Confesso que nem sei por onde começar de modo a criar algum interesse em meus queridos amigos neste trabalho extraído digitalmente de um tape com qualidade soundboard. Dizer que esta banda jamais lançou nada em qualquer tipo de mídia? Que era apenas uma banda de baile que, como tantas, tocava em biroscas por alguns trocados? Huuummm....ainda não é por aí! Que eram naturais do Arkansas, estado de enorme tradição no southern rock? Também não, pois estão longe de abraçar o gênero como sua principal influência. Querem saber? A verdade é que, desde a primeira orelhada, me peguei invejando os, muito provavelmente a julgar pelos poucos ruídos de plateia, pouquíssimos gatos pingados que estiveram presentes a esta apresentação pois, da escolha inusitada do set list à qualidade de seus músicos -Philip Tate (vocais/baixo), George Kelley (guitarras), Allen Barton (teclados) e Tom Ed Hockersmith (bateria)- e a excelência do registro, tudo correu perfeitamente. Não sei de onde o baixei mas lembro ser um site dedicado a raridades musicais daquele estado, onde caí de paraquedas em busca de material da Black Oak Arkansas, e a enxuta resenha pouco acrescentava em termos de informação; no entanto, lembro que o texto citava a lendária Little Rock como palco deste show e seu guitarrista como o responsável pelo registro da apresentação.
Como disse, o material -um total de 20 músicas- é um tanto o quanto incomum para uma banda de boteco, indo de Stevie Wonder, Sugarloaf e Traffic a Ohio Players, Steely Dan e Tower Of Power; não sem passar por Billy Preston, Ben E. King, Crusaders, Chicago e, claro, uma leve pitada de ZZ Top. Seria um set list irretocável se não houvessem incluido de saideira (menos mal!!!) a intragável 'How Long' da babíssima Ace, um grande hit à época. Como se não bastasse tão generoso agrupamento de clássicos, a competência dos músicos -impressionou-me muuuuuiiiiito a qualidade de seu tecladista e a bela voz de um timbre límpido digno dos grandes baixistas/vocalistas que todos conhecemos- aliada à inventividade dos arranjos sempre diferentes, mas com o cuidado de preservar a essência harmônica e melódica dos originais, e recheados de improvisos fluentes, me fez o queixo ir ao chão. Talvez com um pouco mais de sorte teriam uma trajetória semelhante a uma grande banda com a qual guardam algumas semelhanças estilísticas e que também iniciou-se nos bailes da vida, a Rare Earth.
Definitivamente, gostaria de estar ocupando uma boa mesa em uma birosca qualquer de Little Rock acompanhado de alguns amigos, vários pares de belas coxas e saboreando umas boas doses de bourbon ao som da Tight Fit.
Definitivamente, gostaria de estar ocupando uma boa mesa em uma birosca qualquer de Little Rock acompanhado de alguns amigos, vários pares de belas coxas e saboreando umas boas doses de bourbon ao som da Tight Fit.


