Doris Curry (ou Doris Willingham ou Doris Logan ou, simplesmente, Doris Duke) é um daqueles grandes mistérios da indústria musical, ou de como seus preguiçosos executivos não souberam trabalhar um dos grandes talentos da soul music, acabando por calar uma voz que tinha tudo para figurar entre as grandes de sua geração. Vocês já ouviram esta história antes, eu sei, mas poucas foram as vezes que a negligência nos privou de tanto.
Desde muito cedo acostumada a demonstrar seus dotes nos cultos dominicais da igreja da pequena Sandersville, Georgia, Doris logo passou a integrar grupos gospel profissionais e excursionar com regularidade. Diz-se que chegou a gravar inúmeras demos para a Motown enquanto alcançava um certo renome como backing vocal, chegando a trabalhar com Nina Simone em seu aclamado 'A Very Rare Evening'. Alguns singles sem sucesso com o sobrenome de seu primeiro casamento - Willingham - chegaram a ser lançados por uma gravadora sem expressão.
Por conta de seu incansável trabalho, ganhou em Jerry 'Swamp Dogg' Williams, Jr., renomado produtor ligado ao northern soul, um grande admirador, e sessões do que comumente passaria a ser conhecido por deep soul começaram a ser obsessivamente gravadas. Toneladas de emoções em letras descrevendo irremediáveis dores de cotovelo em títulos tão sugestivos quanto 'Ghost Of Myself', 'Divorce Decree', 'He's Gone' e do que viria a tornar-se sua obra mais conhecida e também primeiro single já como Doris Duke, 'To The Other Woman (I'm The Other Woman)', terminaram por fazer com que 'I'm A Loser', lançado em 1968 pelo pequeno selo Canyon Rec., fosse recheado de críticas efusivas - algumas elevando-o ao patamar de obra-prima - mas sem obter o mesmo resultado em vendas, em muito devido à pouca capacidade de distribuição. Para uma gravadora independente já recheada de dívidas, foi o golpe de misericórdia.
Mas 'Swamp Dogg' acreditava cegamente no talento de Doris e não se conformava com o fracasso de 'I'm A Loser' e novas sessões tiveram andamento com vistas a um segundo álbum e o ano de 1971 testemunhou o lançamento - novamente por um pequeno selo, Mankind Rec. - do profético 'A Legend In Her Own Time', mais um trabalho impecável e reverenciado pela crítica mas com as tradicionais baixas vendagens normais a um selo sem representatividade.
Desiludida com o mercado, Doris dedica-se integralmente à criação de seus pequenos filhos de um novo casamento e a singles esparsos. Mas a aura cult adquirida com aqueles trabalhos levou-a ao lançamento de um álbum exclusivo para o mercado inglês - 'Woman' - em 74, agora com o sobrenome Logan emprestado de seu segundo marido. E foi este status que lhe garantiu a constante revisitação de sua obra e o resgate em CD de todas as suas gravações daquele período, reunidas pela Ace Rec. (selo Kent Soul) em 2005 e agora disponibilizadas aqui no meu, no seu, no nosso G&B.
Mas 'Swamp Dogg' acreditava cegamente no talento de Doris e não se conformava com o fracasso de 'I'm A Loser' e novas sessões tiveram andamento com vistas a um segundo álbum e o ano de 1971 testemunhou o lançamento - novamente por um pequeno selo, Mankind Rec. - do profético 'A Legend In Her Own Time', mais um trabalho impecável e reverenciado pela crítica mas com as tradicionais baixas vendagens normais a um selo sem representatividade.
Desiludida com o mercado, Doris dedica-se integralmente à criação de seus pequenos filhos de um novo casamento e a singles esparsos. Mas a aura cult adquirida com aqueles trabalhos levou-a ao lançamento de um álbum exclusivo para o mercado inglês - 'Woman' - em 74, agora com o sobrenome Logan emprestado de seu segundo marido. E foi este status que lhe garantiu a constante revisitação de sua obra e o resgate em CD de todas as suas gravações daquele período, reunidas pela Ace Rec. (selo Kent Soul) em 2005 e agora disponibilizadas aqui no meu, no seu, no nosso G&B.
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