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segunda-feira, 15 de abril de 2013

B.P. III: O COWBOY DA TELECASTER CASHMERE ESTÁ DE VOLTA

Um novo lançamento do maior guitarrista country de todos os tempos é sempre aguardado com grande expectativa. É, via de regra, sinônimo de muita diversão e competência e este 'Wheelhouse' não fica atrás, apesar de algumas apelações mercadológicas, como a insistência em inserir o rap de LL Cool J em 'Accidental Racist', uma bela e engajada balada. No geral, o disco funciona muito bem mas Paisley já mostra sinais de cansaço da própria fórmula desenvolvida por ele, cada vez mais impregnada de southern rock, gênero primo-irmão do country e que passou a explorar com mais profundidade a partir de 'American Saturday Night', quando imprimiu um tanto mais de sujeira ao seu timbre. Continuam presentes os tradicionais sketchies humorístico-musicais, algumas belas baladas, versões surpreendentes para standards do country ('Yankee Doodle Dixie' está linda), bluegrasses instrumentais arrasadores e alguns dos country rocks mais invocados que sua Telecaster já cuspiu, como 'Runaway Train', 'Southern Comfort Zone' e 'Outstanding In Our Field'. E é nestes momentos, quando as qualidades intrínsecas das canções predominam sobre a necessidade de se reinventar - uma característica que todo artista carrega e que deve ser alimentada sem exageros -, que Brad Paisley se mostra mais efetivo.
Em resumo, um bom disco como qualquer outro já lançado por este mago da guitarra country, mas um tanto desinspirado quando comparado a 'Play' e 'American Saturday Night', só para citar alguns de seus mais recentes trabalhos. Aqui, para os interessados, em sua versão De Luxe, com um total de 21 faixas.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

B. P. II: O GAROTO DA PORTEIRA ATACA NOVAMENTE...

...e, como de hábito, mantendo o altíssimo padrão de seus trabalhos anteriores neste 'This Is Country Music', notadamente o fodástico 'Play (The Guitar Album)' de 3 anos atrás, seu trabalho mais autoral e um marco em sua carreira. Não vou me alongar muito pois tudo que dissesse agora nada acrescentaria ao que já escrevinhei aqui. Mas se alguém não sair quicando com 'Working On A Tan' e seu impressionante solo, ou repentinamente sentir-se em um estádio lotado cantando o refrão de 'Camouflage', impregnar-se do raw country de 'Toothbrush' e imaginar-se em pleno Tennessee com o groove regado a um contagiante banjo de 'Be The Lake' ou ainda não arrepiar-se ao relembrar os old fashioned westerns no genial tributo de 'Eastwood', será porque não tem o rock em sua essência entranhado em suas veias. E o que dizer do lindo libelo em defesa do gênero que escolheu para expressar seu enorme talento e que dá nome ao álbum? É claro que, para tanto, algumas xaroposas baladas surgem pelo caminho, mas podem ser facilmente desviadas com um simples toque no controle.
Aproveitei esta ocasião para, também, disponibilizar o não menos excelente 'American Saturday Night', seu álbum de 2009 e até hoje ausente aqui no G&B por puro lapso.
Seja você um conhecedor do gênero, um admirador confesso, um detrator inveterado ou apenas apreciador de uma guitarra muitíssimo bem tocada, aqui está o supra-sumo. Mas andem rápido pois a Sra. DMCA é muito bem paga pela indústria discográfica do Tennessee -afinal, se ainda tem um gênero que vende muito, este é o country- para quebrar links e, de uma hora para outra, bye-bye, so long, farewell!




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VIDEO

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

B. P.



Antes de mais nada, vamos combinar um negócio. Devido às recentes incursões de organismos internacionais mal intencionados em uma insana 'caça às bruxas' e por, em uma pequena pesquisa, ter constatado que o objeto deste post é um de seus maiores alvos, pedirei que refiram-se a este virtuoso da guitarra country apenas como B.P.. Bem, já que estamos de acordo, vamos ao que interessa.
Acho que todos aqui gostamos de rock, certo? Apesar disso, certamente, muitos resistem ao country e até admito que alguns bons motivos para isso existem. Do uso excessivo de clichês aos estereótipos deflagrados pela (enorme e muito lucrativa, diga-se de passagem) indústria ligada ao gênero, o universo country tem uma série de poréns. Isso sem falarmos da equivocada aproximação que muitos ouvintes fazem com o nosso breganejo. No entanto, uma coisa não se pode negar: sem o country & western, aquela música trazida pelos imigrantes irlandeses em formato folk e avô do gênero como o conhecemos hoje, não haveria o rock. Afinal, o beabá da genealogia do rock nos ensina que da relação multiracial entre o country & western e o rhythm & blues nasceu um amado rebento muito apropriadamente chamado rock & roll. Este, por sua vez, rebelde por natureza, caiu na esbórnia, na manguaça e em uma abençoada promiscuidade e gerou vários filhotes paridos por mães diversas e...chega de viagem!
De minha parte não só nunca tive nenhum preconceito como sou um admirador confesso, afinal minha primeira grande paixão na música chamou-se Creedence Clearwater Revival e sua mistura de rock, country, bluegrass e swamp music. Na verdade, como em qualquer outro gênero musical, temos que separar o joio do trigo. E esse caipirão de 36 anos é, com certeza, trigo da melhor qualidade. Basta dizer que é considerado um dos maiores guitarristas do gênero. Na verdade, muitos o tem como o maior guitarrista country de todos os tempos.
E não é que o cara é um prodígio? Tocando desde os 8 anos, já aos 13 compunha e abria para George Jones e Ricky Scaggs, dois expoentes do country e do bluegrass, entre outros. Aos 20 já era um compositor consagrado e session man requisitadíssimo em Nashville que, para quem está taxiando agora no planeta Terra, é a meca do country. Em 99 lançou seu primeiro álbum onde já demonstrava todo seu virtuosismo nos mais variados subgêneros da country music e já impressionando com sua exuberante (e dificílima!) técnica no chicken' pickin'. De lá para cá, seu sucesso de público e o prestígio adquirido entre os músicos do gênero como Albert Lee, Alison Krauss, Allan Jackson, Keith Urban, Steve Wariner, Vince Gill, James Burton, etc, que participam em vários de seus álbuns, só fez aumentar.
Nesta postagem estão todos os trabalhos de estúdio deste genial hillbilly com tudo que o country pode oferecer de melhor: fiddles, lapsteel, banjos, mandolins, honky-tonky piano, Hammond, washboard, acordeão e guitarras, guitarras e mais guitarras!
Como sei que muitos irão me perguntar por onde começar, aconselho seu trabalho mais recente, quase todo instrumental e que dá a B.P. a oportunidade de se aventurar em um espectro muito mais amplo aproveitando-se da sua enorme musicalidade sem, com isso, perder sua assinatura. Ah...e ainda tem uma participação especialíssima do último dos Three Kings.


Detalhe de um de seus inúmeros e belíssimos modelos Bill Crook,
sempre com a escala em maple, como reza a cartilha country.

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