Andem rápido pois não sei até quando, mesmo sem citações ao nome da banda, conseguirei segurar esse post.
É que não me contive após encontrá-lo de bobeirinha lá no Lágrima Psicodélica -cortesia de Mr. Bad Guy, assim como eu, colaborador bissexto- e escutá-lo meio que descrente de que ainda pudesse render alguma coisa. Sou fãzaço da banda desde sempre e, mesmo receoso quando da primeira grande alteração em seu line-up, sua apresentação no RIR I foi, junto com o AC/DC, a melhor expressão da face rock com 'R' do festival. Ali, apesar de ainda adorar a formação clássica com Moody/Masden e posteriormente Moody/Galley, senti que havia uma esperança para Mr. Coverdale & cia.. E com, praticamente, aquela formação -John Sykes assumindo todas as guitarras- lançou um excelente álbum, apesar da regravação de 'Crying In The Rain', onde a pretendida renovação na proposta -embora desnecessária para alguns de seus fãs e com os quais faço coro- não soou como um pecado mortal, muito pelo contrário. Mas os temores de dias piores se tornaram realidade quando, sei lá por que cargas d'água, uma das grandes divas do rock resolve mudar tudo e convoca para as seis cordas dois dos guitarristas mais ególatras do estilo 'quanto mais rápido melhor', o que altera por completo a sonoridade da banda levando-a para um pretenso heavy metal. Sim, pretenso por que heavy com letras versando sobre dor-de-cotovelo é, no mínimo, ridículo. Será que David estava tentando criar o emo metal?. Isso sem levarmos em consideração a falta de habilidade dos guitarristas na criação de riffs, as composições em geral muito fracas e a incrível falta de capacidade da dupla Vai/Vandenberg em trabalhar dinâmicas e solar com um mínimo de sensibilidade. E acho que nem preciso dizer que um dos gogós brancos mais negros do rock não combina com o gênero.
Bem, após um longo período de inatividade, eis que a cobra branca volta a fumar e -com o excelente Doug Aldrich, ex-Bad Moon Rising e mais uma porrada de bandas, em uma das guitarras e como parceiro autoral- lança um álbum ao vivo e com 4 músicas inéditas ('Live In The Shadow Of The Blues') onde se delineia um renascimento em alto estilo. E, agora, com este novo álbum, as esperanças se confirmam. É um discaço do início ao fim, a despeito de uma baladinha meia-bomba em uma tentativa frustrada de repetir o êxito de 'Is This Love', e com a pegada hard/bluesy que é a marca registrada da banda sem abrir mão de um toque de renovação, desta vez na medida certa. Soa como uma extensão natural da sonoridade pretendida quando daquele show espetacular que quem viveu, viu.