quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

QUE VENHA 2010!!!

E 2010 já está batendo à porta. E, como de hábito, fazemos um balanço do ano que fecha e chegamos à conclusão que não realizamos porra nenhuma que nos prometemos neste mesmo período do ano anterior. Simplesmente, como em todos anos, deixamos a vida nos levar. Parar de fumar? Voltar a malhar? Emagrecer? Trabalhar menos e dar mais atenção à família? Estes são apenas alguns dos compromissos mais comuns e dos mais difíceis de serem cumpridos. Portanto, para este novo ano só me prometo uma coisa: celebrar a vida! Até porque acredito que somente procedendo assim terei forças para cumprir os demais.
E para me proporcionar, e a todos os meus amigos e familiares, um ânimo extra, resolvi disponibilizar este pequeno exemplar de exaltação à alegria de viver, simplesmente pela constatação do quanto nossa vida é fugaz e, por isso mesmo, deve ser curtida com o máximo de intensidade. Este  simpático vídeo foi produzido em apenas 2:15h pelos alunos da Faculdade de Comunicação de Quebéc em um evento anual, e já tradicional na instituição, de recepção aos calouros. Ou seja, ao invés daqueles ridículos, humilhantes e violentos trotes aplicados em nossas universidades a título de rito de passagem, os alunos desta tradicional instituição nos proporcionam uma verdadeira aula de civilidade, criatividade e talento em um plano-sequência de exatos 4:55min. dificílimo de realizar e de efeito delicioso. 



No mais, desejo a todos um

2010
BOMPRACARALHOÀBEÇA!!!!!

E VAMU FAZÊ MUITA FUMAÇA!!!!!

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PS: e para os que estão chegando agora, não esqueçam desta dica - para os que desejarem uma festa mais roquenrou - ou desta para aqueles que preferirem algo mais black. Em ambos os casos, é certeza de pista cheia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ERRORHEAD-MODERN HIPPIE(2008)


Já que em várias oportunidades citei o nome de um guitarrista tcheco criado na Alemanha chamado Marcus 'Errorhead' Deml, propondo-o, inclusive,  para o posto de guitarrista da Them Crooked Vultures como possível  salvaguarda para que não cometam o mesmo papelão em um próximo trabalho -se houver- e muitos pareceram não conhecer o trabalho deste verdadeiro estilista do instrumento, resolvi disponibilizar o último exemplar de seu irregular projeto Errorhead para que possam tirar suas conclusões. Irregular porque, além de sazonal, começou, já Deml um session men dos  mais requisitados, com uma proposta carregada de eletrônica em 1998 em um álbum auto-intitulado que, inesperadamente, recebeu muitos afagos por parte da crítica. Fui apresentado a esse trabalho uns 2 ou 3 anos após seu lançamento, quando comecei minhas primeiras experiências com home-studio, através de um amigo também músico e maravilhado com os novos horizontes que a tecnologia se nos apresentava -mal sabíamos aonde chegaríamos e ainda vamos chegar. Achei-o interessante por ser exatamente um disco que soava como um trabalho desenvolvido em um estúdio caseiro e ainda cheio de limitações e, até por isso, à época muito me serviu de ideias para grooves, levadas, linhas de synth bass, etc. Mas, a bem da verdade, trata-se de um disco apenas mediano criado por um músico talentosíssimo, nada além disso.
Seguiram-se mais inúmeros trabalhos ao redor do mundo com artistas os mais díspares, de Snap! e Rick Astley a Bobby Kimbal e Kingdom Come, até o lançamento, após um hiato de 6 anos, de 'Errorrhythm' que, apesar de mais orgânico, mantinha uma proposta muito semelhante à de seu antecessor.



