Mais uma re-postagem, também de uma das mais acessadas páginas desse imenso boteco chamado G&B.
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Originalmente publicado em 22.01.11
Hoje, aos 22 dias da segunda década de um século que sequer engatinha ainda, completo 52 verões e, como é costume por aqui, quem ganha presente é a gAllera. E para turbinar este dia, o pacote virá travestido de 22ª edição dos Crássicos G&B e dedicado a uma banda com a qual tenho uma história bem interessante, quase tanto quanto sua própria história e a evolução (ou será mutação?) de sua sonoridade.
Há uns 6 ou 7 anos, em um daqueles (nem sempre) divertidos almoços de família, meu irmão caçula me fez a seguinte pergunta: "Júnior (é assim que sou conhecido em família), se lembra de um disco de uma daquelas bandas que eu dizia que deveriam erguer um monumento em praça pública em sua honra porque só você comprou seus discos, chamado 'The Alchemist'?"*. E eu: "Claro...é a Home. Por quê?". E a resposta veio na lata: "Pô, você descola tanta coisa difícil pela internet, já conseguiu esse? Se sim, grava pra mim.". O pedido de um irmão caçula é quase sempre prioridade mas, neste caso específico, passou a sê-lo para mim também porque este trabalho de 1973 desta excelente banda londrina sempre esteve entre meus favoritos no prog. Mas em uma época de bandas não tão largas assim e sistemas de download hoje jurássicos, foi uma tremenda dificuldade conseguí-lo; mas após algumas semanas esbarrei em um excelente rip recheado de scans e pude presentear meu irmãozinho com uma versão em mini-LP de seu objeto de desejo e ainda matar a saudade de um trabalho primoroso de uma banda recheada de craques em seus instrumentos. A começar pela soberba dupla de guitarras formada por Mick Stubbs, que ainda se incumbia dos excelentes vocais, e Laurie Wisefield -sim, aquela fera de fraseados certeiros, estupendos arpeggios e surpreendentes harmonias que posteriormente viria a substituir Ted Turner na Wishbone Ash-, passar pelos teclados sinfônicos de Jimmy Anderson e desembocar na cozinha comandada por Mick Cook e Cliff Williams -aqui, mostrando um pouco mais do que em seu emprego posterior na banda dos irmãos Young. Mas este talento pouco valeria se não houvesse material com a mesma qualidade a ser trabalhado e, por este ângulo, 'The Alchemist' -um álbum conceitual baseado na novela 'Dawn Of Magic' de Louis Pauwels- é um manancial de belas composições perfeitamente emolduradas por arranjos em muito beneficiados pela diversidade de formação de seus integrantes, levando alguns a classificá-lo exageradamente como country prog.
Bem, neste ponto deveria estar finda a resenha mas agora vem a segunda parte de minha história com esta banda. É que, há alguns meses, comecei a tropeçar em links para um álbum chamado 'Pause For A Hoarse Horse'(1971) de uma banda de mesmo nome (bem, Home não é exatamente um nome assim tão original, certo?) mas frequentemente classificada como country rock com pitadas de psicodelia e blues. É claro que, a princípio, pensei tratar-se de outra banda, mas bastou uma googada rápida para descobrir que aquela obscura banda que julguei ser apenas mais uma das inúmeras de um só disco tão comuns nos seventies era a mesma que, antes, já havia lançado 2 discos de estúdio -o já citado 'Pause For...' e um auto-intitulado em 72- e, recentemente, havia despejado um 'Live BBC Sessions' com parte do material gravado quando do lançamento de seu segundo álbum e ainda uma versão alive de 'The Alchemist' na íntegra.
De primeira, comecei a audição daquele desconhecido, para mim, debut e -incrível!!!- a cada faixa mais me encantava aquela sonoridade tão distante e, a um só tempo, tão próxima de como os conheci 2 discos adiante. Não...em nenhum momento 'Pause For A Hoarse Horse' passou-me a sensação de ser apenas o primeiro passo de uma banda em busca de uma identidade; longe disso, apesar de não ser um álbum conceitual, esta estreia me deixou uma sensação de maturidade e unidade difíceis de serem reconhecidas em um primeiro trabalho. Na verdade, em uma segunda orelhada consegui perceber que todos os elementos básicos que apreciava naquele trabalho responsável por me introduzir à banda -as intrincadas tramas de guitarra e as quase sublimes harmonizações vocais, só para citar algumas- já se faziam presentes 2 anos antes. Mas as diferenças é que fazem deste primeirão um novo velho 'crássico' para mim, a começar por uma presença infinitamente maior das guitarras -aqui bem mais cheias do já alardeado tempero country- e a predominância do formato canção em arranjos tão concisos quanto complexos. Em pouco tempo, músicas como 'Tramp', 'How Would It Feel', 'In My Time', 'Mother' e a estupenda faixa-título não desgrudarão de seus neurônios.
Em 1972 desovam um álbum auto-intitulado que, agora sim, pode-se dizer que julgá-lo como pouco inspirado -apesar de excelentes momentos em 'Dreamer', 'Rise Up' e a suite 'My Lady Of The Birds'- ou classificá-lo como típico trabalho de transição, não seria incorreto. Mas, ainda assim, um disco que desce bem redondinho.
Lançaram ainda 'Live BBC Sessions', impressionando pela competência da banda em reproduzir com perfeição seus trabalhos fora da zona de conforto proporcionada pelos estúdios, com seus integrantes demonstrando total domínio na execução de seus instrumentos.
E pensar que conheci 3/4 dos trabalhos da Home com um hiato de, aproximadamente, 37 anos. E tudo graças à grande rede.
Lançaram ainda 'Live BBC Sessions', impressionando pela competência da banda em reproduzir com perfeição seus trabalhos fora da zona de conforto proporcionada pelos estúdios, com seus integrantes demonstrando total domínio na execução de seus instrumentos.
E pensar que conheci 3/4 dos trabalhos da Home com um hiato de, aproximadamente, 37 anos. E tudo graças à grande rede.
Santa Internet, Batman!!!
* Algumas das bandas a que meu irmão se referia, todas ainda no berço: Queen, Be-Bop DeLuxe, Esperanto, Dire Straits, Bad Company, Gentle Giant, Kool & The Gang, Earth Wind & Fire, Supertramp e mais algumas dezenas neste mesmo nível. Das duas, uma: ou sou um visionário ou meu irmão nunca entendeu nada de música. Aposto na segunda hipótese.
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