
Sempre que o tempo me permite, saio buscando algo em termos de
rock brazuca que me tire o gosto amargo da impotência frente a -mesmo com enormes facilidades de divulgação via grande rede, de algumas conceituadas escolas de música pouco devendo às gringas, todo um arsenal tecnológico que eu, crias de tempos tão jurássicos quanto criativos, sequer sonhei dispor (tive uma
Les Paul Gold Top a duríssimas penas) e outras
leverages- cena musical tão deprimente quanto a que hoje presenciamos. Claro que sei que a batalha é ainda muito árdua -não se esqueçam que militei neste sacerdócio e passei muito
perrengue por
18 lindos e divertidos anos-, principalmente quando nos deparamos com painel tão desolador mas, sinceramente, acho que temos o dever de fazer melhor. Mas, salve!, às vezes dou com as fuças em algo muito interessante. E o que descubro, vocês bem sabem, divido com os parceiros.
E desta vez são 2 as bandas que me vêm chamando a atenção pelo profissionalismo, capricho, criatividade, honestidade de propósitos, entre muitos outros atributos além de potentes
riffs de entorpecer os tímpanos. Em resumo, bandas prontas. Tão prontas que já estão chamando a atenção da gringalhada e pelo menos uma delas já tem verbete em inglês na
Wikipedia (
ok, não é grande coisa mas considero melhor que no
AllMusic). Mas, então, caí em um dilema: qual delas
postar primeiro? Resolvi tirar no 'gravetinho' (alternativa canábica ao nosso velho conhecido 'palitinho') e deu
MindFlow na cabeça! Melhor assim, visto fazer justiça ao dito 'antiguidade é posto' pois já rola no meu
player há bem mais de ano. Então, vamos a ela.
Conheci a
MindFlow de uma maneira rotineira em meus
50 anos de música: a bela arte gráfica de seu último trabalho,
'Destructive Device', de
2008. É isso mesmo, lá naquela lojinha já tão comentada por aqui em uma de minhas visitas rápidas ao seu sempre surpreendente saldão. No momento em que me deparei com aquele belo
digipack em
3 partes, envolto em uma proteção de
pvc transparente em sobreposição a uma imagem em tons de sépia dos integrantes da banda criando um interessantíssimo efeito e um riquíssimo encarte, a minha curiosidade foi desafiada. Ainda sem nada saber da banda, coloquei a bolachinha para rolar e...uau!...só consegui pensar na excelente relação custo benefício; afinal, 5 merréu por um produto produzido com tanto esmero é um esculacho, né? E ainda com 2 faixas, na realidade prólogos, em
binaural de derreter
subwoofer? Fiz o que devia ser feito: paguei e não me arrependi. Surpreso com a qualidade do material, na verdade a continuação de um conceito iniciado ainda no álbum anterior e do qual falaremos mais tarde, pesquisei o máximo que pude e descobri -além do fato de que esse disco só viria a ser lançado
15 dias depois- que a banda criada em
São Paulo no ano de
2003 por
Danilo Herbert (vocais),
Rodrigo Hidalgo (guitarras),
Miguel Spada (teclados),
Ricardo Winandy (baixo) e
Rafael Pensado (bateria) já estava bombando desde o lançamento de seu primeiro trabalho, o conceitual (uma constante em seus discos até o momento)
'Just The Two Of Us...Me And Them'(
2004) que, lançado em
64 países, ainda é o disco mais vendido da banda e rendeu-lhes uma projeção efusiva entre os gringos (e não estou falando só de
Japão, aquele país que devora tudo que se lhes aparece pela frente), levando-os a frequentar os melhores festivais
all over the world. E não à toa pois, já aqui, o capricho e profissionalismo aliados a
riffs matadores e a um desempenho exemplar de toda a banda são de endoidecer gente sã, como diria o poeta.
E parece que administram muito bem suas carreiras pois, em
2006, lançam, já com produtora própria e uma excelente agenda, o mais ousado musical e conceitualmente
'Mind Over Body', que esconde um tremendo pulo do gato. Simplesmente, a bela ideia de atrelar um
game (
ARG),
'Follow Your Instinct', ao conceito do álbum criando, assim, uma comunidade totalmente devotada a desvendar os passos de um detetive em plena caçada a um
serial killer, além de manter os excelentes atributos de seu predecessor em todos os demais quesitos.
Mas, como se não bastasse, este ano os caras tiraram da cartola outra grande sacada. Como haviam previsto o lançamento de um novo trabalho apenas para setembro de
2010, resolveram disponibilizar -a partir de exato
1 ano antes- uma faixa por mês, perfazendo um total de
12 e com
3 já no ar, e, só ao final, lançar o produto físico, apropriadamente batizado
'365'. Segundo a banda, cada música servirá como um testemunho do período em que foi registrada, em todos os seus matizes. Certamente um projeto ambicioso e ousado, até pelo risco de não se conseguir uma unidade artística, e merece todo o meu respeito. Pensando bem, com talento, ousadia e criatividade, até que uma falta de unidade pode vir a ser muito interessante.