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domingo, 20 de abril de 2014

CONFRARIA DOS BLOGS: SOM MUTANTE - O TERÇO: COMPACTOS SIMPLES DA DÉCADA DE 70



Infelizmente, esta é uma postagem cujo propósito é homenagear um companheiro blogueiro de longa data que nos deixou precocemente no último dia 14. Estou falando do Comandante-em-Chefe do Som Mutante, Dead Or Alive (ou, simplesmente, Dead ou DOA, como eu costumava chamá-lo), parceiro desde que ainda colaboradores do Lágrima Psicodélica nos idos de 2006, de onde logo saí para dedicar-me exclusivamente ao Gravetos & Berlotas e ele, apenas alguns anos depois, para levar suas inflamadas ideias e bom (e eclético como o meu) gosto musical a mentes menos obtusas.
Nesta semana fui informado pelo também colega blogueiro Javanês de seu falecimento e de uma pequena homenagem sendo arquitetada que consistia de escolher uma postagem do velho lobo - ele se familiarizava bastante com este espécime canino -, levá-la para seu próprio blog e, desta forma, manter vivo o espírito libertário do DOA antes do encerramento de seu blog.
Segue, assim, minha parcela de contribuição neste singelo tributo.
Valeu, DOA!!!

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O TERÇO: COMPACTOS SIMPLES DA DÉCADA DE 70
Publicado no Som Mutante em 15.03.2010


Para aqueles que não me conhecem ou conhecem pouco, gosto de presentear aos amigos que considero e olha são em número razoável, mas muito menos do que nomes mais famosos de blogs mais antigos por aí
A vida na alcatéia não tem sido fácil, mas seria muito mais difícil não fosse a cia que vcs me fazem por aqui e sempre me preocupo com essa perseguição desenfreada imaginando qdo será minha vez; eu sei, eu sei, não adianta sofrer antes da hora mas sou assim mesmo prq faço o que faço com amor e faço porque gosto e quero.
Aí só de imaginar um qqr simplesmente apertando um botão e deletando tudo que vc fez com tanto carinho e dificuldade comparo com um assalto ou um estupro, me perdoem a analogia nua e crua mas é isso mesmo.
O post de hj decidi fazer nesses dias que estou de molho por causa da pata machucada (na realidade vai muito bem obrigado, só não posso ficar com ela muito tempo pra baixo, o que torna quase inviável fazer o que faço e ainda postar alguma coisa), e pensando e fuçando achei um monte de coisas que seriam interessantes que não havia nem notado antes que as tinha.
Também já disse que nessa toca a organização impera não?


Tem disco em cima da caverna, em baixo das fogueiras, voando por cima de árvores, enfim tudo na mais perfeita desordem; e aí depois de tudo decidido e nada resolvido aquele desocupado do Alberto da Rock Fly me avisa que encontrou com um de seus parceiros essas jóias que pra mim são raras.
Compactos simples da década de 70 e um compacto duplo idem????????

Bom com isso tudo que estava devidamente organizado e preparado (mentira viu?) foi-se e aí subi os discos juntos num só pequeno pacote como veio com suas capinhas, sem capas e até com a imagem de um dos disquinhos que são de 70, 71, 72 e 77.
Queria pedir licença aos frequentadores mais assíduos e aos não tanto pra oferecer este post à aqueles que vem quietinhos na caverna a noite e deixam seus nomes como seguidores desse blog e não dizem nada, nem nada pedem, simplesmente aparecem e ficam alí mas se tornando um quadro importante desta alcatéia do qual tenho muito orgulho.
Então pra quem como eu gosta do som do Terço, vai ser uma delícia ouvir músicas que vcs nem imaginavam ser deles ou relembrá-las ou simplesmente saber que recebi, postei, dividi com vcs numa forma de dizer:
- Muito obrigado por aqui estarem e por aqui permanecerem, me fazem muito felizes e a cada novo seguidor, ou novo amigo comentando também me sinto satisfeito prq atingi o objetivo que aprendi com o mestre Manito e que cantávamos muito no "Snegs"
"A procura, a procura da essência, o barulho aterroriza a tranca lacra o beco, sinal da paranóia"
Não, ainda não encontrei a essência, mas sei assim estar no caminho.


Na história do grupo O Terço, que originou-se em 1968, estão três bandas da década de 60 - Joint Stock Co., Hot Dog e Os Libertos, por onde iniciaram o guitarrista Sérgio Hinds, o baixista César das Mercês e o baterista Vinícius Cantuária.
O grupo Os Libertos, então formado pelos três músicos citados acima, era uma atração que agitava as domingueiras do Rio de Janeiro. A banda ainda se chamaria Santíssima Trindade.
Em 1970, César das Mercês foi substituído por Jorge Amiden. O grupo passou então a se chamar O Terço.
O conjunto é originário do Rio de Janeiro, mas depois radicou-se em São Paulo.



Os vocais sempre foram privilegiados nas canções do grupo como por exemplo na música "Tributo ao Sorriso" que fez muito sucesso, inclusive entre o público não apreciador de rock.
Sobre o significado da palavra terço, é um "fracionário que corresponde a três" ou a "terça parte de alguma coisa", inclusive a do Rosário, conjunto de contas utilizado na liturgia Católica para computar um determinado número de orações (quinze Pais-Nossos e quinze Ave-Marias).


