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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

LANGFINGER-CROSSYEARS (2016)

Há poucos dias, li, em uma entrevista da gostosura pop sueca Zara Larsson para um grande jornal tupiniquim, que o segredo de seu país para tanto sucesso na música pop em geral residia no fato de o aprendizado musical ser cadeira obrigatória em todas as escolas públicas, por ser considerada essencial dentro da cultuada política de bem-estar social que fez da Suécia, e todos os países da região e seu entorno, exemplo de progresso humano. De fato, não pode haver outra explicação para a qualidade, e quantidade!!!, da música gerada naquele país recheado das mais lindas loiras do universo.
E a Langfinger está, seguramente, entre estes belos exemplares. Rock cru, enxuto, recheado de influências as mais diversas perfeitamente sincretizadas para a formatação de um som de personalidade única. Ainda estão entre as menos cultuadas das bandas escandinavas mas não por falta de competência de Victor Crusner, Kalle Lilja e Jesper Pihl. Muito pelo contrário! O problema maior é a concorrência...afinal, já há algum tempo, e quem acompanha o circuito musical sabe disso, a Suécia produz o melhor rock do planeta, em todas as vertentes mas, principalmente, a seara hard/stoner/heavy
Mas é, finalmente, chegada a hora da Langfinger...e 'Crossyears' é um belo passaporte. De ponta a ponta, esse poderoso power trio não deixa pedra sobre pedra, mostrando uma inegável evolução em todos os setores, notadamente como instrumentistas.
E se você gostou deste coice nos tímpanos, dê um rolê por aqui para saber mais dessa molecada.




segunda-feira, 2 de novembro de 2015

LANGFINGER-MANGAS COLORADAS (2015)/Single

Como me considero praticamente um embaixador no Brasil (quiçá no mundo!) deste power trio sueco de Gottenburgo, trago agora o seu novo single, 'Mangas Coloradas'. Talvez, assim, consigamos levantar alguns defuntos, neste dia dedicado a eles. E ainda uma versão alive para 'A Subtle Live', do já crássico álbum 'Skygrounds', completando já 5 anos de lançamento.
Gostou e quer mais? É só dar um razante nas postagens anteriores da banda por aqui.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

PRÊMIOS G&B 2012


A cada ano a enfumaçada cerimônia de entrega dos prestigiosos e disputados a 'tapas' Prêmios G&B está sendo agendada para mais tarde. Claro que muito disto se deve à falta de tempo deste que vos escrevinha e também único responsável pela outorgação de tão cobiçada láurea, mas grande parte posso jogar na conta do enorme volume de lançamentos nestes tempos youtúbicos e soundcloudicos, quando basta gravar, abrir uma conta no site de vídeos que dominou o mundo e na nuvem de fumaça sonora do momento e esperar a sorte bater à sua porta e, quem sabe, chegar aos seus 15 segundos (sim, Wharol foi muito generoso) de fama. A coisa é tão grave que, já com 2013 cheio de lançamentos, ainda continuo com uma boa quantidade de CDs/DVDs de 2012 aguardando na fila. Mas o tempo urge e, dentre o que consegui ouvir do que foi lançado no prolífico -mas nem por isso notável qualitativamente- ano que passou, os itens a seguir foram os que mais proporcionaram a meus tímpanos momentos indescritíveis de prazer, exceção feita ao indesejável Prêmio Palhoça, tradicionalmente outorgado ao pior lançamento do período. Curioso destacar que, em comum com a enorme maioria dos agraciados, está o formato power trio. Será uma tendência?

Mas vamos a eles!


