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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

LYNNE JACKAMAN



E, finalmente, uma das divas prediletaças da casa lança um novo trabalho. Desta vez, o primeiro álbum solo da ex-frontwoman da Saint Jude, banda que, apadrinhada por Ron Wood e muito elogiada por Jimmy Page, conseguiu lançar apenas um belíssimo álbum em 2010 e um EP no ano seguinte, antes que o câncer levasse um de seus integrantes mais importantes, Adam Green, e, aos poucos, apesar da ajuda de diversos amigos músicos e fãs, acabou por definhar.
Mas, mesmo nos piores momentos, Lynne Jackaman jamais desistiu de seguir a bandeira do rock'n'soul empunhada por sua banda anterior e, após um EP -'No Halo' (2012)- sob a alcunha de Jackaman e dificílimo de encontrar boiando na rede, exatos 10 anos após, esta 'lil' blondie Aretha' conseguiu, enfim, lançar 'One Shot', há poucos dias. Quase que totalmente registrado nos lendários estúdios FAME, em Muscle Shoals, Jackaman fez valer, e muito!, cada segundo investido -a maior parte financiado via crowdfunding- naquele monumento à história da música mundial. Senão, vejam só o time de session stars -nada mais, nada menos que uma parte da Muscle Shoals Rhythm Section, a nata dos profissionais de estúdio- que a ajudou a obter a sonoridade vintage, mas nunca retrô, que desejava: Spooner Oldham, organista de 9 entre 10 sucessos do r&b, desde meados da década de 60; Clayton Ivey, tecladista predileto de Aretha Franklin e com bons serviços prestados a Boz Scaggs e Gregg Allman, entre muitos outros; o fantástico Bob Wray, baixista de Ray Charles e BB King; o genial Will McFarlane, de longa estrada com Bonnie Raitt e, como não poderia deixar de ser, a prata da casa, The Shoals Sisters, backing vocals para, entre tantos outros, Alicia Keys e Etta James. E a produção de Jamie Evans, com engenharia do cracaço Wayne Proctor, tornou tudo ainda mais fácil.
A receita de 'One Shot' é muito simples...e perfeita! Grandes canções, com refrões ganchudos, equilibrando pancadas de sacodir assoalhos, como 'Supernasty', lançada ainda como EP promocional em 2019, 'Nobody's Fault (But Yours)', 'Red House', 'Sooner Or Later' (primeiro single), a faixa-título e, ainda, uma surpreendente 'Nothing But My Records On', um poderoso tributo ao Philly Sound, com belas baladas, do porte de 'On Your Own Now', 'On My Own Stage' e, principalmente, a arrepiante 'Beautiful Loss'. Acrescentei, como faixa bonus, uma incrível versão para o sucesso de Marc Ronson (feat. Myley Cyrus), 'Nothing Breaks Like A Heart'.
Divirtam-se e...afastem os móveis da sala e ouçam alto pra caralho!!!


segunda-feira, 17 de abril de 2017

SAINT JUDE-DIARY OF A SOUL FIEND (2010/G&B Custom Edition) / Repostagem


Aproveitando um pedido de repostagem, serve também como aperitivo para um novo álbum, a ser gravado no lendário Muscle Shoals Studios, previsto para muito em breve.

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Originalmente publicado em 04.10.2010.

Há aproximadamente 6 meses tento -como um completo imbecil que acredita em Papai Noel  e Coelhinho da Páscoa- postar a discog desta banda. Explico: perdidamente apaixonado por este 'Diary Of a Soul Fiend' (e sua talentosa e gostosíssima vocalista), desde já candidataço a figurar em qualquer lista de melhores do ano, resolvi pesquisar sobre a banda e deparei-me com uma completa rede de desinformações só comparável à criada por CIA e KGB na época da Guerra Fria. Encontrei mais de uma dúzia de discos atribuídos à banda e, é claro, aquele site cujo nome recuso-me a pronunciar (ou digitar), e que costuma servir de referência aos neófitos, foi o campeão absoluto no quesito. Refinando um pouco mais, cheguei a encontrar uma afirmação na Amazon da existência de um EP -'The Mountain'- anterior a este e lá fui eu em minha jornada internet adentro atrás de um link vivo para esta raridade e...nadica de nada! Só sosseguei quando decidi entrar em contato com a banda e tive garantias de que nunca haviam lançado nada antes deste magistral exemplar de roquenrou nas veias. Muito solícitos, ainda me enviaram uma bio lavrada em cartório para comprovar.


Formada em 2006 das cinzas da Soul Fiends (por que mudaram de nome se este era tão bom?) por Lynne Jackaman (vocais), Adam Greene (guitarras), Jo Glossop (teclados), Colin Palmer (baixo) e Lee Cook (bateria), a Saint Jude tem no mix de bandas seminais dos sixties e seventies e aquela veia blues/soul/r&b de uma Aretha Franklin e Maggie Bell o ponto forte de seu som. A respeito disso, já li declarações simplistas dando conta de serem como um Black Crowes de saias. A verdade é que fazem rock com erre maiúsculo e foi com esta imensa qualidade, traduzida em composições ganchudas e encharcadas do feeling da excepcional voz de Lynne (prestem muita atenção nessa gata!), que acabaram caindo nas graças do legendário produtor Chris Kimsey que, após uma apresentação em um club londrino onde são residentes, imediatamente os colocou debaixo de suas asas e resolveu produzi-los. Instigado por Kimsey, Ron Wood foi assistí-los e...caiu de quatro -e não graças a algumas boas doses de whisky a mais. Tanto foi que, não satisfeito em apenas participar de jams e dar canjas em diversas apresentações da banda, gravou o slide da faixa 'Gardens Of Eden'. Desde então, a Saint Jude vem arrebatando a admiração de ícones como Jimmy Page, Mick Jones e Mike Scott, entre muitos outros.
Agora só falta você.