O nome O Terço caiu como uma luva pelo menos para essa primeira formação da banda, que era a de trio (guitarra-baixo-bateria). Sérgio Hinds, perguntado de onde foi tirado o nome do grupo disse: O Terço, como trio, é o símbolo do rosário representando união. Antes do primeiro LP lançaram um compacto com a música Velhas Histórias, com a qual ganharam o festival de Juiz de Fora.

Aquela era a época do Rock Rural e do Rock Progressivo, e O Terço seguiu estas sonoridades.

Discos:

O Terço 70 - Velhas Histórias / Tributo ao Sorriso
O Terço 71 - Visitante / Adormeceu / Doze Avisos / Mero ouvinte /Trecho da Ária Extraída da Suite em Ré Maior (BACH)
O Terço 72 - Ilusão de Ótica / Tempo e o Vento
O Terço 77 - Amigos / Barco de Pedra

Enjoy!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SOFÁ IN RIO 2013

Uma vez mais com bastante atraso, o Rock In Rio pelo ângulo do melhor camarote mega-VIP do festival: o meu sofá! Sempre muito bem acompanhado de um bom scotch, o som na pressão e com a eventual companhia de meu filho. Além do imprescindível clima enfumaçado, é claro.
E o motivo do delay é o mesmo do anterior: excesso de shows que não pude conferir no momento em que foram transmitidos e que julgava imprescindíveis. Assim, passei as semanas posteriores conferindo o muito que não consegui assistir nos instantes em que foram ao ar.
Se tiverem paciência...


MANDOU MAL PARA CARALHO!!!

TRIBUTO A CAZUZA

Mas que porra foi essa que fizeram com 'O' poeta da geração 80? Tudo bem, acredito mesmo que as intenções foram as melhores, mas a impressão final foi de uma completa falta de respeito à memória não somente de Cazuza, mas também do Agenor. Mal arranjado, mal ensaiado e com os sempre indefectíveis intérpretes alheios à obra do homenageado, este tributo foi uma tremenda roubada. Nosso saudoso exagerado não merecia ser tratado como um maior abandonado. Ah, se o tempo pudesse mesmo parar...

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MANDOU MUITO MAL

SELAH SUE + MARIA RITA

Admirador das duas talentosas cantoras, esta apresentação no sempre interessante palco Sunset estava entre as que eu mais carregava de expectativas. Até mesmo pelo teor inusitado do encontro; afinal, esta é uma das características do espaço. No entanto, provou-se um fracasso retumbante, seja pelos inúmeros problemas técnicos ou pela interpretação um tanto burocrática da banda. Lamentável, pois se não o suficiente para minar o interesse de quem já mantém certa intimidade com os trabalhos da prodígio belga e de nossa pimentinha baby, uma apresentação tão pobre e desleixada pode ter afastado um público que costuma ser generoso com artistas de cunho mais intimista, mas também muito exigente com desempenhos ao vivo. E a principal prejudicada pode ter sido a loirinha, dona de um trabalho muito interessante e que deixou escapar a oportunidade de amealhar um bom número de seguidores. Para os que ainda estiverem interessados em conhecê-la, é só dar uma voada aqui.

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MANDOU MAL

GHOST B.C.

Parece que muitos aceitam bem a ideia de que Papa Emeritus II e sua trupe são divertidos e inofensivos, pouco importando a qualidade de sua música e/ou o grau de canastrice expresso em cada acorde. Não é o meu caso. Inexpressivo seria insuficiente para descrever o desempenho de seu personagem principal. Picaretagem? Sim, certamente, mas como tudo na vida - e não seria diferente no show business -, o veneno está na dose. E a Ghost B.C. ultrapassou com sobras esta dose.

BEYONCÉ

Dona de um timbre ímpar, carisma de sobra, talento lapidado com muito suor e determinação, além de uma sensualidade capaz de incendiar uma arena, é de se lamentar profundamente as rasas pretensões artísticas de Beyoncé, propositalmente dirigidas a um público de exigências limitadíssimas. E seu esforço em agradar a massa é tão insano que ela se presta a cantar baladas de estourar ligamentos de cotovelos vestida apenas com...um maiô! Além das tais meia dúzia de meias calças que dizem costumar usar. Como levar a sério isso? Só espero que ela caia na real e um dia resolva colocar sua belíssima voz a serviço de um repertório que lhe faça justiça.

FLORENCE & THE MACHINE

Juro que, pela enésima vez, tentei encontrar qualidades suficientes que me ajudassem a entender o sucesso que esta ruivinha magricela amealhou como um raio no meio indie. Indiscutível o talento da fadinha serelepe para criar canções pop ganchudas, arranjadas e executadas por uma banda de altíssimo nível. Acrescente uma grande capacidade de liderança e carisma e Florence Welch parece estar pronta para tomar o mundo de assalto; no entanto, a sua voz não ajuda. Se em disco soa monocórdica, ao vivo é incapaz de mantê-la sob afinação, conseguindo a proeza de cantar músicas inteiras absolutamente semitonadas. E, como se fora uma travessa integrante de uma companhia de teatro mambembe celta, a moça não para de quicar pelo palco um instante sequer, mesmo na balada mais sentida!, retirando-lhe um fôlego que, nitidamente, mostrava-se precioso em cada momento de sua lamentável apresentação, mesmo com o suporte de 3 (!!!) backing vocals.

