segunda-feira, 19 de agosto de 2013

MOUNT CARMEL / Re-postagem

Re-postagem aproveitando-me do fato de tratar-se de uma excelente banda, seus 2 únicos (e excelentes) trabalhos até o momento ainda encontrarem-se em minha estante virtual e...de uma tremenda preguiça que se abateu sobre mim neste domingo chuvoso.

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 Originalmente publicado em 26.03.2012.

Quando, ainda aos primeiros meses de 2010, este power trio de Columbus, Ohio, despejou em nossos ouvidos seu cruamente produzido álbum de estreia, tornou-se objeto de uma verdadeira enxurrada de publicações rede adentro exaltando as inúmeras qualidades daquele trabalho recheado de peso e blues; da escolha por uma sonoridade absolutamente vintage ao repertório muito bem construido e adornado pela bela voz de Matt Reed, com sentido de divisão digno de um Paul Rodgers e também responsável por excelentes momentos nas 6 cordas inspirados em mestres da envergadura de Alvin Lee e Paul Kossoff, tudo levava a crer em um futuro promissor para a banda, completada por uma cozinha furiosíssima formada por Pat Reed, irmão de Matt e baixista de timbres cheios e digitação precisa, e Kevin 'Buck' Skubak nos tambores, um verdadeiro furacão com as baquetas. No entanto, o que mais me chamou a atenção foram as influências percebidas por toda a estensão da bolachinha. É claro que Cream é um referencial óbvio, até pela própria formação; no entanto, algumas escolhas inusitadas para tão tenros músicos me chamaram a atenção, entre as quais Ten Years After (de quem fizeram uma divertida versão para 'Hear Me Calling'), Mountain, Blue Cheer, Humble Pie, Free e Creedence Clearwater Revival. Ou seja, nada  (ou muito pouco) das tradicionais referências a Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep ou Grand Funk. E tudo soa muito bem, honestamente despojado e sem overdubs, até porque analogicamente registrado em apenas 24 horas e em um autêntico clima de demo. Um grande começo mas ainda uma incógnita.


Apenas 2 anos se passaram e nem mesmo o maior entusiasta daquele primeiro esforço de se lançar ao mercado poderia supor que a confirmação de uma tímida promessa se daria de forma tão contundente. Mas ela veio com 'Real Women' e seus 9 petardos, agora com uma sonoridade mais enxuta mas ainda emanando urgência, sujeira e os riffs gordos de sempre (apesar da preferência de Matt pela Telecaster com escala em maple) como deixam claro patadas na orelha do nível de 'Oh, Louisa', 'Swaggs', 'Choose Wisely', 'Lullaby' e a faixa-título, só para citar algumas.
Será o sinal que precisávamos de que o muitíssimo bem recebido retorno da Van Halen poderá não ser a única boa nova de 2012, como alguns já se apressaram em afirmar? Deixo a resposta com vocês.





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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