Após mais 4 anos desta rotina e um excelente projeto fusion com a Electric Outlet em 2006, Deml convoca uma banda de verdade -Robbie Smith (vocais), Frank Itt (baixo e presente também na Electric Outlet, além de músico da banda de Terence Trente D'Arby) e Zacky Tsoukas (bateria)- para a gravação de um novo trabalho da Errorhead e...acerta na mosca!!! Agora remontando às suas raízes hard bluesy e dosando muito bem os elementos eletrônicos presentes em demasia em seus trabalhos anteriores, esta nova configuração fez  de 'Modern Hippie' um álbum ímpar, perfeito de ponta a ponta nas várias linguagens que explora -bluegrass, power blues, r&b, raga, rag, psych, etc- sempre de forma pouco ortodoxa; afinal, Marcus Deml está longe de ser um purista. Não tem bola fora, até a ultra-pop 'Heaven' desce redondinha. Daí o título e o design do álbum integrarem-se de maneira tão perfeita ao seu conteúdo.
Pensando bem, retiro sua candidatura (vale frizar que totalmente involuntária da parte de Deml) a uma vaga na TCV pois anseio por um novo trabalho da Errorhead e um compromisso desta monta poderia adiar estes planos. Mas que seus timbres inusitados, criatividade, versatilidade e pegada negróide (acreditem, para um músico alemão este é um belo elogio) cairiam muito bem, disso tenho certeza.





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 Vídeos





sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PRÊMIO PALHOÇA 2009

Em uma data como esta muitos irão encarar este tão aguardado disco como um tremendo presente de grego; outros, se tiverem um mínimo de saco para ler estas tão mal traçadas linhas, vão me caçar para esquartejamento em praça pública com transmissão ao vivo para todo o globo terrestre e com recorde de visualizações no iutubiu. Relaxem, não se trata de nada disso pois 25 de dezembro é apenas mais um outro dia para mim. Para ser mais exato, o considero o ápice do período mais chato do ano. Sendo assim, não façam deste disco um presente mas, tão somente, o que ele realmente significa para mim: o infeliz resultado da comunhão de 2 grandes talentos contemporâneos -Josh Homme e Dave Grohl- com um dos maiores ícones de todos os tempos na música, John Paul Jones. Alguns até acharão que estou sendo exigente demais, e talvez até tenham razão, mas não dá para analisar de outra forma um trabalho que quanto mais ouço, menos gosto. Poucos discos neste meio século de música me causaram tamanha sensação de desconforto e desperdício de talentos. E não só porque levei muita fé nesta equação mas também porque o disco é mesmo ruim bagarai! Execução displicente, apesar de correta, e sonoridade embolada são apenas alguns dos 'atributos' deste autêntico 'mico'; contudo, o principal pecado deste disco reside no que, julgava eu, seria o maior trunfo do projeto: as (desinspiradas) composições. Sim, afinal Homme e Grohl são autores de mão cheíssima, grandes criadores de riffs e refrões grudentos mas...porra, onde foi parar toda aquela verve autoral??? Sejamos sinceros: a única faixa realmente audível é a totalmente zeppeliniana 'Reptiles'. Ok, 'New Fang' tem uma promissora intro mas desemboca em...lugar algum. Mais uma? Aaahhhnnn...tudo bem, vá lá, 'No One Loves Me & Neither Do I' é bacaninha também. Mas se tivesse que apontar um acerto seria o fato de Josh Homme estar mandando muito bem no gogó. Isto posto, considero muito pouco para um projeto deste porte e que gerou tanta expectativa. Antes que digam que esta (a expectativa) pode ter influido no meu julgamento, posso categoricamente afirmar, apenas tomando por base a enorme quantidade de excelentes trabalhos lançados por bandas estreantes nos últimos 3 ou 4 anos, que esse disco continuaria com o mesmo status para mim.
Bom, chega de bater em cachorro morto. Na verdade, ao contrário do fracasso que profetizei e confirmou-se para o projeto Queen + Paul Rodgers, ainda acho que podem reverter este patético quadro e adicionar um guitarrista para acrescentar novos elementos e encarregar-se de solos -voto em Marcus Deml- seria uma boa providência, só para começar. Some-se a isso seus principais compositores com, ao menos, 50% de suas capacidades criativas, e teremos, muito provavelmente, um belo álbum.
Enquanto isso não acontece, contentem-se com o prestigiadíssimo Prêmio Palhoça do ano.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