ANDRE MATOS + VIPER

Aguardada reunião da clássica banda que revelou André Matos ao mundo metal, o clima foi um tanto prejudicado por uma apresentação quase toda ainda sob céu claro e, vamos combinar, nada mais anti-climático para qualquer show que luz natural. E no caso de rock em geral, e do metal em particular, o efeito broxante é muito agravado sem uma iluminação adequada. Junte a isso um aparente cansaço na voz de André e um som que não ajudava em nada na performance da banda, e temos uma apresentação com um resultado muito aquém de sua relevância. Mas, ao menos, sobrou garra e entusiasmo.

LENINE

Uma apresentação um tanto morna foi o que nos apresentou Lenine, com o mesmo espetáculo da turnê comemorativa de seus 30 anos de carreira. Com um caráter revisionista e, em muitos momentos, desconstrutivista, o último grande nome surgido em nossa MPB, ao menos enquanto esta sigla orgulhosamente significava Música Popular Brasileira e não Música Pobre Brasileira, equivocou-se ao fazer sua estreia para muitos dos ali presentes através de versões tão diversas - algumas vezes resvalando no eletrônico e no experimental - de seus arranjos originas. É bem verdade que 'Hoje Eu Quero Sair Só' puxou o coro da plateia e a qualidade da concepção do espetáculo era inegável a todos, mas acabou por tornar-se apenas uma bela proposta em dia, hora e local errados. Fosse no ambiente controlado e confortável de uma boa casa de espetáculos, a resposta, certamente, teria sido outra.
 
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MAIS DO MESMO

METALLICA

"É o Metallica de sempre!!!". Quem diria que um dia poderíamos dizer algo tão...hummmm...desdenhoso sobre as já costumeiras visitas de uma das bandas símbolo do rock que tanto amamos. Chega a ser pedante e deselegante mas a verdade é que James Hetfield e sua turma serão sempre muito bem chegados mas...é, sim, o mais puro exemplo de mais do mesmo. De diferente (e melhor) com relação à sua apresentação de dois anos antes, apenas o som um tanto mais 'sujo', mesmo que ainda muito longe daquela deliciosa crueza de seu apogeu.

GOGOL BORDELLO + LENINE

Uma apresentação desta nação anarco-punk cigana é sempre uma ode à porralouquice. Não há concessões, até porque o sucesso destes filhotes de Mano Negra e The Pogues está intimamente atrelado ao exótico e inusitado. Mas isto não impede a repetição de fórmulas, na verdade quase que uma espécie de piadas internas, e isto acaba cansando. Nem a presença do craque Lenine conseguiu diluir esta impressão.

MARKY RAMONE + MICHALE GRAVES

Ou Ramones karaokê! Agitou a galera? Bagaraaaaaaiiii!!! Mas, a mim ao menos, me passou uma certa impressão de decadência. Simpáticos...mas ainda decadentes.

ROB ZOMBIE

Um dos mais simpáticos embustes do metal escatológico. Mas, ao contrário de seus congêneres mais recentes, quase sempre divertido. Afinal, Rob Zombie respira - e faz um bom dinheiro, é verdade - o lado b do show business. Influência de muitos, ainda continua sendo único, mesmo que já uma piada um tanto velha com sua insistente ode à tosqueira.

IRON MAIDEN

Tudo o que coloquei a respeito do Metallica, vale para o Iron Maiden. A diferença é que a Donzela já faz parte de nosso imaginário, de nossa memória afetiva, de nosso folclore. Afinal, quem esteve em sua primeira apresentação em solo tupiniquim, transformou em tradição oral o relato detalhado daquela noite de 11 de janeiro de 1985. Então, embora uma expressão de enfado por vezes se apodere de nosso semblante ao simples anúncio de mais uma apresentação destes simpáticos guardiões da bandeira do NWOBHM em nosso solo, porque teríamos o direito de privar gerações do mesmo prazer que testemunhamos naquele sonho de uma noite do verão de 1985?

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MANDOU BEM

ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA

Dizer o que de nossa querida OSB? Que sempre faz um bom trabalho seja qual for o par de batutas que a comande seria muito pouco. Na verdade, a OSB já é um patrimônio nacional e o divertido medley executado na abertura oficial do evento cumpriu com maestria seu propósito e ainda levantou a plateia. E o efeito deste feedback estava flagrante na face de cada um dos componentes da orquestra. Demais!

SLAYER

Conheço o suficiente do trabalho da Slayer para afirmar que, diante das circunstâncias e do difícil momento pelo qual passa a banda, fizeram um show de muita garra e superação. Com um início irregular devido à confusa equalização dos instrumentos, demorou um pouco para que engrenassem mas, a partir da neutralização destas dificuldades, detonaram em versões arrasadoras para seus clássicos e com um Gary Holt suprindo muito bem a ausência de Jeff Hanneman, constantemente lembrado nos telões.

ALICE IN CHAINS

Tudo bem que Willian DuVall não é dotado do mesmo carisma do saudoso Layne Staley, mas o que lhe falta em personalidade, sobra em competência e gogó. E foi alimentada por estes atributos e muita coesão que a Alice In Chains, uma das bandas mais queridas daquele movimento nascido em Seattle, brindou os presentes com uma excelente apresentação, sem firulas e respeitando os fãs ao privilegiar um set list recheado de clássicos.

LIVING COLOUR + ANGELIQUE KIDJO

Músicos destacados e sempre muito queridos por quem gosta de rock de verdade, a Living Colour é sempre uma ótima pedida quando se privilegia a originalidade e o mix de propostas. Dona de uma personalidade única, fruto da versatilidade e virtuosismo de seus integrantes, é sempre indicação de honestidade à toda prova. A discreta passagem de Angelique Kidjo foi apenas uma bela cereja no bolo, não comprometeu.