PRÊMIO RABO DE RAPOSA

StoneRider-Fountains Left To Wake

Este foi um álbum que demorou um tanto para ser assimilado mas à medida que o estranhamento na digestão dissipava-se, também transformava-se em um vício. Passei a escutá-lo na íntegra ou em partes todos os dias mas, insatisfeito com as versões que eram constantemente disponibilizadas na rede, continuava no encalço de um arquivo com uma sonoridade mais gorda. Sem sucesso, decidi promover alguns ajustes através do SF 10 na melhor versão que encontrei e é esta que disponibilizo por aqui.
Mas vamos ao que interessa: o porquê da escolha de 'Fountains Left To Wake', segundo trabalho desta banda de Atlanta, para lançamento do ano. A verdade é que conheço a StoneRider desde o lançamento de seu primeiro trabalho, 'Three Legs Of Trouble' de 2008, quando ainda um quarteto formado por Matt Tanner nos vocais e guitarras, Neil Warren nas guitarras, Champ Champagne no baixo e vocais e Jason Krutzky na bateria e percussão. Com a excelente repercussão da estreia, recheada de um hard rock clássico com tempero southern, furioso e competentíssimo, os shows se avolumaram e chegaram a abrir para nomes como Robin Trower e Uriah Heep, sempre com enorme sucesso de público e crítica. 
Seduzido pelo rock e a psicodelia de fins dos 60 e início dos 70, Tanner começou a voltar sua veia criativa a forjar pérolas impregnadas de patchouli, provocando a saída de Champagne, que não concordava com o novo rumo da banda. Na impossibilidade de conseguirem um novo baixista a tempo de cumprir o restante da extensa agenda, Warren foi improvisado e posteriormente efetivado nas 4 cordas. E a StoneRider transformou-se em trio, agora com todos os seus integrantes imbuidos do desejo de recriar as sonoridades quentes e soltas de um dos períodos mais férteis do rock, e 'Fountains Left To Wake' começou a ser moldado.
Concebido como um caleidoscópio do rock, 'Fountains...' em muito se assemelha em conceito, roteiro e sonoridade a um dos grandes clássicos do gênero, 'Exile On Main St.', dos mestres The Rolling Stones. Mas as comparações acabam aí pois o que menos se encontra por todo o álbum são menções estilísticas ao clássico quinteto liderado pela dupla Jagger-Richards. No entanto, ecos de Faces, Humble Pie, Free, Kinks e outros fortes representantes do período e pitadas de west coast psych estão fartamente distribuidos, mas sempre alimentados pela forte personalidade das composições de Tanner e mantendo a indelével veia southern/country comum a todos os integrantes, por todos os 16 petardos que fazem parte do track list do álbum. E de forma magistralmente despojada, completamente registrado ao vivo no estúdio e valendo-se de econômico uso de overdubs, criaram uma pequena jóia contemporânea do roquenrou


De brinde, anexei também o link para seu álbum de estreia, até mesmo para que os que porventura nada conheçam da banda, possam não só deliciar-se com 2 belos exemplares do gênero musical mais popular do mundo como também fazer uma comparação dos diferentes estilos explorados pela banda.


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 Langfinger-Slow Rivers  
(G&B Custom Edition)

Mas não havia como deixar de premiar 'Slow Rivers' (até porque um disco que consegue detonar meus wooferes, torna-se automaticamente sério candidato), novo trabalho da sueca Langfinger, banda que já havia conquistado meus coração e mente há 2 anos, quando de seu surgimento ainda adolescentes com 'Skygrounds', chegando a ganhar o Prêmio Semente 2010. Nitidamente mais maduro, este novo trabalho é a mais perfeita mistura de passado, presente e futuro do rock. Amálgama perfeito de alt e hard rock em 13 faixas (no original, apenas 9), a Langfinger e seu 'Slow Rivers' tem forte cheiro de sucesso comercial e de crítica, o que elevaria a Suécia a um novo patamar no cenário rock, para além do círculo restrito de admiradores do rock nórdico, no qual me incluo. Da psicodélica abertura instrumental com 'Them Tales' à estupenda faixa-título, uma das 4 estranhamente ausentes da edição original e incluidas nesta versão customizada, os ainda moleques Victor Crusner, Kalle Lilja e Jesper Pihl mostram um dos bons caminhos para o futuro do rock. Pegue uma carona sem receio você também. E se gostar e quiser  mais da banda, dê uma esticada até aqui e conheça também seu primeiro trabalho.