PRÊMIO RABO DE RAPOSA 2009

Mais um ano chegando ao fim e as listas de melhores do período começam a pipocar por todos os cantos. Como não tenho tempo nem saco para esse tipo de coisa, resolvi instituir o Prêmio Rabo de Raposa, destinado àquele veneno que abalou minhas estruturas no ano em curso, e o Prêmio Palhoça, obviamente destinado à mistura de orégano com merda de cavalo liofilizada criminosamente lançada no mercado durante o mesmo período.
E em um ano pródigo em excelentes lançamentos -'The Ballad Of John Henry' (Joe Bonamassa), 'Octahedron' (The Mars Volta), 'The Resistance' (Muse), 'Joy' (Phish), 'Brain Cycles' (Radio Moscow), 'The Pariah, The Parrot, The Dellusion' (dredg), 'God & Guns' (Lynyrd Skynyrd), 'Guillotine Drama' (Black Bonzo), 'Colour Me Free' (Joss Stone), 'Coming Up For Air' (Back Door Slam), 'Life Is A Big Holiday For Us' (Black Drawing Chalks), 'Good As Dead' (Grady), 'Shaka Rock' (JET), 'The Joker' (The Brew), 'Valhalla' (Stray), 'Bombardero' (White Cowbells Oklahoma), 'Mustasch' (Mustasch) e vamos parando por aqui pois, por mais que estenda essa lista, algo certamente ficará de fora cabendo a vocês engordá-la, se assim o desejarem- este ansiosamente aguardado petardo lutou bravamente cabeça a cabeça até o último instante com alguns dos relacionados, vindo a confirmar sua vitória no photochart quando do lançamento desta versão estendida, não à toa denominada Special Edition.
Mas qual o segredo desta bolachinha para conseguir tamanha proeza? Muito simples. Ela tem em profusão algo que considero condição sine qua non em qualquer bom álbum de qualquer gênero: excelentes composições. E qualquer disco com 16 perfeitos exemplares do melhor do hard/heavy contemporâneo torna-se um concorrente perigosíssimo. Agregue a isso o desempenho visceral de Andrew Stockdale e seus (novos) asseclas e a ampliação do leque de influências desde sua excelente estreia em 2005, apesar de ainda -excessivamente, em alguns momentos- dominados por vovô Ozzy e seu Black Sabbath, e estamos diante de um pequeno clássico.
Ainda esta semana, o G&B estará outorgando o Prêmio Palhoça 2009. Aguardem!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

GEORGE TERRY-GUITAR DRIVE(2004)


Esse viciante CD está com seu link levantado há mais de 6 meses e, apenas por minha conta ser Premium, ainda não foi deletado. O motivo da demora em disponibilizá-lo neste humilde espaço brenfoetílicomusical é somente por puro esquecimento. Imperdoável esquecimento. Afinal, estou falando de um dos músicos mais admirados por Eric Clapton, a ponto de ser considerado pelo próprio -com J.J. Cale- diretamente responsável pela mudança radical em seu estilo a partir de '461 Ocean Boulevard' de '74, em que, além de participar como músico, ainda contribuiu com 'Mainline Florida'. Na verdade, a partir de então passou a ser o guitarrista de sua banda de apoio em estúdio e palco e autor de vários sucessos do patrão, como a contagiante 'Lay Down Sally' de 'Slowhand', mesmo que em parceria, até 1978, quando foi substituido pelo fantástico Albert Lee.
Estes pequenos esclarecimentos fazem-se necessários pois, caso contrário, poderia vir a receber comentários acusando-o de imitar o estilo de Clapton. Se 'slowhand' influenciou em algo foi, simplesmente, em outorgar-lhe prestígio suficiente para tornar-se um dos session men mais bem pagos dos EUA.
Tenho tanta segurança da beleza deste seu único trabalho solo até o momento, que ouso lançar aqui um desafio: tirem esta bolachinha do player se forem capazes!




