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terça-feira, 26 de maio de 2009

THE WIZARDS FROM KANSAS

Considero que todos concordamos que uma das melhores coisas que podem acontecer a nós, bravos e indômitos Caçadores de Links Perdidos, após já termos praticamente digitalizado todos nossos adorados Lps, é nos depararmos com algo que, além de nos ser absolutamente desconhecido, deixe-nos surpresos e extasiados. Nestes momentos parece que somos invadidos por uma onda de adrenalina que nos dá uma sensação de euforia incompreensivel a pobres mortais. No meu caso -feliz ou infelizmente, não sei dizer- isto não ocorre com muita frequência já que, além de ter vivido plenamente (mas nem tanto como gostaria) o período mais fértil da música em geral e do rock em particular e ter conhecido bem muito do que foi lançado naqueles anos incríveis, considero a enorme maioria do que se nos é apresentado hoje pela rede -desculpem-me voltar a insistir neste ponto- como 'elos perdidos do rock' (estou utilizando o gênero só pro forma) merecedor do ostracismo a que foi relegado. Com certeza grande parcela dos parceiros -e o All Music- não concordará comigo, mas tudo bem. De qualquer forma, é tomando por base esta minha ótica muito particular que apresento uma 'velha novidade' que descobri, através do velho e (quase) sempre infalível truque índio de se deixar levar por um produto adornado por uma bela capa, há apenas uns 6 meses em um blog gringo hoje já detonado e que me deixou bastante entusiasmado: The Wizards From Kansas.
Um dos critérios (não o único) que utilizo para determinar o que realmente me deve ser considerado relevante é que, ainda hoje, me soe (e a ouvidos mais jovens também) atual, cheio de viço. E esta banda, formada pelos ilustres 'quem?' Robert Manson Crain (vocais/violões de 12 cordas), John-Paul Coffin (guitarras), Harold Earl Pierce (guitarra/vocais), Robert Joseph Menadier (baixo/vocais) e Mark Evan Caplan (bateria/percussão) em Lawrence, Kansas, em 1969, me causou exatamente esta impressão. Não que sua música pudesse ser considerada um poço sem fundo de originalidade, longe disso; no entanto, apesar de tipicamente um fruto da psicodelia country folk (aqui ainda rolam algumas pinceladas de jazz) de finais dos '60, a excelente qualidade do material original -além de belos arranjos para improváveis covers de Buffy St. Marie ('Codine') e Judy Henske ('High Flying Bird'), por exemplo- aliado às belas harmonizações vocais, boa técnica dos músicos (com destaque para os timbres e fraseados da guitarra de Coffin) e a uma produção simples mas esmerada, salvaguardou a perenidade de sua sonoridade, muito próxima do que hoje muitas jam bands que privilegiam uma instrumentação eletro-acústica estão buscando.
E vejam como são as coisas: seu sucesso junto ao público universitário do Kansas foi tão grande que chegou a levá-los ao Fillmore East antes mesmo que houvessem lançado um disco. É claro que isso chamou a atenção de diversas gravadoras mas, ainda julgando-se imaturos para um passo tão ambicioso, resistiram o quanto puderam ao assédio e somente em 1970 gravaram este único disco pela major Mercury para, inesperadamente, perderem sua 'cozinha' para uma banda de jazz. Daí para uma morte prematura foi muito rápido pois sequer iniciaram um tour promocional. Taí...acho que mereciam mais uma chance. Será?