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PRÊMIO SEMENTE

Não por acaso esta categoria ocupa posição tão destacada entre os Prêmios G&B. Afinal, é daqui que, contando também com alguma sorte, talvez presenciemos o nascimento de uma grande banda ou compositor ou músico ou, glória suprema!, tudo em uma só embalagem. Mas isto somente o tempo dirá. Aqui, na verdade, só aponto os caminhos que mais me fizeram ter esperanças em um futuro promissor frente a um cenário um tanto caótico pois ainda tentando entender como trabalhar as novas mídias e, assim, novos talentos se lançam a uma velocidade estonteante, como diria o poeta. Afinal, hoje qualquer quarto é um home studio em potencial com trocentos canais à disposição para overdubs variados com o 'taxímetro' congelado ao mesmo tempo em que os banheiros -já saturados de tantos números 1, 2 e...3 de seus moradores- voltam a ter o destaque de outrora nas gravações de vozes e guitarras recheadas de reverb. E mais ou menos desta forma são despejados digitalmente e/ou fisicamente dezenas de milhares de novos produtos, e grande parte de maneira totalmente independente. Mas o surgimento de pequenos selos, geralmente seguindo a cartilha da segmentação de seu conteúdo e geridos por sangue novo, já vislumbrando um belo horizonte, tem feito a festa de audiófilos sedentos de curiosidade. E foi exatamente daí que surgiram as principais promessas sonoras para um futuro muito breve, até porque todos foram também fortes candidatos ao prêmio principal. A começar pelo clima tanto mais sombrio quanto à beira da genialidade da Walking Papers para, em seguida, embriagar-se pelo abusado garage blues da John The Conqueror e quedar exausto frente ao classudo deep soul/funk da fantástica Hannah Williams & The Tastemakers, esta última uma certeira indicação de Findini, um dos mais assíduos e antigos  frequentadores da casa.
Querem saber mais e conhecerem os motivos de terem sido escolhidos? É só dar um rolê por...


Walking Papers-Walking Papers


John The Conqueror-John The Conqueror


Hannah Williams & The Tastemakers-A Hill Of Feathers


e
aqui

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PRÊMIO APERTADO MAS SÓ ACENDIDO AGORA

Kingston Wall

Esta banda finlandesa de psych/prog me foi aplicada na carótida por meu spacey junkie brodim Maddy Lee e transformou-se em amor à primeira orelhada. Considerada uma lenda em seu país e extremamente conceituada no gênero, a Kingston Wall foi dirigida por um gênio de nome Petri Walli, que conciliou como poucos as diversas influências que flutuavam caoticamente por sua mente para transformar o som de sua banda em algo único e marcante em pouco mais de 6 anos de vida e 3 álbuns oficiais, antes do suicídio de seu líder. Interessou-se e deseja saber mais, faça uma viagem interdimensional ao Plano Z e ore de joelhos em milhões de sementes de cannabis a seu Comandante-em-Chefe pela repostagem de sua discografia. Valerá muito a pena.


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PRÊMIO DA LATA

Outra categoria de enorme carga de responsabilidade, já que funciona como que a destacar material que correu por fora, muitas vezes e/ou por muito tempo à dianteira ou mesmo revezando-se nas primeiras posições do grid, vindo a perder por pentelhésimos de segundos. Dentre estas, uma das prediletaças desde muito tempo da casa, a Rival Sons de Jay Buchannan e seu magnífico 'Head Down', já vencedora em categorias diferentes em duas edições anteriores.
As novidades ficam por conta de duas bandas em situações muito diversas. De um lado, o power trio Mount Carmel confirmando ser uma aposta segura no blues rock por cortesia de belas influências de Free e Ten Years After em seu 'Real Women'. E por outro, uma banda que chamou a atenção na cena doom/hard/heavy desde seu surgimento com um álbum homônimo em 2004 mas que nunca me entusiasmou, sempre me soando um tanto amador, apesar das inegáveis qualidades de seu líder Magnus Pelander. Por ser uma voz destoante dos rasgados elogios da enorme maioria de resenhas abordando seus de fracos a medianos trabalhos iniciais, cheguei a temer sofrer uma espécie de bullying virtual. Mas o tempo provou que eu estava certo e, finalmente, após um belo pé na bunda de toda a banda - resultando em um hiato de 5 anos-, Pelander e seus novos companheiros de banda cunharam o melhor disco doom/metal que ouvi em 2012. Com produção impecável, 'Legend' é exatamente o que seu título alardeia a qualquer headbanger que se preze.


 Mount Carmel-Real Women


 Rival Sons-Head Down


Witchcraft-Legend


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PRÊMIO PALHOÇA

Radio Moscow-3 & 3 Quarters
Muitos certamente estranharão a presença da cultuada Radio Moscow, já vencedora em categoria muito mais honrosa no passado, mas na falta de um trabalho que eu tenha considerado realmente desabonador, um mico abissal, decidi-me por este desnecessário resgate do que a gravadora afirma ser uma espécie de lost album da banda. Mas não se trata de nada disso. Na verdade, '3 & 3 Quarters' nada mais é que um retalho de gravações feitas por Parker Griggs solitário em seu porão/estúdio em 2003, quando ainda um garoto curioso procurando por sua identidade musical, que só terá serventia para fãs mais ardorosos, seja pela baixa qualidade dos registros ou pela ingenuidade das composições. Mas se, ainda assim, você desejar conferir o material (e sinceramente recomendo que o faça), é só clicar aqui.