GINGERPIG

Esta é uma das muitas excelentes indicações de meu spacey brodim Maddy Lee. Mesmo que normalmente mais afeito a música estranha para gente esquisita, sempre que encontra algo que julga ser a minha cara, me envia empolgadamente uma mensagem com links. E na imensa maioria das vezes, acerta no alvo.
Nascida em finais de 2008 da obstinação de um músico de sólida carreira (integrou por mais de uma década a death metal Gorefest) em sua Holanda natal, a Gingerpig iniciou seus trabalhos quando o guitarrista e vocalista Boudewijn Bonebakker, de formação acadêmica e um apaixonado por sonoridades vintage (recentemente, restaurou uma Gibson Les Paul Gold Top '55),  resolveu adquirir um Hammond B3. Não demorou muito para que aquele instrumento tão emblemático para o rock, lhe despertasse o desejo de juntar um grupo de músicos amigos com o propósito de, segundo suas próprias palavras, criar uma música humana, orgânica e genuína. Como companheiros para esta empreitada, convoca Sytse Roelevink para as 4 cordas, Ries Doms para socar tambores e pratos e, a escolha mais delicada, o pianista de formação jazzística Jarno Van Es para pilotar seu novo 'brinquedinho', piano e alguns outros teclados analógicos. Após muito ensaio para formatar as canções que já vinha escrevendo há algum tempo e uma demo gravada, Doms decide dedicar-se a outros projetos e Maarten Poirters, baterista de jazz rock da cena de Breda, aceita a convocação para o posto e traz a reboque inúmeras possibilidades imediatamente absorvidas por todos e este novo fôlego resultou, apenas quase 3 anos depois, agora sob a batuta experiente de Pieter Kloos (produtor de trabalhos para 35007 e Motorpsycho, entre outras), em 8 faixas gravadas no The Void Studio de Eindhoven, que se transformariam em 'The Ways Of The Gingerpig'. Quase que totalmente registrado ao vivo - exceção feita aos vocais - e em equipamentos 100% analógicos, 'The Ways Of The Gingerpig' é uma pequena joia do hard rock, liquidificando influências as mais diversas para criar um som único, retrô sem soar datado e contemporâneo sem parecer asséptico. E ainda descobrindo em Van Es uma 'pegada' nata para o B3, com escolha de timbres muito próprios e fraseados envolventes.
E o mesmo Van Es veio a tornar-se pivô de um turbulento período para a banda quando, em inícios de 2012, opta por pedir o boné para mochilar pelo mundo. Era o momento de tomar uma decisão: continuar como um trio ou procurar um substituto? Optaram, ao menos por enquanto, pela primeira proposta e partiram de imediato para a pré-produção de um novo trabalho enquanto cobriam o circuito europeu de festivais e abriam para alguns grandes em tour pelos Países Baixos, e uma amostra da sonoridade mais crua característica de um power trio não tardaria, com o single 'Ugly Heart' despontando com destaque em meados daquele ano e sinalizando com boas perspectivas para o novo álbum.
E as previsões confirmaram-se com sobras pois o recém-lançado 'Hidden From View' deixa transparente uma potência capaz de desafiar todos os limites de uma formação deste tipo. E é claro que o bom e velho B3 não ficou de fora, agora a cargo de Arno Krijger e usado com um pouco mais de parcimônia. Mas o pulo do gato de 'Hidden From View' reside mesmo na qualidade das pancadas e riffs, sempre irresistíveis, e na voz sempre transbordando dramaticidade de Bonebakker, mesmo que para isto necessite chegar no limiar de fritar as cordas vocais. E isto o coloca na sempre gratificante posição de ter forjado um dos grandes lançamentos de 2013 no gênero. E há quanto tempo não vemos uma banda holandesa em tão confortável situação?


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DANGLING MAN

PIPEDREAM

INDEFINITE MUDDLE

JOE COOL

RUN

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

CAIN

Após um perigoso jogo de gato e rato envolvendo a sórdida e impiedosa máfia ucraniana, colocando em risco até mesmo a integridade física de minha família, consegui atualizar esta postagem com o link para um vynil rip processado e remasterizado com o indiscutível padrão de qualidade da G&B Records.
Edson d'Aquino
CEO desta porra!
(08.08.2013)

Fruto da fusão de 2 bandas de baile de algum sucesso regional - The Grasshoppers, de onde saiu o gogó privilegiado de Jiggs Lee para a The Bananas, que já contava com o guitarrista Lloyd Forsberg, os teclados de Al Dworsky e ainda uma azeitada cozinha com Dave Elmeer no baixo e Mike Mlazgar socando os tambores -, a Cain, nome escolhido para uma nova fase já privilegiando o material autoral de seus integrantes, está inserida naquele contexto de bandas que mereciam melhor sorte.
Excursionam por todo o ano de 1973, agora seguindo o tradicional circuito college & clubs e deixando um pouco de lado os adolescentes ballrooms, sedimentando uma boa base de fãs na região de sua Minneapolis natal. Mas era chegada a hora de expandir fronteiras e Chicago pareceu uma opção natural. O trabalho pesado e mal remunerado, quando chegavam a tocar 7 horas por noite nos fins de semana, provocou a primeira de uma série de alterações de line-up, com Mlazgar assumindo as baquetas na Crow e sendo substituído por Tom Osfar. Em seguida, Dworsky decide morar em um kibutz, provocando uma sequência de substitutos até a efetivação de Chas Carlson.
Constantemente excursionando e tocando onde houvesse um palco, por mais mirrado que fosse, cruzaram com alguns dos grandes da época (Fleetwood Mac, Humble Pie, Grand Funk, etc) até que, em finais de 1974 e já com Kevin DeRemer em substituição a Osfar, um pequeno selo, ASI Records, acena com um contrato e 'A Pound Of Flesh', com uma das capas mais podreiras da história do rock, é lançado já no ano seguinte.
Mais uma cansativa turnê, agora por motivo um tanto mais estimulante, e um segundo trabalho - 'Stinger', que não conheço mas li algumas resenhas atribuindo pitadas de Queen à receita - é totalmente concebido na estrada e lançado em 1977. No entanto, com a disco music varrendo o hard rock do dial, as coisas não caminharam como deveriam e, apesar de já com um terceiro álbum em pré-produção, Elmeer e Lee pedem o boné. Foi o golpe que faltava para a revoada alguns meses depois.


G&B 
Remaster

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