segunda-feira, 29 de agosto de 2016

TRIXIE WHITLEY


Como agosto não é apenas o mês de aniversário do meu, do seu, do nosso G&B mas também o -instituído pelo comércio, é bem verdade- mês dos pais, nada mais justo que dar sequência a um período tão festivo -afinal, ainda estamos sob o impacto da Rio 2016- com a ainda curta discografia de Trixie Whitley. Sim, a filha de Chris Whitley, cujo trabalho foi disponiblizado na semana que passou.
E com apenas 2 EPs, que ficarei devendo, e 2 álbuns solo no currículo, além de inúmeras participações em álbuns de seu pai desde muito novinha, Trixie provou ter herdado não apenas sua invejável coleção de guitarras, violões, amplificadores e equipamentos mas, principalmente, o talento na construção e interpretação de belas melodias e harmonias.


Nascida durante o exílio belga de seu pai, Trixie provou-se um prodígio, um furacão movido a manifestações artísticas as mais variadas, não importando como e/ou de onde surjam. Não à toa, aos 11 anos já se apresentava em companhias de teatro e aos 13 excursionava como dançarina, cantora, atriz e musicista em uma companhia de dança. Não contente com isso, ostentou o título de mais jovem DJ da Europa. É fácil supor que os estudos formais logo se tornariam um estorvo e, já aos 17, a bela loirinha de temperamento forte e voz tão potente quanto cheia de personalidade abandonou a escola para dedicar-se exclusivamente às suas grandes paixões. E canções jorravam, notadamente após a morte de seu pai, em 2005, ao mesmo tempo que seu nome tomava rumo próprio e caia nas graças de músicos do porte de M'Shell, que produziu seu primeiro EP, 'Strong Blood', em 2008. Em 2009, 'I'd Rather Go Blind', produzida por Daniel Lanois para seu novo EP, 'The Engine', teve seu making of registrado em vídeo e, tão logo editado e publicado, viralizou pelas redes sociais e, assim, surgia a Black Dub, banda que chegou a lançar um álbum em 2010. Por 2 anos, Trixie dedicou-se a excursionar com a banda e participar de algumas produções como atriz, enquanto compunha material para seu primeiro álbum, 'Fourth Corner', só concretizado em 2013 e arrancando reverências da crítica face ao inusitado mix de suas origens blues/soul à sonoridade sombria, por vezes melancólica, mais próxima de um Nick Cave. De seu pai, herdou a divisão muito peculiar e o uso singular, e em doses bem homeopáticas, de microtons. Os destaques ficam com 'Pieces', 'Breathe You In My Dreams', 'Oh, The Joy' e a faixa-título.
Em 2015 lança 'Porta Bohemica', um tanto mais ensolarado -pero no mucho!-, destacando-se 'Closer', 'Eliza's Smile', 'The Visitor', 'Soft Spoken Words' e 'New Frontiers', um sucessor natural e mais maduro. O mais importante, aqui, foi a confirmação do talento autoral de Trixie.
Papai Chris, certamente, estaria muito orgulhoso...









segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CHRIS WHITLEY

E seguindo com as comemorações de 10º aniversário do meu, do seu, do nosso G&B, não poderia deixar de fazer uma postagem dedicada ao meu gênero musical predileto, inesgotável manancial de quase toda a música popular produzida neste lindo e maltratado planetinha azul: o blues. Desta vez, trazendo a discografia selecionada de um de seus representantes mais cultuados -e menos conhecidos do grande público.
Nascido em Houston em 1960 de pai diretor de arte e mãe escultora, Chris Whitley iniciou-se na guitarra somente aos 15 anos, após embriagar-se do blues e do folk através das estações de rádio dedicadas a estes segmentos, sintonizadas por seus pais em suas inúmeras residências e viagens ao longo de sua infãncia e adolescência, de Dallas a Vermont.
No início dos 80, carregando apenas seu resonator, um pequeno amplificador e um bottleneck, resolve aportar em New York e tomar as ruas de assalto com apresentações que chamavam a atenção do público e de parte da inteligentzia musical da cidade, incluindo o experimentalista Arto Lindsey, que o escalou para gravações e apresentações conjuntas. Logo, resolveu seguir para a Bélgica e de lá espalhar-se pela Europa, onde gravou com diversas bandas por quase 7 anos. De retorno à Big Apple, caiu nas graças de Daniel Lanois, que o havia assistido em um club em que era residente, e o recomendou à Columbia Rec., por onde gravou 'Living With The Law' em 91, emplacando 'Big Sky Country' e a faixa-título, e jogando tudo para o alto logo em seguida. 
A partir de então, seguiu-se uma carreira independente e errática, porque genuína e sem concessões ao mercado. Dono de um estilo singular e usando afinações as mais diversas -algumas desenvolvidas por ele-, Whitley amealhou admiradores por onde passou, não limitado apenas ao blues/rock/folk mas também do jazz ao noise. Entre seus apaixonados admiradores encontram-se ícones tão díspares quanto Dave Matthews, Alanis Morrisette, Bruce Springsteen, Don Henley, Myles Kennedy, Iggy Pop, John Mayer, Joe Bonamassa, Bruce Hornsby, Tom Petty e, sim, ele mesmo, o 'imorrível' Keith Richards...dentre tantos outros.
Lamentavelmente, acometido por um severo câncer de pulmão, Chris Whitley veio a falecer em novembro de 2005. Mas seu legado merece sempre ser passado adiante. Estou apenas fazendo a minha parte.


















segunda-feira, 15 de agosto de 2016

BLUES PILLS-LADY IN GOLD (2016)

E a banda que já há algum tempo tomou de assalto os players de todo hardeiro de responsa, lança seu segundo álbum, primeiro composto por material integralmente inédito. Uma vez mais produzido por Dan Alsterberg, 'Lady In Gold' incorpora novos elementos ao blues rock clássico da Blues Pills, entre os mais notáveis uma forte pitada de lisergia à west coast, um pouco mais da soul music pela qual Elin Larsson é profundamente influenciada e -boas, por sinal- intervenções de pianos, Hohner Clavinets, Mellotron e, principalmente, Hammond B3
Abrindo os trabalhos já com a chiclete faixa-título, a produção caprichada mas enxuta, domou um tanto demais as guitarras 'kossofianas' de Dorian Souriaux, mas a qualidade das composições e o esmero na busca dos climas e timbres mais adequados reduziram sobremaneira qualquer efeito ruim que esta decisão pudesse trazer. A verdade é que, como em seus lançamentos anteriores desde 2011, quando se agruparam para a difícil tarefa de manter uma banda multicultural, o ouvinte será tomado de assalto pela voz de Larsson e pela proposta sempre recheada de ótimas intenções em cada nota. A saudar, também, a entrada de André Kvarnström -um monstro!- em substituição a Cory Berry.
Acredito que boa parte dos admiradores de primeira hora estranhará um pouco esta nova proposta, mas, passado um leve susto inicial, a considerei extremamente saudável, até para comprovar que a banda, formada por músicos bem acima da média, reuniria condições de formatar arranjos mais sofisticados e produção mais limpa sem necessariamente descaracterizar-se em suas proposições básicas. Muito provavelmente, para o próximo trabalho, conseguirão chegar a um híbrido ainda mais consistente e, de quebra, acrescentarão muitos outros elementos. É a trajetória normal de uma banda e nem mesmo tempos de comunicações a velocidades medidas em gigabytes pode alterar. E petardos do porte de 'Little Boy Preacher', 'Burned Out', 'Won't Go Back', 'Elements And Things', 'Bad Talkers' e, meu momento predileto, a sequência matadora 'I Felt A Change'/'Gone So Long', como que formando a 'Stairway To Heaven' que toda banda almeja escrever um dia, são capazes de fazer a felicidade de qualquer mortal.
O tipo de álbum que cresce -e muito!- a cada nova audição...





domingo, 7 de agosto de 2016

AHA!...UHU!...Ô G&B EU VOU COMER SEU...BOLO!!!