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

DR. CASCADURA-#1(1996)




E para fechar este set dedicado a bandas brazucas, vamos de Dr. Cascadura (née Cascadura). Tudo bem, eu sei que seriam apenas 2 bandas, mas lembrei do quanto me diverti (e continuo me divertindo) com esse disco à época de seu lançamento e resolvi trazê-lo também para cá.
E este foi mais um escolhido no balcão de saldos pelo velho método da capa. Neste caso, não porque fosse especialmente bonita, nada disso. Aqui, o que me chamou a atenção foi a estética vintage daqueles clássicos discos de blues; afinal, nada mais bluesy que um negão com um cigarro na boca e seu violão em uma das mãos em uma estação ferroviária perdida em algum lugar poeirento do Mississipi dos anos 40. A bem da verdade, o tal negão desta capa pode muito bem ser um pai-de-santo baiano ou percussionista da Timbalada e a estação provavelmente fincada nos confins de Salvador. Não, vocês não xuparam tóchico,  é isto mesmo: a Dr. Cascadura é da Baêa. Outra lembrança que me vem à mente de imediato foi minha surpresa diante do som que Fábio 'Cascadura' Magalhães (vocais), Toni Oliveira (guitarras), Ricardo 'Flash' Alves (guitarras), Cândido Souto (guitarras), Alex Pochat (baixo) e Jean Louis Franco (bateria) faziam espoucar pelos falantes já aos primeiros acordes de 'Nicarágua': "Puta que o pariu! Jacksonville é na Bahia!!! Habemus nosso Lynyrd Skynyrd!!! Alguém me traga um Jack (Daniels)!!!". É claro que, após uma audição mais acurada, percebi que outras influências setentistas se faziam presentes e até a aproximação com nossa querida Black Crowes era evidente. Está tudo aqui, da formação com 3 guitarras entrecortantes e perfeitamente timbradas ao irresistivel groove sulista, por mais improvável que possa parecer. Bem, se tomarmos por base que, geograficamente, Salvador situa-se ao sul da Georgia, pode até fazer algum sentido.
Lançaram, até o momento, 4 bons trabalhos mas, a cada novo disco e sempre com severas alterações na formação, estas raízes southern esvaiam-se -embora todos sejam muito bons no que se propõem- engolidas pelo sabor indie e, hoje, apesar do prestígio e da aura cult que colheram pelo caminho, são apenas um córrego do que um dia já foi um afluente do Ol' Mississipi pororocando no Velho Chico.






segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BLACK DRAWING CHALKS

Tendo perdido no 'gravetinho', sobrou à Black Drawing Chalks a segunda postagem de bandas brazucas que estão entre minhas apostas para voos maiores, aproveitando a -relativa mas já rendendo excelentes frutos- abertura do mercado para o rock estranho ao eixo USA/UK. E mais fora do eixo impossível já que essa galera bigoduda é de Goiânia e, também, totalmente fora do eixo RJ/SP. Na verdade, é até leviano apontar esta bela (e recheada das mais lindas morenas do país!) capital do centro-oeste como estranha ao nosso querido ninho roquenrou pois ali, já há algum tempo e em contra-partida ao pop modorrento que hoje avassala o sudeste, concentra-se um dos maiores pólos garageiros desse patropi e que ainda deve render outros bons frutos. Quem diria, de terra onde em se plantando só dá breganejo a celeiro roquenrou!!!
E foi assim, empurrados por um cenário já muito promissor em 2007, em muito devido à persistência da Monstro Discos, que Victor Rocha (vocal/guitarra) e Douglas Castro (bateria), alunos de design e integrantes do estúdio Bicicleta Sem Freio, coletivo de designers dos mais conceituados na região, convidam Denis Castro (baixo, irmão de Douglas) e Marco Bauer (vocal/guitarra) a criar uma banda onde pudessem liquidificar suas diversas influências, do stoner ao hard setentista ao garage indie ao power pop, com uma energia punk com alto teor de testosterona que somente garotos recém chegados aos 20 anos podem despejar. Antes da gravação de seu primeiro CD, a primeira e, até o momento, única alteração na formação: Renato Cunha nas guitarras e vocais em substituição a Bauer. E 'Big Deal' é lançado ainda em 2007 já mostrando todo o potencial do quarteto em excelentes riffs ora em low tempo ora em uma velocidade estonteante, mas sempre pesados, e com a concepção de mixagem stoneana* ajudando a dar o clima sujo na medida certa. Uma belíssima estreia. Tanto que os credenciou a uma muito bem recebida turnê por palcos canadenses.
A boa repercussão os faz ainda circular por todo o ano de 2008 pelos maiores festivais tupiniquins, alguns destes em sua própria cidade natal, como os já notórios Bananada e Goiânia Noise, e sempre entre as melhores atrações -Eagles Of Death Metal, Nashville Pussy e Motorhead são algumas- e colhendo resenhas as mais entusiásticas.
Aproveitando a deixa, ficou óbvia a necessidade de lançar um novo trabalho e, em maio de 2009, os carvões negros para desenhar tiram do forno o surpreendente 'Life Is A Big Holiday For Us'. Puxado pelo chiclete -quem não sair quicando com este petardo é ruim da cabeça E doente do pé- 'My Favorite Way' e seu delicioso clip, tomam de assalto a grande rede e chegam a ser indicados ao VMB 2009. Mas o CD ainda consegue a proeza de ter outras faixas tão boas ou melhores que esta e sempre embaladas por uma produção esmeradíssima em sua podreira e fidelíssima à concepção original da banda. Um discaço!
Uma bela aposta e um alento para o pífio cenário rock em nosso país.


