


Antes de mais nada, vamos combinar um negócio. Devido às recentes incursões de organismos internacionais mal intencionados em uma insana 'caça às bruxas' e por, em uma pequena pesquisa, ter constatado que o objeto deste
post é um de seus maiores alvos, pedirei que refiram-se a este virtuoso da guitarra
country apenas como
B.P.. Bem, já que estamos de acordo, vamos ao que interessa.
Acho que todos aqui gostamos de rock, certo? Apesar disso, certamente, muitos resistem ao country e até admito que alguns bons motivos para isso existem. Do uso excessivo de clichês aos estereótipos deflagrados pela (enorme e muito lucrativa, diga-se de passagem) indústria ligada ao gênero, o universo country tem uma série de poréns. Isso sem falarmos da equivocada aproximação que muitos ouvintes fazem com o nosso breganejo. No entanto, uma coisa não se pode negar: sem o country & western, aquela música trazida pelos imigrantes irlandeses em formato folk e avô do gênero como o conhecemos hoje, não haveria o rock. Afinal, o beabá da genealogia do rock nos ensina que da relação multiracial entre o country & western e o rhythm & blues nasceu um amado rebento muito apropriadamente chamado rock & roll. Este, por sua vez, rebelde por natureza, caiu na esbórnia, na manguaça e em uma abençoada promiscuidade e gerou vários filhotes paridos por mães diversas e...chega de viagem!
De minha parte não só nunca tive nenhum preconceito como sou um admirador confesso, afinal minha primeira grande paixão na música chamou-se Creedence Clearwater Revival e sua mistura de rock, country, bluegrass e swamp music. Na verdade, como em qualquer outro gênero musical, temos que separar o joio do trigo. E esse caipirão de 36 anos é, com certeza, trigo da melhor qualidade. Basta dizer que é considerado um dos maiores guitarristas do gênero. Na verdade, muitos o tem como o maior guitarrista country de todos os tempos.
E não é que o cara é um prodígio? Tocando desde os 8 anos, já aos 13 compunha e abria para George Jones e Ricky Scaggs, dois expoentes do country e do bluegrass, entre outros. Aos 20 já era um compositor consagrado e session man requisitadíssimo em Nashville que, para quem está taxiando agora no planeta Terra, é a meca do country. Em 99 lançou seu primeiro álbum onde já demonstrava todo seu virtuosismo nos mais variados subgêneros da country music e já impressionando com sua exuberante (e dificílima!) técnica no chicken' pickin'. De lá para cá, seu sucesso de público e o prestígio adquirido entre os músicos do gênero como Albert Lee, Alison Krauss, Allan Jackson, Keith Urban, Steve Wariner, Vince Gill, James Burton, etc, que participam em vários de seus álbuns, só fez aumentar.
Nesta postagem estão todos os trabalhos de estúdio deste genial hillbilly com tudo que o country pode oferecer de melhor: fiddles, lapsteel, banjos, mandolins, honky-tonky piano, Hammond, washboard, acordeão e guitarras, guitarras e mais guitarras!
Como sei que muitos irão me perguntar por onde começar, aconselho seu trabalho mais recente, quase todo instrumental e que dá a B.P. a oportunidade de se aventurar em um espectro muito mais amplo aproveitando-se da sua enorme musicalidade sem, com isso, perder sua assinatura. Ah...e ainda tem uma participação especialíssima do último dos Three Kings.
Detalhe de um de seus inúmeros e belíssimos modelos Bill Crook,
sempre com a escala em maple, como reza a cartilha country.
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