THE OFFSPRING

Estava muito curioso sobre a recepção do público à The Offspring, banda outrora recorrente no dial brazuka e hoje praticamente relegada ao ostracismo radiofônico, e pela qual sempre nutri muita simpatia. E Dex Holland & Cia. não decepcionaram, mantendo a octanagem da apresentação com uma pilha de hits, muita competência na execução e com seu líder tomando a plateia nas mãos.

30 SECONDS TO MARS

Belíssima surpresa a apresentação da banda do carismático galã 'Capricho' Jared Leto. Conhecia-os já através de meu moleque e alguns excelentes clipes mas a sua música, estranhamente, nunca me provocou qualquer reação, seja de entusiasmo ou de desaprovação. No entanto, ao vivo, a 30 Seconds To Mars mostrou-se não só, com seu mix de U2, Coldplay e Muse, musicalmente interessante - destaque para o baterista Shannon, irmão de Jared -, como entusiasmou a todos com uma performance grandiosa e com seu líder arrasando, seja como cantor ou como frontman. Ao menos me deu vontade de conhecer melhor o trabalho da banda, o que farei em breve.   

AVENGED SEVENFOLD

Sob protestos indignados de meu headbanger-ex mirim, que considerou sua apresentação a melhor do Rock In Rio, mantenho esta honrosa posição para a A7X. Os pontos perdidos e responsáveis por afastá-los de uma posição melhor, apesar da performance vigorosa e musicalmente irrepreensível, deveram-se por uma atitude que parece ser uma constante da banda: um set list muito enxuto, fazendo com que sempre fiquemos com uma incômoda sensação de que ficou faltando muito material a ser tocado. Afinal, pouco mais de 1h10min de apresentação, quando sua posição no line-up lhes garantia pelo menos mais 20 minutos, é muito pouco para cobrir 13 anos de carreira.

BON JOVI

Não sou um entusiasta mas respeito a longevidade de Jon Bon Jovi e sua banda. E muito disso devido ao bom trabalho de seu braço direito, Richie Sambora, nas 6 cordas. E foi por conta disso, além da curiosidade natural em saber como se sairia como headliner em terras estrangeiras de um festival deste porte, que me propus a assistir seu espetáculo. No entanto, somente às vésperas da apresentação soube que não só Sambora como o também excelente baterista Tico Torres estariam de fora do line-up, ambos por problemas de saúde. Mas não é que, diante de tantas adversidades (foi necessário substituir Sambora por dois músicos!), o saldo foi muito positivo?! Com carisma de sobra, as escalações de última hora funcionando razoavelmente bem e uma mala recheada de grandes sucessos, apesar de uma voz já apresentando desgastes, este filho ilustre de New Jersey fez bonito. E na garra!

SEPULTURA + ZÉ RAMALHO
(ZÉPULTURA)

Ou, como ficou conhecido, o Lou Reed & Metallica que deu certo. Sim, o divertido encontro deste ícone de nossa música com o thrash de nossos maiores representantes no rock mundial, deu liga e acredito que muito ainda possa surgir daí. A boa música agradeceria muito!

TRIBUTO A RAUL SEIXAS

Tudo que foi desprezado no lamentável tributo a Cazuza, sobrou aqui. Do set list aos intérpretes convidados, passando por arranjos e a ideia de uma banda base - aqui, a Detonautas - como catalisador, tudo funcionou. Inegavelmente bons músicos, apesar do material autoral incipiente, a Detonautas (Roque Clube) surpreendeu ao chamar para si a responsabilidade de homenagear um dos maiores ídolos do rock brazuka, 'Raulzito' Santos Seixas. Em se tratando de uma verdadeira divindade, o risco de que Tico Santa Cruz e seus parceiros de banda enterrassem de vez suas carreiras eram enormes. Mas, ao contrário, tudo correu tão bem, apesar dos exageros verborrágicos de seu líder, que acredito mesmo em um novo impulso na carreira da banda. E, na boa, a interpretação de Tico para 'Ouro De Tolo' chegou a me emocionar.

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MANDOU MUITO BEM

MUSE

Velha conhecida - inclusive de palcos pois estivemos, eu e meu headbanger-(na época) mirim, na plateia de seu pocket show aqui no Vivo Rio há 5 anos -, nem por isso uma apresentação do trio Bellamy, Wolstenholme & Howard deixa de surpreender. Impecável, privilegiando seu lado mais pesado, com timbres matadores, um frontman visivelmente em noite inspirada e desempenhos irrepreensíveis de todos em seus respectivos instrumentos, a Muse deixou claro que não é mais uma melhor banda dos últimos tempos da última semana. Seu lugar no seleto panteão das grandes bandas já foi escrito há algum tempo. E esta impecável apresentação foi apenas a confirmação disto.

ALICIA KEYS

Classe, elegância, leveza, musicalidade, beleza, sensualidade e...talento de sobra. Se o conjunto destas qualidades tem algum nome, é Alicia Keys. No meu entender, essa linda mulher está entre os grandes nomes do r&b contemporâneo, mas com os pés muito bem fincados em suas origens. Como de hábito contando com uma banda afiada, Lady Keys estraçalhou, não deixando pedra sob pedra ao final de sua performance, que nem mesmo a onipresente (será o fim do reinado de Sangalo?) Maria Gadú conseguiu estragar. Tudo o que se poderia esperar de uma verdadeira artista, que respeita seu público ao privilegiar a música em sacrifício de maiôs, shorts minúsculos obstruindo as trompas de falópio, 1/2 dúzia de meias-calças e figurinos inspirados em 'Alice In Wonderland'. 