* É denominada assim entre os profissionais de estúdio por ter sido muito empregada pelos Stones nos 60 e início dos 70 e consiste em enquadrar as vozes na mesma régua que os demais instrumentos.







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Video Clip

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MINDFLOW

Sempre que o tempo me permite, saio buscando algo em termos de rock brazuca que me tire o gosto amargo da impotência frente a -mesmo com enormes facilidades de divulgação via grande rede, de algumas conceituadas escolas de música pouco devendo às gringas, todo um arsenal tecnológico que eu, crias de tempos tão jurássicos quanto criativos, sequer sonhei dispor (tive uma Les Paul Gold Top a duríssimas penas) e outras leverages- cena musical tão deprimente quanto a que hoje presenciamos. Claro que sei que a batalha é ainda muito árdua -não se esqueçam que militei neste sacerdócio e passei muito perrengue por 18 lindos e divertidos anos-, principalmente quando nos deparamos com painel tão desolador mas, sinceramente, acho que temos o dever de fazer melhor. Mas, salve!, às vezes dou com as fuças em algo muito interessante. E o que descubro, vocês bem sabem, divido com os parceiros.
E desta vez são 2 as bandas que me vêm chamando a atenção pelo profissionalismo, capricho, criatividade, honestidade de propósitos, entre muitos outros atributos além de potentes riffs de entorpecer os tímpanos. Em resumo, bandas prontas. Tão prontas que já estão chamando a atenção da gringalhada e pelo menos uma delas já tem verbete em inglês na Wikipedia (ok, não é grande coisa mas considero melhor que no AllMusic). Mas, então, caí em um dilema: qual delas postar primeiro? Resolvi tirar no 'gravetinho' (alternativa canábica ao nosso velho conhecido 'palitinho') e deu MindFlow na cabeça! Melhor assim, visto fazer justiça ao dito 'antiguidade é posto' pois já rola no meu player há bem mais de ano. Então, vamos a ela.
Conheci a MindFlow de uma maneira rotineira em meus 50 anos de música: a bela arte gráfica de seu último trabalho, 'Destructive Device', de 2008. É isso mesmo, lá naquela lojinha já tão comentada por aqui em uma de minhas visitas rápidas ao seu sempre surpreendente saldão. No momento em que me deparei com aquele belo digipack em 3 partes, envolto em uma proteção de pvc transparente em sobreposição a uma imagem em tons de sépia dos integrantes da banda criando um interessantíssimo efeito e um riquíssimo encarte, a minha curiosidade foi desafiada. Ainda sem nada saber da banda, coloquei a bolachinha para rolar e...uau!...só consegui pensar na excelente relação custo benefício; afinal, 5 merréu por um produto produzido com tanto esmero é um esculacho, né? E ainda com 2 faixas, na realidade prólogos, em binaural de derreter subwoofer? Fiz o que devia ser feito: paguei e não me arrependi. Surpreso com a qualidade do material, na verdade a continuação de um conceito iniciado ainda no álbum anterior e do qual falaremos mais tarde, pesquisei o máximo que pude e descobri -além do fato de que esse disco só viria a ser lançado 15 dias depois- que a banda criada em São Paulo no ano de 2003 por Danilo Herbert (vocais), Rodrigo Hidalgo (guitarras), Miguel Spada (teclados), Ricardo Winandy (baixo) e Rafael Pensado (bateria) já estava bombando desde o lançamento de seu primeiro trabalho, o conceitual (uma constante em seus discos até o momento) 'Just The Two Of Us...Me And Them'(2004) que, lançado em 64 países, ainda é o disco mais vendido da banda e rendeu-lhes uma projeção efusiva entre os gringos (e não estou falando só de Japão, aquele país que devora tudo que se lhes aparece pela frente), levando-os a frequentar os melhores festivais all over the world. E não à toa pois, já aqui, o capricho e profissionalismo aliados a riffs matadores e a um desempenho exemplar de toda a banda são de endoidecer gente sã, como diria o poeta.
E parece que administram muito bem suas carreiras pois, em 2006, lançam, já com produtora própria e uma excelente agenda, o mais ousado musical e conceitualmente 'Mind Over Body', que esconde um tremendo pulo do gato. Simplesmente, a bela ideia de atrelar um game (ARG), 'Follow Your Instinct', ao conceito do álbum criando, assim, uma comunidade totalmente devotada a desvendar os passos de um detetive em plena caçada a um serial killer, além de manter os excelentes atributos de seu predecessor em todos os demais quesitos.
Mas, como se não bastasse, este ano os caras tiraram da cartola outra grande sacada. Como haviam previsto o lançamento de um novo trabalho apenas para setembro de 2010, resolveram disponibilizar -a partir de exato 1 ano antes- uma faixa por mês, perfazendo um total de 12 e com 3 já no ar, e, só ao final, lançar o produto físico, apropriadamente batizado '365'. Segundo a banda, cada música servirá como um testemunho do período em que foi registrada, em todos os seus matizes. Certamente um projeto ambicioso e ousado, até pelo risco de não se conseguir uma unidade artística, e merece todo o meu respeito. Pensando bem, com talento, ousadia e criatividade, até que uma falta de unidade pode vir a ser muito interessante.
















