segunda-feira, 29 de abril de 2013

DORIS DUKE-I'M A LOSER / THE SWAMP DOGG SESSIONS...AND MORE (1967-1971)


Doris Curry (ou Doris Willingham ou Doris Logan ou, simplesmente, Doris Duke) é um daqueles grandes mistérios da indústria musical, ou de como seus preguiçosos executivos não souberam trabalhar um dos grandes talentos da soul music, acabando por calar uma voz que tinha tudo para figurar entre as grandes de sua geração. Vocês já ouviram esta história antes, eu sei, mas poucas foram as vezes que a negligência nos privou de tanto.
Desde muito cedo acostumada a demonstrar seus dotes nos cultos dominicais da igreja da pequena Sandersville, Georgia, Doris logo passou a integrar grupos gospel profissionais e excursionar com regularidade. Diz-se que chegou a gravar inúmeras demos para a Motown enquanto alcançava um certo renome como backing vocal, chegando a trabalhar com Nina Simone em seu aclamado 'A Very Rare Evening'. Alguns singles sem sucesso com o sobrenome de seu primeiro casamento - Willingham - chegaram a ser lançados por uma gravadora sem expressão.
Por conta de seu incansável trabalho, ganhou em Jerry 'Swamp Dogg' Williams, Jr., renomado produtor ligado ao northern soul, um grande admirador, e sessões do que comumente passaria a ser conhecido por deep soul começaram a ser obsessivamente gravadas. Toneladas de emoções em letras descrevendo irremediáveis dores de cotovelo em títulos tão sugestivos quanto 'Ghost Of Myself', 'Divorce Decree', 'He's Gone' e do que viria a tornar-se sua obra mais conhecida e também primeiro single já como Doris Duke, 'To The Other Woman (I'm The Other Woman)', terminaram por fazer com que 'I'm A Loser', lançado em 1968 pelo pequeno selo Canyon Rec., fosse recheado de críticas efusivas - algumas elevando-o ao patamar de obra-prima - mas sem obter o mesmo resultado em vendas, em muito devido à pouca capacidade de distribuição. Para uma gravadora independente já recheada de dívidas, foi o golpe de misericórdia.
Mas 'Swamp Dogg'  acreditava cegamente no talento de Doris e não se conformava com o fracasso de 'I'm A Loser' e novas sessões tiveram andamento com vistas a um segundo álbum e o ano de 1971 testemunhou o lançamento - novamente por um pequeno selo, Mankind Rec. - do profético 'A Legend In Her Own Time', mais um trabalho impecável e reverenciado pela crítica mas com as tradicionais baixas vendagens normais a um selo sem representatividade.
Desiludida com o mercado, Doris dedica-se integralmente à criação de seus pequenos filhos de um novo casamento e a singles esparsos. Mas a aura cult adquirida com aqueles trabalhos levou-a ao lançamento de um álbum exclusivo para o mercado inglês - 'Woman' - em 74, agora com o sobrenome Logan emprestado de seu segundo marido. E foi este status que lhe garantiu a constante revisitação de sua obra e o resgate em CD de todas as suas gravações daquele período, reunidas pela Ace Rec. (selo Kent Soul) em 2005 e agora disponibilizadas aqui no meu, no seu, no nosso G&B.


sábado, 27 de abril de 2013

NÓÓÓSSINHOOORA...


ESPERANZA SPALDING

Muito talento e sensualidade. Como se não bastasse, também profunda conhecedora de nossa música. 
Essa neguinha é tudibão!







segunda-feira, 22 de abril de 2013

GOODBYE JUNE-NOR THE WILD MUSIC FLOW (2012)

Pode uma banda ser formada a partir de uma tragédia familiar? Sim, e a Goodbye June é a prova disso, tanto que seu próprio nome serve para lembrá-los a todos daquele duro momento em junho de 2005 que uniu o guitarrista Tyler Baker - cujo irmão recém liberado do exército falecera em um acidente de carro - a seus primos Brandon Qualkenbush e Landon Milbourn, que haviam atravessado o país com seus pais para as cerimônias fúnebres e resolveram ficar um tanto mais de tempo, multi-instrumentistas e vocalistas de talento inegável. 
Aproveitando-se do bom espaço do porão de Tyler, passaram a reunir-se com frequência para compor e ensaiar. Sendo a família extremamente religiosa e todos apresentando sólida formação musical, seria natural a influência da temática em sua sonoridade mas Landon, Tyler e Brandon mostram, já em sua estreia, estarem muito acima deste fisiologismo. Do blues ao hard rock e àquele cheiro country/southern que todo nativo do meio-oeste exala, tudo serve ao caldeirão da Goodbye June. Nem mesmo pitadas de alt country e ganchos típicos da música pop escapam.
Longos 3 anos após aquele verão de 2005 e com um punhado de canções nas mãos, resolvem produzir uma demo em um pequeno estúdio de jingles e spots publicitários que serviu para o agendamento de diversas datas pela região, cumpridas a bordo de uma van caindo aos pedaços e da qual retornaram com muitas histórias e, o mais importante, definitivamente inseridos no mapa musical.


Em 2009 resolvem sentar praça em Nashville e participar da forte cena country rock da cidade, chamando a atenção do veterano produtor John Smith, que se oferece para produzir algumas canções. Cada vez mais impressionado com o talento daqueles primos - Landon e Brandon dominam diversos instrumentos de corda, teclados, bateria e ainda tecem belas harmonias vocais e Tyler demonstra muita personalidade na guitarra -, Smith termina por produzir todo o álbum e 'Nor The Wild Music Flow' é lançado por um pequeno selo, CVR. O inesperado sucesso de 'Microscope', em muito devido à repercussão de seu charmoso vídeo que os levou a licenciar a faixa para uso em diversos canais de TV, desencadeou um processo que culminou com o lançamento de um segundo single extraído do mesmo álbum, 'Out Of Your Mind', e até a uma surpreendente versão para 'Skyfall' (belíssimo e oscarizado tema da última aventura de 007, originalmente escrito e interpretado por Adele).
As últimas notícias dão conta de que encontram-se em estúdio trabalhando no sucessor de 'Nor The Wild Music Flow' para ainda este ano.