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PERSONALIDADES ENFUMAÇADAS

Desta vez esta premiação de caráter variado, podendo servir para destacar qualquer personagem ou iniciativa profundamente ligada à música como também para reconhecimentos por conjunto da obra ou até mesmo para homenagens póstumas. Coincidentemente, o tema deste ano acabou caindo em reuniões ou retornos. Assim sendo, como desconsiderar a importância do tardio lançamento em CD/DVD/BluRay do registro da reunião da Led Zeppelin em 10 de Outubro de 2007 para apenas 18.000 privilegiadas cabeças? Um registro emocionado e emocionante -pouquíssimo maquiado, apesar do temor de muitos fãs, entre os quais eu- por demonstrar que estes sexagenários, acrescidos de um legítimo herdeiro das baquetas da banda, ainda têm muito a oferecer. Esbanjando o indubitável talento e uma desenvoltura própria de garotos em início de carreira, Plant-Page-Jones-Bonham são ainda a salvação do rock. Aconselho a todos que adquiram este registro histórico no original mas sei que nem todos terão recursos; portanto, segue um link para o DVD.

  Led Zeppelin-Celebration Day  
(CD+DVD+BluRay)

Mas outra banda, embora sem um pedigree do porte de uma Led Zeppelin mas com seguidores ardorosos, resolveu retornar após longos 7 anos de separação. E assim, transbordando uma adrenalina que só a alegria do reencontro pode causar, a The Tea Party lançou um dos melhores discos ao vivo que ouvi nos últimos 10 anos, pelo menos. Registrado durante a Australian Reformation Tour 2012, Jeff Martin, Stuart Chatwood e Jeff Burrows demonstram uma coesão rara para tanto tempo de separação. Se desejarem conferir, basta uma passada para um chá gelado por aqui.

The Tea Party-Live From Australia
(CD+DVD+BluRay) 


E, claro, a saudade de Eddie e sua gang não poderia ficar de fora. Mesmo sem lançar um álbum brilhante, fizeram o mais difícil e sinal de bons agouros para os próximos anos: não deixaram dúvidas, com 'A Different Kind Of Truth', de que estávamos diante de um autêntico Van Halen. E isso é o bastante para colocá-los entre os destaques do ano. Duvidam? Então dêem uma passada por aqui e confiram.

Van Halen-A Different Kind Of Truth




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

PRÊMIOS G&B 2010

E chegou o momento tão aguardado por todos os parceiros (ou por ninguém, sei lá) da entrega dos Prêmios G&B àqueles que mais se destacaram na música no ano que recentemente se foi. E, uma vez mais, foi muito difícil me decidir, entre os inúmeros laçamentos de 2010, aqueles que mais fizeram a minha cabeça: do soul/funky de Cee-Lo Green ('Lady Killers'), Sharon Jones & The Dap-Kings ('I Learned The Hard Way'),  Sade ('Soldier Of Love'), Alicia Keys ('The Element Of Freedom') e Macy Gray ('The Sellout') ao pop/blues/hard/heavy/psych/prog de Black Mountain ('Wilderness Heart'), The Union (s/t), Hogjaw ('Ironwood'), o primeirão da Kill It Kid e a confirmação da Arcade Fire com seu 'The Suburbs', Elton John & Leon Russell ('The Union'), Hill Country Revue ('Zebra Ranch'), Black Rebel Motorcycle Club ('Beat The Devil's Tatoo'), Kula Shaker ('Pilgrims Progress'), The Reign Of Kindo ('This Is What Happens'), Lucifer Was ('The Crown of Creation'), Mangrove ('A Distant Dream Of Tomorrow'), Dirty Sweet ('American Spiritual'), Crystal Caravan ('Against The Rising Tide'), Slash ('Slash's Rock 'n' Fuckin' Roll'), Joe Bonamassa ('Black Rock'), Robert Plant ('Band Of Joy'), Black Country Communion ('Black Country'), Gandhi's Gunn ('Thirtyeahs'), Mindflow ('365'), The Brew ('A Million Dead Stars'), Monster Magnet ('Mastermind'),  Hypnos 69 ('Legacy'),  Karma To Burn ('Appalachian Incantation'), Firebird ('Double Diamond') e Avenged Sevenfold ('Nightmare'), apenas para citar algumas das excelentes  bolachinhas lançadas no período, tivemos petardos para todos os gostos, duvidosos ou não.
Portanto, todos os escohidos aqui devem-se única e exclusivamente a um crivo absolutamente pessoal. É claro que a participação de todos com opiniões, sugestões e otras cositas más foram fundamentais mas...o G&B está muito longe de poder ser considerado uma democracia, pô! Resumindo: li todos os argumentos e...caguei solenemente para todos! Sacanagens à parte, o que quero dizer é que, não havendo uma eleição formal, todos os debates e embates que rolaram pelos comentários certamente influiram em minhas conjeturas mas, ao fim das contas, a batida do martelo coube a mim, egrégio CEO do G&B.
Isto posto, the winners are...