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Aqui, você será direcionado para as
faixas já lançadas até o momento...


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... e aqui, o clipe de 'Thrust This Game', primeira faixa do novo álbum.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ORANGE SHADING STARLIGHT(2007)

Esses italianos da Wicked Minds estão constantemente me surpreendendo. Como se não bastassem os 3 belos exemplares de hard rock lançados sob a própria égide, ainda desatam a deflagrar projetos paralelos, um deles já publicado aqui. A diferença é que esse foi o primeiro destes projetos e, decididamente, o mais psicodélico em seus 6 temas divididos em 2 partes, 'Red Shades' e 'Orange Starlight', onde a tônica é a perfeita sinergia entre todos os integrantes em longas jams geradas a partir de meros fiapos de temas para lá de lisérgicos. Em alguns momentos, percebe-se até mesmo elementos de post rock misturados a esse enorme cogumelo de zebu. A esta altura, creio eu, muitos aqui já devem estar com a sensação de que a audição deste disco não será das mais fáceis. Bem...aê, varêia...



PS: 1.Aos guitarristas de plantão: altamente recomendado para umas esmerilhadas,
principalmente se tiverem aos seus pés alguns itens básicos como phaser, univibe, reverb, echoplex*, crunch fuzz e até mesmo um toque menos vintage de um whammy;

2.Agradecimentos ao parceiro Fábio Guerreiro pelo caminho das pedras.


