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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

BO BICE


Ao pensar em montar um post sobre esse excelente cantor/compositor deparei-me com um desafio enorme: como fazer com que se interessem por um ex-calouro de programa de TV? Sim, porque Bo Bice participou da 4ª edição do American Idol.
Cheguei à conclusão que o melhor seria expor o que despertou meu interesse pelo seu trabalho e esperar que isso seja suficiente. Então, vamos lá: a Primeira-Dama do G&B costuma assistir com assiduidade o programa American Idol desde sua 2ª edição; eu, no entanto, nunca fui muito afeito a esse tipo de formato e assistia uma e outra etapa enquanto devorava um de meus tradicionais sandubas noturnos ou, quando, porventura, estando no meu home-studio (vizinho à nossa suite), escutava uma interpretação que julgava interessante -no anterior, isso ocorreu em muito menor escala somente com Fantasia Barino, uma negona com uma voz incrível mas com muitos poréns. Ocorre que, já no primeiro dia da 4ª edição, estava trabalhando no computador -localizado no já citado home-studio- quando uma interpretação de 'Drift Away' chegou-me aos ouvidos de uma maneira que imediatamente me fez parar tudo e correr para conferir quem estava cantando de forma tão convincente, e com um estupendo timbre entre um Gregg Allman e um David Clayton-Thomas, aquele clássico de Dobie Gray. Encontrei minha Primeira-Dama com o queixo no chão, até hoje não sei se somente pela interpretação ou se por outros motivos de conotações, digamos assim, extra-musicais. E foi aí que comecei a acompanhar esta edição do AI e, paralelamente, a pesquisar sobre o moço na grande rede. E, a cada etapa, as belas performances se sucediam, principalmente quando lhe era dado o direito de escolha do repertório. Assim o moço perfilou, prestem atenção no track list!, 'Whipping Post', 'Spinning Wheel', 'Remedy', 'Corner Of The Sky', 'Free Bird', 'Vehicle' (aclamadíssima, tanto que tornou-se parte de seu primeiro single), 'In A Dream' (um a capella que levantou o auditório) e, após 20 semanas, o gran finale com 'Sweet Home Alabama' acompanhado de seus ídolos Lynyrd Skynyrd. Já lá pelo meio não torcia mais para que vencesse pois temia que seu enorme potencial fosse domado pela indústria musical, neste caso específico Mr. Clive 'Dracula' Davies, o que ocasionaria a morte de um grande talento. E Bo, de fato, não venceu -ficou em 2º lugar- mas sua popularidade a esta altura era tão absurda que o 'tubarão' resolveu abocanhá-lo assim mesmo. Resultado: um primeiro disco, 'The Real Thing', se não de todo ruim devido a suas impecáveis interpretações, recheado de baladas entre uns poucos rocks (nenhum de sua própria lavra) e com uma produção extremamente pasteurizada. Vendeu bem? Sim, vendeu muuuuiiiiito bem -em torno 2,5 milhões de cópias só nos EUA- e rendeu-lhe uma situação financeira confortabilíssima devido aos mais de 150 shows sold out anuais.
No entanto, Bo Bice não estava nada satisfeito com esta situação.
Vamos agora à segunda parte e, para isso, voltaremos um pouquinho no tempo. Como disse, em paralelo, pesquisava sobre o cara pois, para mim estava claro, um talento desses não poderia ter surgido do nada. E foi aí que descobri que Bo já ralava há quase dez anos e, com antigos companheiros -Kris Bell e Heath Clark (guitarras), John Cooper (baixo), Shane Sexton (bateria) e Thomas Lee (teclados)- já havia gravado um cd, 'Recipe For Flavor', em 2000 e que é puro southern rock. O nome da banda? Sugarmoney. Como nada acontecia, e Bo já com 28 anos e casado, decidiu candidatar-se a uma vaga no American Idol mas prometeu a todos que se tudo desse certo toda a banda seria beneficiada. Bem, o resto vocês já sabem.
Mas o que eles, ingenuamente, não previam é que a gravadora impediria que fossem utilizados como sua banda de apoio e este foi mais um dos motivos de descontentamento, desencadeando uma série de atritos com Clive Davies e culminando em seríssimos problemas de saúde que quase levaram nosso herói à morte. Essa terrível experiência e o nascimento de seu filho com certeza lhe abriram novas perspectivas fazendo com que resolvesse comprar definitivamente a briga com o todo poderoso, após uma longa batalha judicial, conseguindo que seu contrato fosse rescindido e, assim, tivesse meios de fundar seu próprio selo -Sugarmoney- para lançar seu segundo álbum de maneira independente e da forma com que sempre sonhara: cercado de seus companheiros de banda e com convidados mais que especiais que acreditassem em seu trabalho. Entre estes últimos, A.J. Croce (filho de Jim Croce, com quem escreveu várias músicas), Steve Gorman (bateria-Black Crowes), Glenn Worf (baixo-Mark Knopfler/Bob Seger) e as lendas Chuck Leavell (teclados) e Waddy Wachtel (guitarra/lap steel e muito mais). E assim nasceu 'See The Light'(2007), um discaço de rock tipicamente americano da primeira à última faixa -mas focado no southern, sua grande paixão- para o qual foram compostas mais de 30 músicas e com o aproveitamento de 10, sendo minha predileta 'Whiskey, Women & Time' (uma das duas da fornada antiga do Sugarmoney -a outra é 'Sinner In A Sin'), mais de 6 minutos de puro southern rock da melhor estirpe. Outra grande pedida é 'Witness' com um belo trabalho raivoso de wah-wah. E o que dizer do tom creedenciano de 'This Train'? Tem até uma 'festa de arromba' southern: 'Take The Country Outta Me'. Bem, vamos parar por aqui.
Além destes dois cds, disponibilizei um link com o b-side 'Vehicle' (acachapante cover do Ides Of March) com participação especialíssima de Ritchie Sambora e outro com todas as suas participações no American Idol. Infelizmente, nunca me deparei com o álbum do Sugarmoney mas quem sabe uma alma caridosa não nos faz este favor?


-'See The Light' Bonus Tracks-

Um beijãosão pra Márcia, a maior fã de Bo Bice que conheço, por me enviar esse material