PRÊMIO RABO DE RAPOSA

Year Long Disaster - 'Black Magic: All Mysteries Revealed'

Alguns podem ter até considerado este exxcelente exemplar de rock na veia uma barbada  em muito devido aos meus (e de muitos parceiros) entusiasmados comentários. No entanto, garanto que teve adversários à altura e sua vitória deu-se no photochart. Se você ainda não conferiu e ficou curioso, é só dar uma chegada aqui e chapar com a pancada do roquenrou engajado e sem frescuras dessa banda. E olha que tem pedigree! Ainda assim, acredito que esta perfeita amostra de que o rock ainda pode ser o bastião de muitas gerações é só um aperitivo do que ainda está por vir através de sua fusão com a unanimidade Karma To Burn. Mas isto é papo para depois.

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PRÊMIO SEMENTE

Langfinger- Skygrounds

Este, e (quase) todos os demais premiados aqui, foi dos que brigaram impávida e corajosamente até o último milésimo de segundo pelo prêmio máximo. Confesso até que foi o que mais tempo permaneceu na pole position. A excelência do repertório, a produção de uma crueza impecável, o vigor demonstrado em cada interpretação...tudo isso me fêz revezá-lo constantemente com o seu maior adversário. Ao final, resolvi o embate de maneira diplomática: criei o quesito 'antiguidade é posto', desclassificando-a em favor da Year Long Disaster e seus 2 trabalhos a mais na bagagem, e o Prêmio Semente para trazer os holofotes para o sangue novo e nesta seara não existiram adversários à altura da Langfinger e seu 'Skygrounds'. Além de termos mais uma banda instigando a curiosidade quanto ao seu futuro aos que se permitirem experimentá-la. Onde? Aqui, ó!

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PRÊMIO DA LATA

Sully Erna - 'Avalon'

Sobre este discaço, não escondi meu entusiasmo desde a primeira vez que o ouvi, por uma indicação de meu spacey broDim Maddy Lee quando de sua última entrada em nossa atmosfera. Não há como deixar de premiar um trabalho notadamente feito com carinho extremado por alguém do qual não esperava nem um milésimo da qualidade apresentada neste 'Avalon', primeiro trabalho solo de Sully Erna, antes apenas um vocalista pouco além de mediano da bem abaixo da média Godsmack. Para quem curte climas épicos e étnicos bem dosados e fantasticamente executados, é um prato cheio.
Sendo assim, uma vez mais valendo-me da prerrogativa de comandante-em-chefe da Nação G&B, criei este Prêmio Da Lata para funcionar como uma 'menção honrosa'. E foi imbuído deste mesmo espírito 'castro-chavista' que decidi-me  por dividir este prêmio com a...

The Soulbreaker Company - 'Itaca'

...que se, a princípio, me causou uma certa estranheza devido a algumas alterações de rumo na sonoridade que me fez tomado de paixão por esta e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r banda basca, aos poucos fui sendo conquistado por tamanha versatilidade e inusitado de sua sonoridade. Ao final, já agradecia por tanta diversidade, o que deixa a The Soulbreaker Co. em um patamar único no universo hard prog. Ademais, 'Itaca' é a confirmação de Jonny Moreno como um dos grandes gogós da atualiadade.