*Pode ser substituído por um Boss DD-6, quase que com a mesma excelência de resultados.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

FORA DO EIXO III:DISCUS/Indonésia

Não pensem que essa excelente banda indonésia trata-se de apenas mais um festival de música estranha para gente esquisita. Apesar e por conta da utilização, além da formação clássica de guitarra/baixo/bateria, de algum ferramental típicamente indonésio e da pluralidade de informações que séculos de colonizações das mais variadas certamente agregaram à sua sonoridade, a música da Discus é estranhamente assimilável com muita facilidade, ao menos aos meus ouvidos, mesmo nas passagens musicalmente mais complexas e/ou quando se expressam em sua língua natal. Pouco consegui descobrir acerca de seus 8 integrantes, liderados pelo respeitadíssimo, pelo que apurei, Iwan Hassan (vocais/guitarras/guitarra-harpa de 21 cordas/rindik balinês) e que conta, ainda, com uma gostosíssima cantora/dançarina, Nonnie, e belos fraseados de violino a cargo de Eko Partitur; nem mesmo o porquê do hiato entre seu primeiro trabalho, de 99, e seu último lançamento até o momento, '...Tot Licht!', de 2004. Consta ainda estar na ativa, mas não encontrei vestígios de um novo trabalho a caminho.
Para ser sorvido devidamente enfumaçado. E, por enquanto, that's all, folks!



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

JEFFERSON STARSHIP

O ano é 1974 e os fãs de uma das bandas-símbolo de toda uma era de desbunde turbinado com muito LSD, a Jefferson Airplane, ainda choravam as mágoas em cima dos últimos sulcos de 'Long John Silver', seu canto do cisne, quando o casal Paul Kantner (guitarras/vocais) e Grace Slick (vocais/piano) anuncia o lançamento de 'Dragon Fly', álbum de estréia de um spin-off daquele 'aeroplano' muito apropriadamente denominada Jefferson Starship. Uma evolução? Não, longe disso; apenas um novo e enorme passo na carreira de Kantner, Slick e Marty 'The Voice' Balin, a espinha autoral por trás de ambas as bandas, rumo a uma maior exposição.
Claro que essa nova cara para um ícone da lisergia, onde optaram por privilegiar as canções em detrimento das ousadas viagens musicais de outrora, causou estranheza e mesmo revolta entre os seguidores mais xiitas. Eu mesmo custei a adquiri-lo temendo pelo resultado e só o fiz depois de uma resenha efusiva de Ezequiel 'Zeca Jagger' Neves em um exemplar de 'Rock-A História e a Glória', se meus 2 neurônios não estão de sacanagem com minha cara. E muito tenho a agradecer a essa lenda viva do rock brazuka pois 'Dragon Fly' é um discaço de cabo a rabo. Como se não bastasse a excelente coleção de canções -afinal, um time de compositores como esse facilita muito- ainda tínhamos um line-up de experimentadíssimos músicos -com destaque absoluto para o violino de 'Papa' John Creach e a guitarra matadora de Craig Chaquico, este tornando-se um ídolo para mim à época por ser apenas recém-saído da adolescência e já despejar tanto talento neste disco- oriundos da efervescente cena da bay area de fins dos '60 e que já vinham trabalhando em vários dos projetos de Kantner e Slick, até mesmo no próprio Airplane. De 'Ride The Tiger' (a mais airplaneana com seus vocais em uníssono) a 'Hyperdrive' (linda interpretação de Slick), passando por 'Be Young You' e 'Caroline' (Balin em seu melhor), a bolacha não tem erro. Na verdade, as canções mantinham a mesma estrutura e qualidade de tempos mais psicodélicos, sendo apenas despidos de um excesso de lisergia em seus -perfeitos, por sinal- arranjos.
Com o sucesso, mantido às custas de apresentações tão incendiárias como dantes, a gravação de um novo disco era só questão de tempo e, já no ano seguinte, soltam 'Red Octopus', praticamente uma extensão de 'Dragon Fly' e com a mesma qualidade autoral. Aqui, o destaque fica por conta de 'Fast Buck Freddie', 'Tumblin'' e 'Miracles' com interpretações de Balin muito próximas do sublime, Slick emocionando em 'Al Garimasü' e a obra mais popular do álbum, a instrumental 'Git Fiddler' de 'Papa' John.

'Papa' John Creach(R.I.P.)