JOHN MAYER

Estava cercado de dúvidas sobre a performance deste outrora prodígio, hoje com uma carreira plenamente solidificada. Não que duvidasse da qualidade de sua performance, muito elo contrário. Conhecedor de sua obra em todas as suas facetas, de um início inspirado pelos matizes de Dave Matthews à descoberta do blues e das inúmeras possibilidades da guitarra elétrica, minha dúvida recaia sobre qual vertente escolheria para representá-lo em sua estreia para seu público em terra brasilis. Seria o pop com algum cérebro que o transformou em ídolo de adolescentes mais interessadas em seu belo rostinho de seu início de carreira? Ou seria o folk classudo com violões bem executados que revigorou radiofonicamente o estilo? Ou o blues que o fez cair nas graças de um público mais elitizado? Ou tudo ao mesmo em tempo e dividido em blocos como em seu excelente DVD 'Where The Light Is'? Nada disso. Para surpresa geral, Mayer optou por revestir pouco mais de uma dezena de seus sucessos com uma roupagem country/southern/jam e, em minha modesta opinião, foi responsável por uma das grandes apresentações desta edição do Rock In Rio.

VINTAGE TROUBLE + JESUTON

Não tinha a menor dúvida de que, fornecido um mínimo de condições, Ty Taylor e seus companheiros de banda fariam uma bela apresentação no sempre surpreendente Palco Sunset. Com simplicidade e muita simpatia, a Vintage Trouble conquistou a plateia presente, no início algumas poucas centenas aboletadas próximo ao palco para alguns milhares ao final, provando que seu rocksoul é uma das boas apostas para este ano. A meiguinha mas insossa Jesuton não comprometeu em uma das melhores músicas da banda, 'Nobody Told Me', e ainda puxou uma desajeitada mas honesta 'Mas Que Nada'. A lamentar, apenas a ausência de 'Gracefully', uma das melhores soul ballads que escuto em muitos anos, no set list.

GRACE POTTER & THE NOCTURNALS + DONAVON FRANKENREITER

No dia seguinte à sua bombástica apresentação, li em algum lugar que essa beleza loura fez um 'rock inofensivo'...e estou até hoje tentando entender o que isto significa. Grace Potter, ao contrário do que muitos possam pensar, não é uma novata. Com uma carreira caminhando firme para os 10 anos, esta lourinha, sempre escorada pelos fiéis The Nocturnals, e já com 5 álbuns de estúdio nas costas e um crescente prestígio entre seus pares, é uma grande aposta dos que ainda acreditam que sucesso e qualidade podem andar juntos. E todos que estavam presentes na noite de sua apresentação foram testemunhas disso.
De quebra, generosamente disponibilizou sua excelente banda e seus dotes nos teclados para que o bicho-grilo surfista sangue bom Donavon Frankenreiter brindasse o público com um divertido singalong de seus 3 sucessos. Mas a noite era mesmo de Potter e sua contagiante energia.

BEN HARPER + CHARLES MUSSELWHITE

Uma apresentação exuberante foi o que nos presentearam Ben Harper e o lendário septuagenário Charles Musselwhite. Era a apresentação de raiz que os Medina tanto necessitavam para aplacar um pouco a ira dos que ainda se revoltam com a característica plural da franquia Rock In Rio. Uma apresentação tão despretensiosa, espontânea e recheada de momentos sublimes proporcionados por duas gerações de músicos que partilham as mesmas raízes. E isto só o blues consegue fazer.

SEPULTURA + TAMBOURS DU BRONX

Não, não foi apenas uma reedição 'padrão FIFA' de uma das grandes surpresas do Palco Sunset de 2011. Desta vez, merecidamente, ocupando lugar de destaque no Palco Mundo, os franceses do Tambours Du Bronx e o internacional Sepultura foram, uma vez mais, um grande destaque. Incrível como o prodigioso uso dos latões amplia o universo thrash chic de Andreas Kisser & Co, além de muitíssimo eficiente plasticamente. Já um clássico na história do festival.

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 MANDOU BEM PARA CARALHO!!!

BRUCE SPRINGSTEEN & THE E STREET BAND

Confesso que após a apresentação arrasadora de John Mayer, que o precedia no último dia do festival, temi pelo sucesso da apresentação do boss Bruuuuuuuuce. Afinal, a plateia claramente entre o adolescente e o adulto jovem que predominou na apresentação de Mayer, era o resumo do que o veteraníssimo filho dileto de New Jersey encontraria pela frente. No entanto, durante o tempo em que o palco era vertiginosa mas cuidadosamente montado, o milagre da multiplicação de quarentões e cinquentões foi testemunhado por todos os presentes e, já aos primeiros acordes de 'Sociedade Alternativa' em perfeito português e com um arranjo matador, uma catarse coletiva se anunciava. O mais incrível é que ao longo das 2:40h de apresentação, percebíamos a adesão de uma faixa etária bem mais nova e visivelmente extasiada com a disposição daquele senhor de pouca estatura que conseguia a proeza de fazer a gigantesca boca de cena do Palco Mundo parecer minúscula. Entre tantos excelentes momentos proporcionados por Springsteen e sua lendária E-Street Band, talvez a melhor banda de apoio de todos os tempos no rock, a cena de um garoto aparentando pouco mais de 10 anos cantando a plenos pulmões e com muita convicção 'Waitin' On A Sunny Day' é digna de jamais sair da memória. A verdade é que há muito o Rock In Rio não nos proporcionava momentos dignos de entrar para a história como esta antológica apresentação de Bruce Springsteen & The E-Street Band. Um fecho com chave de ouro!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

É CAMPEÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!