O meu, o seu, o nosso G&B está comemorando 10 invernos. E desta vez dividindo as atenções do país com os Jogos Olímpicos Rio 2016 -mas fontes fidedignas apontam uma ligeira vantagem para este simpático blog brenfoetílicomusical.
E para abrir as comemorações, nada mais justo que a repostagem dos links para a discog de uma das bandas emblemáticas do rock, Grand Funk Railroad, de enorme sucesso quando publicada à época de nosso primeiro aniversário, como prato principal das comemorações.  
Sem mais, faço minhas todas as minhas palavras abaixo. 

E VAMO FAZÊ FUMAÇA!!!

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Originalmente publicado em 07.08.2007.



Caramba!, parece que foi ontem que decidi, espelhando-me no Lágrima Psicodélica, criar esse espaço de compartilhamento de música e cultura em geral. No entanto, um ano já se passou e continuo despendendo uma grande parcela do meu tempo para disponibilizar, em doses mais ou menos homeopáticas, meu acervo de mais de 8000 ítens continuamente em expansão.
Quando aquele garoto de 7 ou 8 anos que dormia com o radinho de pilha escondido embaixo do travesseiro sintonizado na 860Mhz-Rádio Mundial, onde rolava o programa do lendário Big Boy, absorvendo por osmose -na verdade, quase que uma lobotomia- aquele universo musical fantástico dos finais dos anos 60 imaginaria que, hoje, passados mais de 40 anos, estaria fazendo, mal comparando é claro, o mesmo com outras pessoas ávidas, como aquela criança, por descobrir coisas novas, recuperar discos perdidos em um baú de memórias afetivas e, o principal, trocar experiências sobre um assunto verdadeiramente inesgotável? Ainda fico extasiado com o fato de sermos milhões a fazer isso!
É muito gratificante poder deixar a porta de minha casa aberta a todos e obter um retorno tão significativo de pessoas as quais, em sua esmagadora maioria, não conheço e que tornam-se cúmplices na saborosa subversão de disseminar cultura e conhecimento. Bem, é verdade que algumas passamos a conhecer a fundo, mesmo que não físicamente, porque a música e a cultura de uma maneira geral possuem um surpreendente poder aglutinador.
Gallera, gostaria de agradecer pracaralhoabeça a força que me têm dado pois sem vocês não teria a menor graça. Não vou citar nomes pois o avançado da idade poderia fazer com que esquecesse alguém e odeio ferir suscetibilidades mas, de coração, TODOS são a força motriz do GRAVETOS & BERLOTAS e, assim, esse aniversário também é de vocês. Então é chegada a hora de desembrulhar os presentes e...


VAMU FAZÊ MUITA FUMAÇA!!!!


