segunda-feira, 25 de abril de 2011

FINCH

Sempre lembrada como uma das grandes fontes do rock fora do eixo USA/UK, da Holanda trago a discog da Finch, banda de prog sinfônico com pitadas fusion totalmente instrumental -não porque o assim desejassem, mas por ninguém na banda cantar bulhufas- e um ícone entre progheads mais antenados. E tudo começou da cisão de uma das mais incensadas bandas popsych de The Hague, a Q65, de onde migraram o baixista Peter Vink (daí o nome da banda, vertido para o inglês) e o fantástico guitarrista e compositor Joop Nimwegen. Com as baquetas a cargo de Beer Klaasse (sugestivo nome, heim!?) e teclados por conta de Paul, irmão de Peter, estava dado o pontapé inicial para o elegante voo de tão pequeno pássaro célebre por seu belo canto e que inspirou o nome da banda. Já para as gravações do clássico instantâneo 'Glory Of The Inner Force', de 1975, a primeira das inúmeras sacudidas na formação com a entrada do prodígio concertista Cleem Determeijer, em substituição a Paul e fundamental para o excelente resultado final, muito embora a pegada de seu jovem e genial guitarrista, que transformou 'Register Magister' em um dos momentos inesquecíveis do prog com seu riff matador, seja o diferencial da equação. Por esta ocasião conseguiram ainda a façanha de emplacar, mesmo que de forma modesta, um single instrumental, 'Colossus', aqui presente como bonus em suas 2 partes originais e em um mix by G&B.   
Já no ano seguinte, mais uma mexida no time para a entrada de Hans Bosboom nos tambores e Ad Wammes nos teclados e flautas para o registro do audacioso 'Beyond Expression' com 3 longos temas muito bem (des)construídos em vários movimentos onde, uma vez mais, brilha o talento de Nimwegen. A abertura com 'A Passion Condensed' é memorável.
Para 'Galleons Of Passion', de 77 e último da trilogia lançada pela banda, temos o retorno ao sinfonismo da estreia, mesmo que agora com passagens bem mais hard. Um belo epitáfio para uma banda que fez história tanto entre progheads como entre os que apenas sabem distinguir material realmente relevante no saco de gatos em que transformou-se o gênero ao longo do tempo.


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segunda-feira, 11 de abril de 2011

ROBBIE ROBERTSON-HOW TO BECOME CLAIRVOYANT (2011)

É, 2011 está se confirmando como um ano de grandes discos. Afinal, um ano com um novo trabalho de Robbie Robertson após 13 longos invernos de uma sentida ausência, não pode ser ruim. E desta vez com um retorno às suas raízes musicais -e não mais um processo de descoberta de origens como no premiadíssimo 'Music Of The Native Americans' (1994) e sua versão quase remix em 'Contact From The Underworld Of A Red Boy' (1998)- em composições emolduradas por arranjos minimalistas e produção enxuta. E com isso não quero dizer desleixada, até porque uma cozinha com Pino Palladino e Ian Thomas é um luxo. Em 'How To Become Clairvoyant' o classudo caipira mezzo judeu/mezzo mohawk cercou-se de antigos amigos -Eric Clapton, que contribuiu e tocou em 2 parcerias facilmente identificáveis e 1 surpreendente tema instrumental, e Stevie Winwood- e alguns novos, e outros nem tanto, valores -Angela McCluskey, Trent Reznor, Rocco Deluca, Robert Randolph e Tom Morello- para, com seu timbre característico e de limitado alcance, recriar com elementos contemporâneos e recorrendo ao mais profundo de suas memórias o que o fez escolher por carreira muitas vezes tão ingrata. E com estes elementos não seria necessário um vidente para saber que daí sairia um belo álbum.
 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

EU FUI!!!

E saí do Citibank Hall/RJ, caixão de concreto para quase 8500 corpos encravado naquele bairro (há controvérsias!) esquecido por Deus -digo, Jeff Beck- chamado Barra da Tijuca, com uma tremenda sensação de amor e ódio. Não porque o show tenha sido ruim, muito pelo contrário, e ao final desta resenha, para os que aguentarem lê-la até o fim, espero ter deixado claro os motivos desta dicotomia. 
Noite de sábado, 02 de Abril. Saímos, eu e meu headbanger-eternamente mirim, tremendamente excitados para assistir ao show de uma das bandas pelas quais nutrimos admiração -ok, meu filho na verdade é fanático- e os 50 minutos de buzum (é, não fui de carro pois já saí fumadão de casa e não iria ficar sem beber nem por um c.......!!!) que nos separavam de nosso destino final passaram muito rápidos entretidos  que estávamos com debates acalorados sobre qual seria a música de abertura, gatinhas e mais gatinhas que entravam naquele desconfortável cata-corno que costumam chamar de ônibus, sobre o set list provável, mais gatinhas, etcéteraetal. Logo ao chegarmos nos deparamos com uma fila abissal ainda do lado de fora...do estacionamento do Via Parque Shopping!!!! Pode isso??!!! E ai de quem ousasse abandonar seu posto para procurar um ambulante vendendo uma cervejinha gelada! Seu destino seria o retorno ao final daquela sucuri gigante e sem a tal da cerveja pois, i-n-e-x-p-l-i-c-a-v-e-l-m-e-n-t-e, não se avistava um bendito ambulante em um raio de, calculo eu, 10km. Este é apenas um dos motivos de Barra da Tijuca não poder ser considerado um bairro pois onde já se viu um bairro sem ambulantes ou botecos? Tudo bem, alguns exageram na dose mas, com 4500 seres humanos sedentos por líquidos alcoólicos ou não, não aparecer unzinho que fosse já é demais. E assim seguiram os primeiros 30 minutos até que entrássemos naquela imponente tumba de concreto armado e, por motivos óbvios, seco por um goró, me dirigisse ao primeiro baú de bebidas ávido por comprar uma latinha e tomá-la em um só gole. No entanto, o que quase consegui, já com a latinha gelada de Itaipava nas mãos, foi um AVC ao ouvir do simpático vendedor o preço da dita cuja: R$ 6,00!!! Não, vocês não fumaram orégano mofado. É isso mesmo: 6 merréu!!! Mas...tudo bem...eu estava lá...meu querido filho também com seus olhinhos brilhando admirados com aquele palco de boca de cena bem generoso, eu já tentando identificar alguns equipamentos naquele cenário estranhamente limpo de muralhas de amps comuns ao gênero, muitos clássicos hard/heavy espocando dos PAs e um mar absolutamente preto -só então percebi que eu devia ser dos poucos que tinha uma camiseta colorida, no caso verde, no armário- pulando e berrando "Sevenfold! Sevenfold!" como uma enorme tsunami metal. Era o Paraíso!!!