CAMPEÃO CARIOCA 2013!!!

Desta vez não fizemos apenas barba, cabelo, bigode e pentelho!!!
Promovemos uma verdadeira depilação total a laser!!!


CAMPEÃO TAÇA GUANABARA 2013!!!
CAMPEÃO TAÇA RIO 100% 2013!!!


CHUUUUUUUUUUUUUUPPPPPAAAAAAAAA!!!!



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

TUDO QUE EU QUERIA DIZER MAS JÁ O FIZERAM MAGISTRALMENTE POR MIM


A Planta Bandida e os Piratas: Sobre o Crime e Suas Origens 

por felipedeamorim

Nas primeiras décadas do século XX, o cânhamo era uma plantação crucial da economia agrícola norte-americana. E não poderia deixar de ser. Uma das primeiras culturas a ser domesticada pelos homens, produtos feitos à base de cannabis existem há, pelos menos, uns dez milênios. Por crescer rápido, consumir pouco espaço e ser resistente às pragas, o cânhamo foi matéria-prima preferencial da humanidade durante séculos, servindo para manufaturar desde tecidos, papel e cordames, até material de construção e combustível. Junto do algodão e do milho, foi uma das plantações tradicionais da colônia norte-americana, sendo cultivado até mesmo pelo primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, e pelo terceiro, Thomas Jefferson. E não era mau negócio… dotada de uma fibra particularmente versátil, fácil de se plantar e de se beneficiar, seus custos de produção significativamente mais baixos o tornavam economicamente superior às alternativas. Das velas de navios que sustentavam o comércio marítimo que serviu de base ao crescimento da colônia norte-americana, às folhas de papel onde foram publicados os ensaios Federalistas, até os tecidos usados para vestir a população da nova nação, o débito dos Estados Unidos à plantinha insuspeita era enorme, assim como o do resto do mundo. Mas os milênios de ajuda do cânhamo para a humanidade mudariam no século XX, e não por razões completamente honestas.
Além de ser usado para fazer linho, roupas, cordas de navegação, sacos, lonas, placas de fibra, isolamento térmico, papel, além de servir como ótima cultura para revitalizar terra de plantações, o cânhamo era também consumido como remédio, dada as propriedades narcóticas do seu princípio ativo… o tetrahidrocanabinol, ou THC. Extratos de Cannabis eram vendidos em farmácias, e cigarros feitos da planta eram usados liberalmente por agricultores. O consumo de THC era regulado pela necessidade de prescrição médica, e considerado um narcótico potencialmente perigoso, mas essas medidas não eram mais restritivas que as exigências atuais para consumir outras substâncias psicoativas como Prozac ou Valium. E, de forma geral, essas restrições nem eram tanto resultado de uma preocupação com a cannabis por si, mas sim com um parente próximo da planta, o ópio, esse sim visto como uma ameaça de verdade à saúde pública (para não mencionar os interesses econômicos das potências ocidentais no oriente). Leis tornando mais duras as regras para comercialização de narcóticos durante as primeiras décadas do século XX visavam restringir o uso de opiáceos, e atingiam a cannabis como efeito colateral. E de qualquer forma, o comércio de cânhamo e seus outros subprodutos continuava bem.
Mas então, entra na história o Cidadão Kane em pessoa, William Randolph Hearst. Veja bem… apesar de servir para tudo, e crescer em qualquer lugar, o cânhamo tinha UMA fraqueza… ele era meio trabalhoso de se colher. Por isso, já no século XIX, a produção de papel de cânhamo caiu em desuso, tendo sido trocada pelo processo de produção à partir de polpa de árvores e ácido sulfúrico… que, você deve imaginar, exigia menos trabalho humano, mas era extremamente mais danoso ao meio ambiente, não só pela destruição das árvores, mas também pelo lixo químico produzido no processo. Hearst, cujo império de mídia se erguia nas costas de jornais impressos (e chantagem, concussão, notícias fantasiosas e difamação de caráter, a propósito) era compreensivelmente dono tanto de plantações de árvores para polpa, quanto de moinhos de papel… e detinha significativa faixa desse mercado. Mas até ai, tudo bem. cânhamo não era usado largamente para fazer papel, e os negócios de Hearst iam bem. Até que…