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VIDEOS
2013 SKYFALL
2013 OUT OF YOUR MIND
2013 MICROSCOPE

segunda-feira, 15 de abril de 2013

B.P. III: O COWBOY DA TELECASTER CASHMERE ESTÁ DE VOLTA

Um novo lançamento do maior guitarrista country de todos os tempos é sempre aguardado com grande expectativa. É, via de regra, sinônimo de muita diversão e competência e este 'Wheelhouse' não fica atrás, apesar de algumas apelações mercadológicas, como a insistência em inserir o rap de LL Cool J em 'Accidental Racist', uma bela e engajada balada. No geral, o disco funciona muito bem mas Paisley já mostra sinais de cansaço da própria fórmula desenvolvida por ele, cada vez mais impregnada de southern rock, gênero primo-irmão do country e que passou a explorar com mais profundidade a partir de 'American Saturday Night', quando imprimiu um tanto mais de sujeira ao seu timbre. Continuam presentes os tradicionais sketchies humorístico-musicais, algumas belas baladas, versões surpreendentes para standards do country ('Yankee Doodle Dixie' está linda), bluegrasses instrumentais arrasadores e alguns dos country rocks mais invocados que sua Telecaster já cuspiu, como 'Runaway Train', 'Southern Comfort Zone' e 'Outstanding In Our Field'. E é nestes momentos, quando as qualidades intrínsecas das canções predominam sobre a necessidade de se reinventar - uma característica que todo artista carrega e que deve ser alimentada sem exageros -, que Brad Paisley se mostra mais efetivo.
Em resumo, um bom disco como qualquer outro já lançado por este mago da guitarra country, mas um tanto desinspirado quando comparado a 'Play' e 'American Saturday Night', só para citar alguns de seus mais recentes trabalhos. Aqui, para os interessados, em sua versão De Luxe, com um total de 21 faixas.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

CHARLES BRADLEY-VICTIM OF LOVE (2013)

E o negão revelação, quando já um sexagenário, do soul/funky old school está de volta. E demonstrando que todas as loas dirigidas ao seu trabalho de estreia, 'No Time For Dreaming' de 2 anos antes, não foram em vão. Novamente amparado no groove pesado da Menahan Street Band e na produção exemplar de seu líder Thomas Brenneck, Bradley (também conhecido pela alcunha de 'Screaming Eagle Of Soul') registrou 11 petardos irrepreensíveis seguindo à risca todos os mandamentos black. E isto significa que dança e atitude convivem harmoniosamente em faixas como 'Strictly Reserved For You' (primeiro single), 'Love Bug Blues' (minha predileta no quesito 'sacolejo'), 'You Put The Flame On It' e o psychedelic soul de 'Confusion' ao mesmo tempo em que dilascera de forma irremediável seu coração em lindas baladas soul da estatura de 'Through The Storm', 'Crying In The Chapel' e 'Let Love Stand A Chance'. E ainda sobrou espaço para o brilho instrumental da delicada 'Dusty Blue'.
Um passo à frente na flagrante amargura de sua estreia, 'Victim Of Love' é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes lançamentos de 2013.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

DIRTY NAMES-DOUBLE YOUR PLEASURE (2012)

Seu negócio é roquenrou? E quanto mais cafajeste a temática e sujas as guitarras, melhor? Então você vai adorar estes quatro amigos de longa data de Annapolis, MD, e o permanente clima de sexo e drogas e mais sexo e mais drogas de sua música. Formada a partir da amizade ainda dos tempos de calças curtas entre o baterista Matt Rose e o baixista Sam Wetterau, também a cozinha de algumas bandas heavy metal da região, a The Names (primeiro nome para a banda e abandonado quando da descoberta de uma homônima belga) encontrou sua identidade quando da entrada do calouro recém-chegado à cidade, o carismático vocalista, guitarrista e baixista Harrison Cofer. Com esta formação ganharam alguns festivais de colégio e conseguiram alguma reputação. Da transferência, devido a motivos disciplinares, de Cofer para outra escola, surge o elemento que faltava para dar a liga no som da agora Dirty Names: a guitarra stoneana de Kit Whitacre.
Com uma audiência cada vez mais fiel, era chegada a hora da gravação de um EP e assim nasceu, em um porão, 'Rock And Roll Mind Control', em 2011, com 5 das faixas mais ensandecidas do repertório orgiástico da banda, incluindo a grudenta 'Salt Water Jackie' e seu premiado clipe.
E o burburinho em torno das apresentações cada vez mais concorridas deu à banda escopo para um novo EP para fixar a imagem e 2012 surgiu com 'Sweat Box' mantendo a estética pub rock anterior e deixando claro que este é o momento da Dirty Names, uma banda nos cascos, pronta para pegar sua fatia do mercado em definitivo, com 'Puppy Love' seguindo a trilha de 'Salt Water Jackie' e fazendo bonito entre os mais antenados.
Em finais de 2012, optam por juntar o conteúdo dos 2 EPs, acrescentar uma nova faixa, a potente 'I Get By', e relançá-los com o sugestivo título de 'Double Your Pleasure'. Na versão disponibilizada aqui no meu, no seu, no nosso G&B, acrescentei ainda a esquecida, e nem por isso inferior às demais, 'Shepherd Man' como bonus.

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VIDEOS