GRAND FUNK RAILROAD



Acho que com este post vou fazer a felicidade de muitos por aqui. Sim, porque há muito tempo vem sendo solicitada uma discog completa desta que se autointitula uma banda americana por excelência. E, de fato, é merecedora esta reverência por grandes serviços prestados até porque, em sua formação clássica ou na fase 'turbinada' com Craig Frost, manteve uma incrível estabilidade, em popularidade e qualidade, no hard rock estadunidense. Isto posto, nada mais justo que, humildemente, dar-me a honra de ter a Grand Funk Railroad como postagem de aniversário deste modesto espaço brenfoetílicomusical carinhosamente batizado Gravetos & Berlotas.
E agora, um pouco da trajetória desta verdadeira instituição do rock norteamericano. Afinal, they're an american band.
A Grand Funk Railroad surgiu em 69 das cinzas de Terry Knight & The Pack quando Mark Farner (vocais/guitarra) e Don Brewer (bateria/vocais) juntam-se a Mel Schacher (baixo) e, inspirados no nome de uma conhecida ferrovia e tendo seu antigo parceiro Terry Knight como agente e produtor, apresentam-se no Atlanta Pop Festival, obtendo uma intensa acolhida e já praticamente assegurando o título de banda com o maior volume de som do rock. O estouro foi tão incisivo que 'On Time', seu primeiro álbum, vendeu mais que qualquer outra estreia de uma banda americana até aquela época. Quando 'Grand Funk', ou 'Red Album', foi lançado quase que simultaneamente àquele, a banda tornou-se um verdadeiro fenômeno de vendas fazendo com que batessem o recorde de velocidade de lotação do Shea Stadium, antes pertencente a uma outra banda, de menor porte é verdade...acho que seu nome era The Beatles, ou algo assim. Bom, só para que tenham uma ideia, em apenas seus 5 primeiros anos de vida lançaram 8, é isso mesmo!, O-I-T-O álbuns. E todos venderam pra....é isso.
Os terceiro e quarto trabalhos, 'Closer To Home'(70) e 'Survival'(71), cumpriram a ingrata tarefa de manter a popularidade da banda em alta preparando o pulo do gato para 'E Pluribus Funk'(71), também conhecido como 'disco da moeda', uma virada no som com petardos mais impregnados ainda de r&b. Não há uma só faixa ruim em quaisquer das faces desta moeda. Desnecessário dizer que vendeu como pretzels em noites mornas de verão. Neste instante, como nem tudo são flores em nenhuma carreira, tem início um dolorido embate financeiro e jurídico com Knight, envolvendo até mesmo os direitos de marca.
O próximo passo da GFR seria assumir as rédeas da produção de seu próximo álbum e assim nasce -ou seria renasce?- 'Phoenix'(72), um subestimado e delicioso álbum com uma espetacular faixa de abertura instrumental servindo de abre-alas à efetivação de um antigo colaborador, Craig Frost, nos teclados -principalmente, no Hammond B3. Como se não bastasse, tem uma das capas mais lindas e emblemáticas que conheço.
Bem, a partir daqui todos devem estar pensando: 'Mermão, não tem mais pra onde os caras crescerem. Agora, deve começar a decadência'. É, normalmente seria assim, se não tivessem convocado Todd Rundgren para produzir um daqueles grandes momentos do rock: 'We're An American Band'(73). Totalmente recheado de clássicos, e puxado pela faixa-título, tem também uma das piores -e por isso mesmo também uma das mais emblemáticas- capas que conheço.
A esta altura, Mark, Don, Mel & Frost já possuiam até jato próprio. Para 'Shinin' On'(74) mantém a parceria com Rundgren -pra que mexer em time que tá ganhando?- e invadem as rádios com o cover de 'The Loco-motion', que acabou por tornar-se mais conhecido que o original de meados dos sixties. Mas e a faixa-título? Que pancada! Que riff! Que groove! Que aula de produção!
Mais uma vez -afinal, poucos aguentam o gênio de Todd Rundgren- resolvem dar uma virada no som e convocam o experiente mas burocrático Jimmy Ienner para trabalhar 'All The Girls In The World, Beware!'(75) que apenas mantem o pique de exposição da banda com mais um cover de sucesso, desta vez 'Some Kind Of Wonderful', o ao vivo 'Caught In The Act'(75) -um excelente registro de uma banda em seu apogeu- e o que deveria ser o canto do cisne, 'Born To Die'(76).
O que adiou o epitáfio foi o fato de que, após insistentes convites por anos, Frank Zappa finalmente manifestou interesse em produzir um álbum para a banda. E assim, dessa inusitada parceria, surge 'Good Singin', Good Playin''(76), um excelente álbum em que Zappa conserva a essência da banda, guardando uma certa distância e evitando até mesmo seus próprios maneirismos -apesar de, claramente, perceber-se alguns efeitos trangessores do mestre aqui e ali.
E esse foi o fim da Grand Funk Railroad, ou apenas Grand Funk, em sua fase clássica. E teria sido uma das mais dignas despedidas, pois ainda vendiam muito e seus shows mantinham-se totalmente sold-out, se não tivessem resolvido retornar com um line-up totalmente desfigurado em 81 em um álbum com o sugestivo, e infeliz, título de 'Grand Funk Lives!' e ainda persistido com 'What's Funk?', de 83.
A partir daí, Craig e Don vão para a Silver Bullet Band de Bob Seger, Mel não faço a menor ideia e Mark tornou-se artista de Cristo!!!!
Claro que essa lambança não poderia ficar assim por muito tempo e, em 1996, todos se reencontraram para uma série de concertos que culminariam com o lançamento do ao vivo 'Bosnia' demonstrando em definitivo que os caras não perderam a mão. É pau dentro de uma banda puramente americana, com toda a certeza!





































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