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 PRÊMIO PALHOÇA

Alter Bridge - 'III'

Sei que quase causei um AVC no meu parceiraço Dagon (vulgo Nikiti Guy ou Arariboia Man) ao aventar a possibilidade de outorgar este indesejável prêmio ao 'Return To Zero', de outra banda que gosto bastante, a Spiritual Beggars. Mas o que me fez optar por este ambicioso e fraquíssimo 3º trabalho de estúdio da Alter Bridge foi, simplesmente, um só: ele é inescutável! De tão chato, jamais consegui sorvê-lo de uma tacada só. Acho que apenas de 3 em 3 faixas e ao custo de muito sacrifício. 
Por sua vez, da bolachinha de sua rival ainda consegui salvar da guilhotina umas 3 ou 4 faixas; assim mesmo, considero imperdoável a traição dos suecos ao alterar de maneira tão radical sua sonoridade, fazendo-os soar quase que como um pastiche de Bon Jovi.
Por dúvida das vias, evitem consumir estas drogas que já vieram malhadas antes de nascer.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

LANGFINGER-SKYGROUNDS (2010)

Já há algum tempo -e bota tempo nisso!- acompanho o cenário musical escandinavo, principalmente o triângulo Dinamarca-Noruega-Suécia (os finlandeses e islandeses me soam pretensamente góticos  e demasiado posers). Vide o espaço dedicado aqui a bandas tão díspares em estilo como Karmakanik, Lotus, Plankton e a lendária Titanic. E poderia ainda citar uma cacetada de novas e veteranas bandas surgidas das pedreiras geladas destes singulares e belos países recheados de apreciadíssimos espécimes femininos, que ainda não postei por aqui. Alguém disse ABBA? Por que não? Afinal, talvez somente Beatles, Stones e Bee Gees sejam mais populares. No entanto, de aproximadamente 2 anos para cá vem ocorrendo uma verdadeira avalanche de bandas da região, em geral carregando a bandeira do retorno ao hard/heavy em sua forma mais embrionária e por inúmeras vezes injetando fortes doses de prog e psicodelia. E essa bandeira, antes meio underground e que gerou grandes álbuns em mais de 40 anos que acompanho a música produzida nestes países, ganhou tamanha força nestes tempos de velocidades a megabits nunca dantes imaginados, que já periga tornar-se mainstream. Não, isso não é ruim. O problema é perder-se o senso crítico e, indiscriminadamente, tudo o que nasça daquelas lindas e alvas paisagens venha a tornar-se imediatamente...cool

E é justamente na contramão deste status para o qual perigosamente caminha o rock escandinavo que entra a Langfinger. Sinceramente, olhem estas figuras -Victor Crusner (vocais/baixo/teclados), Kalle Lilja (guitarras/vocais) e Jesper Pihl (bateria/percussão/vocais)- ainda recheadas de espinhas nas fuças, logo acima deste parágrafo e me digam: será possível serem integrantes de uma das melhores bandas surgidas naquele seleto circuito? Sim, podem, e tudo porque ainda mantém o espírito comum aos seus pares que obtiveram algum destaque fora do restrito mercado destes países (é isso mesmo, não se enganem, é impossível viver de música tocando apenas na Escandinávia): utilizar-se de influências setentistas para produzir algo que exale um -ao menos, leve- perfume de contemporaneidade e não apenas naftalina. E, acreditem, estes três moleques o fazem com uma personalidade impressionante. Enquanto o cenário atual do rock escandinavo começa a apresentar sinais de crise criativa, traduzindo-se na maioria das vezes em bandas  que não passam de meras cópias de ídolos-que-também-foram-ídolos-de-seus-pais, a Langfinger representa o frescor que o hard/heavy nórdico estava ansiosamente necessitado, em muito graças a um certo sabor alt/indie que impregna suas canções, sempre interpretadas com impressionantes crueza, sinceridade e competência -além da performance de seu frontman, vale um destaque especial para as inspiradas levadas de bateria. Overdubs? Quase nenhum. 
E assim disparam pérolas já a partir do momento em que os tambores da contagiante 'Herbs In My Garden' brilhantemente nos descortinam a bolachinha e passamos a tomar os primeiros contatos com petardos como a arrasa-quarteirão faixa título, o swing impregnado de psicodelia de 'Restart The Groove', a acelerada 'Eclectic Boogieland', o excelente exemplar de hard prog 'Fantasy Ridge', a belezura folk de 'A Subtle Life (As It Is)' e a furiosamente mântrica 'Ragnar'. E tudo isso, insisto, inspirando-se em, e não apenas 'xerocando', medalhões do hard/heavy setentista e -até mesmo- oitentista, como muitos dos mais recentes lançamentos daquelas terras geladas. E são bandas como esta que ainda me fazem crer na tríade Dinamarca-Noruega-Suécia como principal polo rock fora do eixo USA/UK.
Mais uma banda candidata a revelação do ano e que conseguiu com este 'Skygrounds' todos os méritos para figurar nas listas de melhores do ano mais antenadas.


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VIDEO

 Clip para 'Herbs In The Garden' ainda em sua versão demo.