Em 1916 foi criado um descascador mecânico especificamente voltado para o cânhamo, que tornava muito mais rápido e fácil o processo de extração de fibras da planta. Seu uso foi se disseminando e, na década de 30, muita gente já se perguntava se não seria mais sensato substituir o danoso e mais caro processo de produção de papel via polpa de árvores pelo processo via fibra de cannabis. Hearst não hesitou em reagir. Nunca temeroso de publicar uma matéria escandalosamente falsa para manipular a opinião pública (ele foi o primeiro homem a ser chamado de jornalista amarelo, afinal de contas), Hearst logo começou a publicar matérias em sua cadeia de jornais, demonstrando os perigos médicos e sociais advindos do consumo da “marijuana” (nada como um termo estrangeiro para botar medo na classe media xenófoba gringa). Histórias escandalosas de delinquência juvenil (quem vai proteger nossas crianças?), violência incitada pela cannabis e danos irreversíveis aos cérebros da juventude estadounidense se seguiram com constância de metrônomo. Pouco importava se os estudos médicos da época já demonstravam que os efeitos nocivos da cannabis eram mínimos, e em certos aspectos, inexistentes. Os mitos de Hearst sobre os efeitos das drogas logo tomaram o imaginário coletivo. Filmes como “Reefer Madness” (conhecido no Brasil como “A Porta da Loucura” ou o mais legal “A Erva Maldita”) retratavam os horrores daqueles que consumiam a cannabis… Em certa cena, uma pobre jovem, sobre o efeito do vegetal do mal se entrega à euforia descontrolada causada pela droga (hein?) e começa desesperadamente a tocar piano sem parar. A sociedade estava chocada. Imagine só uma multidão de jovens descontrolados, sob os efeitos da marijuana, tocando sem parar pianos? Na faculdade, por exemplo, seria impossível ouvir uma aula sequer! Isso tinha que ser detido.
Hearst tinha causado muito barulho, mas efetivas medidas especificamente contra a cannabis ainda não existiam. Isso ia mudar em 1935, com a chegada de outro peso-pesado na história… No caso o grupo corporativo DuPont, donos da patente do processo químico de transformação de árvores em polpa e que, naquele ano, tinha desenvolvido a técnica para produção de nylon, um polímero resistente, praticamente impossível de se reciclar e que produzia o venenosíssimo cianeto de hidrogênio se queimado, sendo, portanto, muito mais nocivo à saúde que cânhamo (cuja queima, conforme verificado em grupos de controle, só produz sono, larica, papo chato e uma apreciação despropositada de reggae ruim). Ainda assim, a DuPont estava decidida a usar o nylon como o tecido do futuro, substituindo de forma completa o mais barato tecido de cânhamo. Para ajudar nesse projeto, foi convocado Harry Anslinger, conhecido proibicionista e chefe do Escritório Federal de Narcóticos dos Estados Unidos e marido da sobrinha de Andrew Mellon… o Secretário do tesouro que tinha indicado Anslinger para o cargo e, ora bolas, que puta coincidência, era dono do Mellon Bank, Gulf Oil e Alcoa, alguns dos principais parceiros comerciais da DuPont.
Como o governo dos Estados Unidos tinha laços estreitos com DuPont, que era fornecedora de explosivos e munição desde a Guerra da Independência, não foi difícil utilizar a máquina pública para atender os interesses da companhia. Anslinger logo iniciou uma campanha contra a maconha. Discursos exaltados no Congresso eram seguidos por artigos em revistas detalhando a destruição causada pela erva, tudo temperado com doses generosas de sensacionalismo e racismo. Em um artigo chamado “Marijuana: Assassino da Juventude”, Anslinger contou a história de Victor Licata, que matou a família inteira à machadadas depois de fumar unzinho. O fato que Licata era um conhecido psicótico, que a polícia já  tentara internar no passado, não era mencionado. Em outro artigo, Anslinger alertava sobre as garotas brancas nas universidades que, sob o efeito da erva, eram seduzidas por estudantes negros. “Resultado: gravidez”, concluiu Anslinger, alertando do perigo da marijuana que, pior que assassinatos, podia gerar mestiçagem. Finalmente, em 1937, o Congresso aprovou o Ato de Taxação de Marijuana, que efetivamente proibiu o consumo da droga no país… e, em uma inovação legislativa, proibiu também a produção e estoque de cânhamo, a planta da qual a droga era apenas um entre centenas de subprodutos. De um ponto de vista da saúde pública, isso faz tanto sentido quanto proibir mandioca porque a raiz pode ser usada para extrair cianeto.
O resultado disso tudo é a situação que encontramos hoje. Uma espécie inteira de vegetal, capaz de trazer inúmeros benefícios econômicos, é considerada ilegal na maior parte dos países ocidentais, em grande parte graças à pressão do governo dos Estados Unidos e sua política internacional de combate às drogas. Os prejuízos econômicos e sociais dessa criminalização, que podem ser vistos em qualquer cadeia pública ou morro do Brasil, em muito superam qualquer dano causado à saude pública pelo consumo de cannabis… Uma substância que, de acordo com repetidos estudos farmacológicos nos últimos cem anos, causa danos negligíveis à saúde, muito inferiores aos danos causados por substâncias legais como álcool e tabaco. A diferença é que não dá para fazer papel, tecido ou remédios baratos à partir de cana-de-açúcar. E é isso o que realmente foi proibido.

