbarrarmos com um exemplar pelo caminho.

E tudo começou ainda no início dos 90 com Ed Roland, cérebro e coração da banda e graduado em composição e guitarra em Berklee -aquela escola de música que costuma transformar muitos dos que lá estudam em robôs com um estilo marca registrada da instituição-, empregando-se como engenheiro de som no estúdio Reel2Reel, Atlanta, onde conhece o baixista Will Turpin, filho do patrão, e começa a cofeccionar seu 'Hints, Allegations & Things Left Unsaid' com a ajuda de músicos da região, entre os quais, além do próprio Turpin, seu irmão Dean Roland (guitarra), Ross Childress (guitarras/vocais) e Shane Evans (bateria/percussão). Este primeiro trabalho -na verdade, uma coleção de demos solo de Ed lançado de forma indulgente-, através da pegajosa e excelente faixa 'Shine', que atingiu o topo das paradas das college radios, trouxe uma inesperada notoriedade para a -agora, sim, uma- banda. A major Atlantic, percebendo o potencial de Ed & Co., larga na frente e o relança nacional e internacionalmente em '94 e a Collective Soul, agora com apoio maciço da MTV, transforma-se em estouro mundial. Com isso, uma extensa turnê tem início e cujo cume é uma bombástica apresentação no Woodstock '94.
Já no ano seguinte, lançam o álbum 'Collective Soul' -para mim, imbatível até hoje- que emplaca uma penca de grandes canções -entre elas, 'December', 'Gel', 'The World I Know' e 'Where The River Flows'- apontando para rumos muito diferentes daquele grunge inicial e já definindo a sonoridade da banda: deliciosas melodias pop rechadas de peso, riffs matadores e concisão. E tudo com muita honestidade, competência e letras de excelente qualidade. Mas surgem os primeiros problemas, incluindo rompimento com empresário, e o trabalho seguinte -'Disciplined Breakdown'- sai somente em '97 e vem carregado desta carga amarga em toda a arte gráfica e em mais uma coleção de grandes canções como 'Listen', 'Prescious Declaration', 'Forgiveness' e 'Link'.
E chegamos a 1999 e seu -para muitos- melhor trabalho, a despeito do maior uso de elementos como drum loops e synths: 'Dosage'. A bela e perturbadora capa embala uma produção primorosa para canções inspiradíssimas de Ed, como 'Heavy' (seguramente, uma das melhores da carreira da banda), 'Run' e 'Trembled For My Beloved'. Tornou-se seu álbum mais vendido, ocasionando uma enorme pressão da gravadora, que já havia repaginado seu lay out para algo bem próximo de uma banda emo (ainda um movimento -sic!- em ascenção) e, mesmo a contragosto, lançam logo a seguir 'Blender', um trabalho excessivamente dominado pela tecnologia e impregnado de uma sonoridade pop em sua pior expressão. Salvam-se em meio ao empastelamento geral, faixas como 'Why, Pt. 2' (antes que me perguntem, não conheço nenhuma parte 1), 'Vent' e uma boa releitura de 'You Speak My Language' em tributo a Mark Sandman, líder da cultuadíssima Morphine, falecido no ano anterior. E aqui, com a saída do excelente Ross Childress e o previsto rompimento com a Atlantic, termina a primeira fase da banda.
E tem início um dilema: quem chamar para a vaga de Childress, que tanto contribuiu para a formatação da sonoridade da banda com seus riffs secos geralmente em uníssono com o baixo? A solução imediata foi convocar, mesmo que a princípio de forma provisória, um músico experiente e conceituadíssimo da cena prog de Atlanta. E, assim, inicia-se a era Joel Kosche (ex-Symphony e Jovian Storm).
O próximo passo seria a criação de um selo próprio -El Music Group- para livrar-se das armadilhas de uma grande gravadora. E por este selo, lançaram 2 excelentes álbuns -'Youth'(2004) e 'Afterwords'(2007 e já com Ryan Hoyle em substituição a Evans)- que, devido às dificuldades de distribuição inerentes a um selo indie, venderam pouquíssimo e o e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r CD/DVD 'Home'(2006), onde desfilam seus maiores sucessos acompanhados de uma contagiante (e também contagiada pela banda) Atlanta Youth Symphony Orchestra. Este registro, de tão bom, conseguiu suplantar todas as deficiências de distribuição e iniciou um processo de retorno a uma major através do renomado selo holandês Roadrunner que, apesar de hoje pertencer à Warner, ainda mantém algumas características -liberdade artística, por exemplo- de um selo independente, para o lançamento de seu, e mais uma vez auto-intitulado apesar de ter recebido a alcunha de 'Rabbit', oitavo trabalho de estúdio.



*********************************


























EXTRAS








Esta postagem é dedicada ao meu irmãoSinho Maddy Lee, que há muito me pede para disponibilizar a discografia desta excelente banda da qual nos descobrimos -entre pouquíssimos, por sinal- admiradores aqui nesta terra brasilis.