A esta altura, a nave estelar já havia vendido mais discos que o aeroplano em toda a sua carreira e as pressões começam a pipocar, fazendo sua primeira baixa, 'Papa' John, que decide seguir carreira solo. Mas 'o mundo gira e A Lusitana roda'*, a voraz indústria musical precisa se alimentar e, assim, o irregular, mas também recheado de excelentes momentos, 'Spitfire' vem à tona. Entre estes momentos estão 'Cruisin'', 'Hot Water' e 'Switchblade'.
Após um período de 2 anos para abastecimento e reparos na estrutura da nave, com Balin aproveitando para tentar uma carreira solo em paralelo, retornam, se não com um grande disco, ao menos com seu maior sucesso comercial. Afinal, em 'Earth' está o arroz de festa de qualquer rádio de poprockcontemporâneoadulto, a deliciosa -mas que enjoou de tanto tocar à época- 'Count On Me'. Mas 'Earth' escondia alguns outros atrativos como 'Love Too Good' e 'Fire'. No entanto, percebia-se que a engrenagem já não funcionava como antes e, com a saída de Balin, Slick e John Barbatta (bateria) logo após o tour de lançamento, o fim parecia inevitável. Será mesmo? Bem, aí é uma outra história e esta vocês nunca conhecerão por mim.

*famoso bordão de propaganda de uma transportadora carioca -A Lusitana- que tornou-se muito popular. Os amigos acima dos 35 anos com certeza se recordarão.











segunda-feira, 26 de outubro de 2009

dredg

Como são as coisas, não? Conheci a californiana dredg há quase 2 anos através da densa trilha sonora de 'Waterborne', um apenas mediano -apesar de algumas premiações por aí- thriller sobre bioterrorismo, mas não corri atrás de nenhuma outra informação ou material por supor tratar-se de um projeto, compositor ou outra coisa qualquer, menos uma banda. No entanto, alguns meses atrás, dei com as fuças em um blog gringo cujo nome me escapa, até porque não é dos que costumo visitar com frequência, com a belíssima capa de 'The Pariah, The Parrot, The Delusion', resenhado de forma entusiástica pelo CEO daquele espaço e anunciado como um tremendo furo de blogagem pois só seria lançado apenas dali uns 15 dias, blábláblá.... E foi das melhores (não tão) novas novidades que ouvi este ano. O interessantíssimo mix indie/prog criado por Gavin Hayes (vocais/lap steel/slide/guitar), Drew Roulette (baixo/teclados), Mark Engles (guitarras) e Dino Campanella (bateria/percussão/pianos/órgãos) me pegou de jeito. Não, não são virtuoses mas mandam muitíssimo bem em seus inúmeros instrumentos e sua música é genuinamente orgânica, sempre se utilizando de equipamento vintage, abolindo quaisquer resquícios de excesso de tecnologia -segundo li, mas não vou colocar minha mão no fogo, nunca utilizam samplers, pro-tools ou qualquer outro subterfúgio para criar seus ruídos e timbres únicos- e fazendo o disco soar de uma honestidade impressionante. A partir de então, saí pesquisando tudo sobre a banda e seus inúmeros projetos multi-mídia e baixando e assistindo tudo que podia e cada vez me admirando mais e mais com o crescimento da banda, daquela criativa rusticidade, mas já demonstrando um requinte melódico invejável, de seus primeiros EPs ainda em '96 à excelente carpintaria e belíssima engenharia musical e de produção deste seu último trabalho. Como se não bastasse, ainda reproduzem no palco de maneira eficientíssima todas as filigranas que um material deste exige. Na minha modestíssima opinião, 'The Pariah, The Parrot, The Delusion' é um grande rival às pretensões de Muse, com seu também magistral 'The Resistance', e The Mars Volta com o perfeitamente conciso 'Octahedron' -duas das bandas mais influentes da atualidade no gênero- a abocanhar o título de melhor do ano na categoria. E sai na frente por conta de, apesar de -como as demais citadas- ter optado por um trabalho mais palatável, terem sido mais parcimoniosos no uso deste tempero e terminando por dar um passo à frente na sua sonoridade.
Aqui, a discog completinha e mais uns brindes desta excelente banda que sabe amalgamar como poucos hoje, entre estes Muse, Porcupine Tree, Radiohead e The Mars Volta, o gancho pop e a liberdade de proposta indie -aqui, à moda My Morning Jacket- com o rebuscamento do progressivo.
















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Live



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EP's






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Soundtrack



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Clipes




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