Um mimo de final de ano de Delila Paz & Co., o single de 'Freedom Town', também incluída como bonus na nova versão do álbum 'Soul On Fire'.
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Originalmente publicado em 04.02.2019.
E o retorno das merecidas férias desta birosca brenfoetílicomusical não poderia se dar de outra forma que não com o recém-parido 'Soul On Fire', da banda de rebel rockprediletaça da casa. E o mega-aguardado 3º trabalho da banda de Delila Paz e Edgey Pires cumpre o prometido: roquenrou sem firulas e com conteúdo lírico apropriado para enfrentar os dias obscurantistas e recheados de fascismo que vivemos. E isto está explícito em cada verso de petardos como 'Hard Times', 'Mind Ain't Free', 'Freak Revolution', '5th World' e a faixa-título. Na verdade, a poesia de Delila Paz não deixa pedra sobre pedra no combate intransigente às desigualdades sociais, apoio incansável às causas ambientalistas e trabalhistas, defesa intransigente do feminismo e da diversidade e o ódio explícito ao fascismo, entre muitas outras. Aqui não tem papo de 'i love yous'. É música inconformista para sacudir o esqueleto e pensar, tudo ao mesmo tempo agora. Um chute nos bagos da extrema-direita. A mais autêntica expressão da máxima "dançar pra não dançar"...
Não conhecia? Gostou? Então, tem mais aqui, procê...
Muito se diz que, após o punk, o rock despiu-se de vez do engajamento e rebeldia que sempre o caracterizaram em troca de acomodação e muitos dólares. E não há muito a apresentar em defesa do gênero musical mais amado do planeta neste sentido. Não que tal característica seja uma obrigação, mas o heavy 'hair' metal oitentista recheado de 'sofrência' em seus versos foi, no mínimo, uma afronta a quem nasceu e cresceu com uma trilha sonora irretocável proporcionada pelas duas décadas anteriores. A despeito da importância de tal heresia para sua sobrevivência naqueles tempos dominados pelo hedonismo yuppie e a glamourosa new wave. Mas aquela década passou e o grunge acabou por trazer de volta um tanto de sua rebelde força poética e sonora de volta, mesmo que por tão pouco tempo, visto que passamos, neste século que ainda engatinha, por um cenário tão desalentador quanto aquele. Ao menos o suficiente para que a pecha de mainstream e acomodação volte a rondar nosso querido roquenrou.
Mas algumas bandas recusam-se a aceitar esta triste realidade. E uma delas é a novaiorquina, e já em atividade há quase 8 anos, The Last Internationale. E foi zappeando a TV madrugada a dentro que dei com as fuças no delicioso clipe de 'Wanted Man' e percebi a possibilidade de estar diante de uma banda dedicada ao nosso bom e velho rock'n'roll, como há algum tempo não (ou)via. Sabe aquela mistura da sensualidade andrógina de Joan Jett com a musicalidade de Chrissie Hynde e a atitude de uma Patti Smith? Pois é... E tudo isso com a pegada de uma Suzi Quatro! E assim, contando com a produção do lendário Brendan O'Brian e apadrinhado pelo talentosíssimo Brendan Benson, o power trio formado por Delila Paz na (excelente) voz e nas 4 cordas, o guitarrista Edgey Pires e o experiente baterista Brad Wilk entra em estúdio para registrar, em 2014, 'We Will Reign', seu primeiro álbum (um ano antes, ainda como duo, haviam lançado o EP 'New York, I Do Mind Dying'). E já de antemão, adianto ser uma das grandes surpresas desta segunda década de um século ainda em formatação. E as turnês com AC/DC e Stones só reafirmam isso. Como não se apaixonar pela forma como a bela Delila debulha seu baixo enquanto canta as dores de um mundo em crise emolduradas por rocks com forte marcação rítmica e apelo irresistível à dança? Experimente manter-se indiferente a petardos como a já citada 'Wanted Man', à panfletária 'Life, Liberty And A Pursuit Of Indian Blood', a 'Killing Fields' e sua levada no melhor estilo do Chicago Blues ou à virulência de 'Fire', com Wilk pagando tributo ao saudoso mestre John 'Bonzo' Bonham. Seu negócio são as baladas? Pois aqui você encontrará alguns poucos exemplares para um cheirinho no cangote mas que, certamente, estão entre os melhores do gênero, a começar por 'Devil's Dust'. Vale também citar o lindo r&b clássico de 'I'll Be Alright' e a bela releitura para 'Cod'ine', esta última abrindo o EP. E o fechamento com a veloz e ensurdecedora '1968' -praticamente, uma carta de intenções da banda- nos deixa a esperançosa sensação de que ainda existe muita força no rock, mais do que suficiente para resgatá-lo à sua função rebelde, iconoclasta e anti-establishment. Só precisamos voltar a dançar por essa música. Tipo "dançar pra não dançar"...sacou?