É, 2011 está se confirmando como um ano de grandes discos. Afinal, um ano com um novo trabalho de Robbie Robertson após 13 longos invernos de uma sentida ausência, não pode ser ruim. E desta vez com um retorno às suas raízes musicais -e não mais um processo de descoberta de origens como no premiadíssimo 'Music Of The Native Americans' (1994) e sua versão quase remix em 'Contact From The Underworld Of A Red Boy' (1998)- em composições emolduradas por arranjos minimalistas e produção enxuta. E com isso não quero dizer desleixada, até porque uma cozinha com Pino Palladino e Ian Thomas é um luxo. Em 'How To Become Clairvoyant' o classudo caipira mezzo judeu/mezzo mohawk cercou-se de antigos amigos -Eric Clapton, que contribuiu e tocou em 2 parcerias facilmente identificáveis e 1 surpreendente tema instrumental, e Stevie Winwood- e alguns novos, e outros nem tanto, valores -Angela McCluskey, Trent Reznor, Rocco Deluca, Robert Randolph e Tom Morello- para, com seu timbre característico e de limitado alcance, recriar com elementos contemporâneos e recorrendo ao mais profundo de suas memórias o que o fez escolher por carreira muitas vezes tão ingrata. E com estes elementos não seria necessário um vidente para saber que daí sairia um belo álbum.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
sexta-feira, 6 de abril de 2007
ROBBIE ROBERTSON
Então, pulemos para o período pós-Band.
Após a dissolução extremamente amistosa, em um dos raros casos no showbizz em que uma separação não destrói anos de amizade, Robbie Robertson não ficou parado mas demorou anos a lançar um ansiosamente aguardado álbum solo.
Durante este período de 'ressaca', firmou uma sólida amizade com Martin Scorcese que começou ainda durante o projeto 'The Last Waltz'. Aí, sacuméquié...dois caras ricos, jovens e descasados que resolvem botar pra foder vivendo os idílicos finais dos 70/início dos 80. E o bicho pegou. O importante é que, ao final, tudo deu certo e até mesmo esse processo acabou sendo proveitoso.
Mas, e um disco solo? Não rola?
Demorou mas, em 87, co-produzido por Daniel Lanois e com o auxílio luxuoso de U2, Peter Gabriel, Ivan Neville, Tony Levin, The Bo Deans, Cassandra Wilson, Abe Laboriel, Manu Katché, e até mesmo de membros do The Band, finalmente é lançado o primogênito. Valeu a pena esperar!
Após um saudabilíssimo susto inicial, pois pouco do estilo moldado por ele e seus parceiros para o The Band transparece aqui, o resultado é não conseguir retirar o álbum do player. E, mesmo conseguindo, como extirpar da cabeça canções como 'Fallen Angel' e 'Broken Arrow'(clássicas!), 'Testimony', 'Showdown At Big Sky'...tudo? E não é que o álbum foi um sucesso, abocanhando diversos prêmios!?
Segue-se mais um hiato na gravação de um novo trabalho mas, dessa vez, Robertson não está parado. Começa a trabalhar com trilhas sonoras, apresentações não faltam e participações em álbuns de amigos são constantes.
Em 91, é lançado 'Storyville', um bom disco seguindo a mesma fórmula de seu predescessor.
Neste ponto, ao mesmo tempo em que entra de cabeça nas trilhas sonoras -principalmente para filmes de Scorcese- ocorre uma mudança radical em sua vida.
É quando Robertson resolve dissecar suas raízes indígenas. Paralelamente, resolve agregar a esse processo de redescoberta todo um ambicioso projeto audiovisual. Nasce, assim, 'Music For The Native Americans'(94) - o disco e o filme. Se começar a enumerar os prêmios que esse projeto ganhou, não saio deste teclado hoje. O cd é de beleza e honestidade ímpares. E extremamente contemporâneo! Se a ruptura com o estilo The Band já era flagrante desde seu primeiro trabalho, neste aqui é levada ao extremo. Mas uma característica se mantém intacta: integridade.
E essa integridade salta aos olhos, ouvidos e mente quando se assiste ao filme. Tive este privilégio há uns 6 anos pelo canal GNT e, além de belíssimo, é -Robertson deixa isto claro, em determinada passagem- um pedido de desculpas ao povo indígena por ter passado tanto tempo renegando, mesmo que involuntáriamente, sua origem.
Em 98 lança ainda 'Contact From The Underworld Of Redboy', uma continuação de seu premiadíssimo trabalho anterior, agora com produção de Howie B., o que significa um pouco mais de eletrônica na salada mas, sempre, muito bem azeitada.
Gallera, sei que sou meio suspeito por ser fã roxo de The Band, mas Robbie Robertson é fundamental.
Pra Apertar E Acender Agora:
Robbie Robertson
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