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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

KEZIAH JONES


Continuando minha saga pela black music que tanto amo - atualmente em um conflito interno com o prog rock, outra grande paixão, devido ao excelente festival dedicado a este gênero rolando a pleno vapor aqui em Hell de Janeura -, proponho agora um choque de contemporaneidade com o groove endiabrado e único do nigeriano multimidia Olufemi Sanyaolu, vulgarmente conhecido por Keziah Jones, e seu blufunk, um mix do blues em sua forma mais pura, o funk em seu estado mais selvagem e a cultura musical yoruba de sua Lagos natal, sempre muito bem costurado por uma técnica de mão direita ao violão emprestada do slap, tão comum entre fraseados de baixo do soul/funk
Filho de um abastado industrial, aos 8 anos Jones foi enviado para Londres para que tivesse um estudo de primeira qualidade e, no futuro, assumisse os negócios da família. Não tardou muito e aquele garoto franzino esbarrou com um velho piano e o encanto materializou-se em melodias jorrando de suas mãos; pouco depois, foi a vez de sua paixão definitiva, o violão, preferencialmente com encordoamento de nylon. Daí a tornar-se arroz de festa em jams em pubs e ser frequentemente visto em apresentações no metrô londrino, foi rápido como se furta. Fugas da polícia eram uma constante, seja pelo fato de ainda ser menor de idade como também pelas constantes denúncias de abandono do estudo.
Levando uma vida boêmia e desregrada, e cansado de tocar nas ruas, muda-se para Paris e, mesmo assim, nada aconteceu, apesar de considerar que evoluiu muito com a diversidade de estilos que encontrou no metrô de Paris, devidamente assimiladas. De volta com seu velho violão para as ruas de Londres, chama a atenção de Phill Pickett, ex-tecladista da Culture Club e agora um bem sucedido agente, que o leva para o selo indie Delabel, por onde lançaria 'Blufunk Is A Fact!', que carregava o sucesso cult 'Rhythm Is Love', e todos seus álbuns seguintes até a ruptura em 2004, após o lançamento de 'Black Orpheus', seu trabalho mais maduro. 
Segue então de violão nos ombros para a Virgin Rec., por onde lançaria apenas uma coletânea, mudando-se em seguida para a francesa Because Music, responsável pelo lançamento de 'Nigerian Wood' em 2008 e mais recentemente, 'Captain Rugged', um trabalho conceitual e totalmente gravado em sua cidade natal. Faz parte ainda do projeto, o lançamento de uma graphic novel de mesmo nome, baseada nas aventuras de um super-herói em uma devastada Lagos.
Vale muito à pena conhecer o trabalho deste talentoso negão com phisique du role para gangsta rapper mas que optou pelo melhor caminho: fazer música de verdade, mas sem necessariamente abrir mão do engajamento social e político, marca de uma de suas maiores influências, Fèla Kuti.













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