Mostrando postagens com marcador Dennis Coffey. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dennis Coffey. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de março de 2007

DENNIS COFFEY & The Detroit Guitar Band

Esse maluco aí com pinta de Frank Zappa de Wall Street é, simplesmente, um dos maiores ícones e o principal idealizador da guitarra funky tal como a conhecemos até os dias de hoje. Alguns estudiosos defendem a tese de que a Motown jamais deveria lançar qualquer coletânea (e existem várias) denominada 'Motown's Greatest Hits' mas, sim, 'Dennis Coffey's Greatest Hits'. Exageros a parte, vamos ao que interessa.
Dennis Coffey, natural de Detroit, berço e túmulo da Motown, iniciou sua carreira como músico de estúdio ainda em finais dos anos '50 com apenas 15 anos(!!!) e, já no início dos '60, liderou os The Royaltones, banda de apoio de Del Shannon. Contratado por aquela gravadora, passou a fazer parte dos Funk Brothers, lendária banda de estúdio que gravou quase todas as bases dos maiores sucessos do selo de motor city. Foi por essa época que Coffey introduziu o wah-wah na soul music e no funk, este último ainda engatinhando. Em 1968 lançou, de forma obscura, seu primeiro álbum, 'Hair and Thangs'.
Sua fama como guitarrista, compositor, arranjador e produtor despertou o interesse da Sussex Rec., que ofereceu-lhe a oportunidade da gravação de seu segundo álbum solo. Naquele momento, nasceu a Dennis Coffey & The Detroit Guitar Band e o álbum 'Evolution'(70), um marco no funky instrumental e de onde saiu o hit 'Scorpio'. Neste álbum, todo gravado direto, ao vivo no estúdio, quase sem overdubs, Coffey pôs em prática o conceito de transpor, na medida do possível, o naipe de metais, e seus fraseados característicos, para a guitarra. Para tanto faziam ainda parte da banda outros dois guitarristas, entre eles o excelente discípulo Ray Monette (Rare Earth, uma das bandas prediletas da casa) que, juntos emulavam um naipe de metais -uma guitarra fazia o timbre de soprano, outra o tenor e uma terceira o barítono. O resultado é fantástico, a despeito de os estúdios da época não estarem preparados para tanta ousadia.
Em seguida o sucesso -e minha música predileta- 'Taurus' do álbum 'Goin' For Myself'. Continuou, e continua até hoje, gravando álbuns solo e trabalhando como session man, sendo requisitadíssimo, até mesmo, por cantores(?!) de hip-hop. E ainda lidera um prestigiado combo de jazz.
Querem uma pequena amostra de algumas pérolas do soul e do funky em que sua guitarra e seu gênio criativo estão presentes? Então, vamos lá: 'Somebody's Been Sleepin In My Bed'(100 Proof), 'Hang In Ther Baby'(Johnny Bristol), 'Devil's Gun'(C.J. & Company), 'Give Me Just A Little More Time' e 'Pay To The Piper'(Chairman Of The Board), 'In The Rain' -a maestria de um antológico wah-wah utilizado em uma soul ballad- e 'What You See Is What You Get'(The Dramatics), 'Still Waters Run Deep'(The Four Tops), 'That's The Way Love Is' e 'I Want You'(Marvin Gaye), 'Body Heat'(Quincy Jones), 'I f I Were You Woman'(Gladys Knight & THe Pips), 'I Wanna Testify'(Parliament) e 'Funkadelic' -ééééé!!! essa foi surpresa, né?- (Funkadelic), 'Band Of Gold'(Freda Payne), 'It's A Shame'(The Spinners) -um dos fraseados mais lindos de guitarra que conheço, 'SOS(Stop Her On Sight)' e 'War' (Edwin Star), 'These Eyes' e 'What Does It Takes'(Jr. Walker & The All Stars), quase tudo que foi gravado pelos The Temptations em sua fase psicodélica, etc, etc, etc... Ufa! Estas são as que eu conheço.
Basta dizer que o 'produtor dos produtores' do r&b, Norman Whitfield, não abria mão de seus serviços, principalmente de sua 'assinatura' no cry-baby.
O que estou dividindo com vocês é uma coletânea, pescada na rede, dos seus três primeiros álbuns com a DGB -os dois já citados e 'Electric Coffey'(72)- pela Sussex. Sei que é muito pouco -é só o que disponho- pois um dos meus sonhos de consumo é obter toda a sua discografia. Se alguém souber de algum link...
É, simplesmente, I-N-D-I-S-P-E-N-S-Á-V-E-L!