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Mas qual a razão principal de eu estar contando essa história? Por incrível que pareça, minha bandeira aqui não é a legalização da maconha, causa já melhor representada por gente muito mais inteligente, bem informada e articulada do que eu. O que eu desejava demonstrar é que, quando um governo possui laços estreitos com corporações industriais, as leis de um país tendem a deixar de representar necessidades do povo para se atenderem os interesses de empresas. O processo gradual de criminalização da maconha, com o sequestro da opinião pública, exposição de praça pública de “infratores” e, finalmente, ação política serve de caso exemplar, e hoje podemos vê-lo se repetir na batalha elos direitos de distribuição de informação que é travada na internet. Durante décadas, a violação de direitos autorais de artistas foi tolerada abertamente e medidas legais para coibir ou punir isso eram encontradas com total desinteresse do sistema jurídico e legislativo… ou até mesmo condescendência aberta. A luta do Lobão, na década de 90, para garantir controle maior dos royalties devidos aos artistas só lhe rendeu a fama de louco, e isso tudo porque, até aquela época, quem violava os direitos autorais, gozando de total impunidade, eram as gravadoras e distribuidoras.
O advento da internet e os protocolos de transmissão de dados tiraram o monopólio sobre a distribuição de produtos de mídia das grandes empresas, jogando-a nas mãos da multidão anônima do mundo. E, olha só mais outra coincidência, foi somente a partir daí que as leis protegendo os direitos autorais começaram a ser aplicadas, no que é, no fim das contas, uma tentativa de criminalizar a distribuição livre de dados. A morte de Aaron Swartz, semanas atrás, é um trágico exemplo desse processo. Swartz estava encarando a possibilidade de passar 35 anos na cadeia, tudo por ter tornado disponíveis dados legais e científicos, muitos dos quais já em domínio público. Em comparação, a condenação de Thomas Bray, um anestesiologista que espancou, tentou matar e estuprou por cinco horas uma garota de 23 anos em 2012, foi de 25 anos de prisão. Na mesma toada, Kim Dotcom, fundador do Megaupload, um banco digital de arquivos, foi preso em 2012 em uma operação policial que envolveu agentes armados com rifles e submetralhadoras, e helicópteros cercando sua casa. Acusado de causar 500 milhões de dólares de dano à indústria de entretenimento ao permitir compartilhamento de arquivos com direitos autorais registrados em seu site, Dotcom foi enviado à cadeia sem direito à fiança, onde permaneceu preso por um mês e meio, até finalmente ser liberado por um juiz que reconheceu como era ostensivamente ridículo manter preso um cara que fez um site, quando assassinos capturados na mesma época já gozavam de liberdade provisória. O mais intrigante? Apesar da terrível ameaça e dano representado por Dotcom, Megaupload, Fileshare e todos seus congêneres, balanços fiscais recentes revelaram que o ano de 2012 foi o mais lucrativo da indústria de cinema de Holywood. Desconfio que se está faltando dinheiro para os pobres artistas famintos, o problema deve estar em outro lugar, e não em você e no seu torrent.
A diferença crucial é que, na época da investida contra o cânhamo, a opinião pública era uma força bestializada, vítima e prisioneira das informações manipuladas por Hearst. Hoje, os mesmos meios de comunicação que me permitem baixar música e filmes, me permite também buscar informação alternativa, muitas vezes em fontes primárias por definição mais confiáveis que qualquer reportagem. Nós temos o meio de nos conscientizarmos e nos mobilizarmos contra o processo de criminalização da distribuição de dados, rebatendo as informações falsas fornecidas pelas distribuidoras e seus órgãos vassalos como o ECAD, e fazendo pressão política e social contra casos como os de Swartz e Dotcom. Não devemos ser coniventes com as tentativas das corporações de mídia de tomarem para si o sistema legislativo, e o empregarem para garantir uma sobrevida ao seus datados modelos de negócio. O futuro não pode ser impedido, mas isso não quer dizer que aqueles que ganham dinheiro com o anacronismo não vão tentar.
Publicado em: Assim Caminha a Humanidade.


 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

VAI UNZINHO AÊ?!

E já que o mundo, embora um tanto maltratado, continua girando, segue os votos do Papai Noel Doidão de muita fumaça, goró e roquenrou neste Natal.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012





TOO DAMN HOT WEATHER
+
TOO COLD COMMENTS

=
PAUSE FOR A REST!


SEE YA NEXT WEEK!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A HORA É AGORA!!!

NÃO ATACA, NÃO ABUSA, NÃO SUFOCA QUE EU NÃO DEIXO, EU VOTO 50 E FECHO COM MARCELO FREIXO!

É o cara!!! Alguma dúvida?




Como o Marcelo Freixo diz: 
"Os próximos 4 anos irão definir o que o Rio será pelos próximos 50 anos".

E agora veja isto:


É este tipo de administração que você deseja perpetuar?
Sua cabeça, sua sentença!



sexta-feira, 29 de junho de 2012

VOCÊ SABE QUE O FIM DOS TEMPOS ESTÁ PRÓXIMO QUANDO...

 

Um casal branco americano teve um bebê negro e a mulher diz que engravidou assistindo a um filme pornô 3D. O pai da criança, o soldado Erick Johnson, estava há um ano servindo numa base militar no Iraque e, quando voltou para casa encontrou um bebê negro. Sua mulher, Jennifer Stewart, de 38 anos, disse a ele que a criança foi concebida enquanto ela assistia a um filme pornô em três dimensões.
“Não vejo porque desconfiar dela. Os filmes em 3D são muito reais. Com a tecnologia de hoje tudo é possível”, disse Erick, que registrou a criança.
Jennifer afirmou que foi a um cinema pornô com as amigas em Nova York. Ela conta que não costuma assistir a filmes pornôs e que só foi dessa vez para ver como ficavam os efeitos em 3D. A criança, segundo ela, se parece com o ator negro do filme. “Um mês depois de ver o filme eu comecei a sentir enjôos e o resultado está aí. Vou processar o cinema e os produtores. Ainda bem que meu marido acreditou em mim. Meu casamento podia estar em risco. Mas ele sabe que eu sou fiel”, disse.


Imaginem se tivesse assistido 'Avatar'!!!