Às 10 em ponto vem a deixa de que o grande momento estava para chegar quando dos falantes inesperadamente surge uma surpreendente 'Sounds Of Silence' de Simon & Garfunkel. Mais inusitado foi ouvir um enorme coro de metalheads cantá-la em um inglês (aparentemente) perfeito. É...2012 está aí.
E quem apostou em 'Nightmare' como abertura se deu bem. Simplesmente apoteótica e um bom começo para Arin Ilejay, a quem coube substituir o lendário Mike Portnoy -responsável pelas baquetas do álbum 'Nightmare' e, por sua vez, substituto do saudoso pupilo Jimmy Sullivan (aka The Rev). E foi assim, sem deixar a peteca cair que o skater M. Shadows, um fantástico frontman e vocalista personalíssimo; o mod Zakky Vengeance, subestimado guitarrista e uma figura extremamente simpática; o premiadíssimo  guitarrista (excelente mão direita) e clone de Dragonball Z Synister Gates e o baixista punk de butique Johnny Christ,  alternaram clássicos do porte de 'Critical Acclaim' (que pegou a todos de surpresa com a manutenção do vocal de The Rev através de base pré-gravada), 'Beast & The Harlot' e 'Bat Country' com itens mais underground de sua discografia e o restante do set dedicado ao novo álbum, como a já citada faixa-título, a grooveada e irresistível 'Welcome To The Family', a acelerada 'God Hates You' e muitas homenagens a Sullivan, até mesmo por fãs que a todo momento jogavam faixas para o palco, sempre orgulhosamente exibidas pelo gente finíssima Shadows.

Em determinado momento, já pressentindo o final do set normal, todos começamos a pedir por 'A Little Piece Of Heaven', mesmo sabendo que outros hinos como 'Scream', 'Seize The Day' e 'Almost Easy' também não poderiam ficar de fora. E o set termina com a melancólica 'Unholly Confessions'. Restava-nos aguardar pelo bis que, julgávamos, traria ao menos uma (talvez, até, duas) daquelas como prelúdio para o grand finale com a masterpiece 'A Little Piece Of Heaven'
Mas foi aí que todos caímos do cavalo. E, como que optando por um anti-climax, resolvem voltar ao palco com a bela e soturna 'Fiction', última canção composta com a participação de The Rev, e a meio modorrenta 'Save Me'. Certamente, um final decepcionante para um espetáculo impecável até aquele instante com pirotecnia na medida certa, um cenário simples mas muitíssimo eficiente, twin guitars de raras musicalidade e plasticidade executadas com maestria pelo canhoto Vengeance e o destro Gates, a interatividade perfeita de Shadows com a platéia e com Ilejay demonstrando muita personalidade perante a responsabilidade de substituir integrantes tão emblemáticos. À saída, o consenso era de que havíamos assistido um excelente, apesar de seus curtos 90 minutos, espetáculo de hard/heavy. Mas o gostinho de 'quero mais' era por demasiado amargo.

Assim como foi unanimidade entre todos os que não moravam no bairro (insisto que há controvérsias) e arredores de que àquele lugar esquecido por Deus -digo, Jeff Beck- poucos retornarão. Simplesmente porque é absolutamente inviável sair de lá que não através de táxi, meio de transporte conseguido após um périplo de quase 1 hora que me custou 'um galo' para percorrer os menos de 20km que separam aquele ermo espaço urbano dedicado ao mau gosto arquitetônico do bairro (este, sim!) que nos legou o gênio Noel Rosa. E meu Xing-LingBerry marcava apenas 11:30h da noite quando do fim do show!!! 'Rock In Rio IV'? Tô fora!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LOS LONELY BOYS-ROCKPANGO (2011) + 1969 (2009)

E eis que 2 anos após um EP em que pagam tributo a seus ídolos do flower power muito apropriadamente nomeado '1969' e incluído como bonus nesta postagem, um novo trabalho dos Garza Bros. vem à superfície. Novidades? Não, nenhuma. Afinal, o texmex com uma forte influência santânica, soul, blues, country e pop batizada pelos próprios de 'texican rock'n' roll' é a marca registrada da banda e, nestes casos, reinventar-se é uma tarefa das mais ingratas e, sejamos francos, absolutamente desnecessário. Talvez em 'Rockpango' (algo como 'festa rock') tenham buscado um peso maior nas guitarras, mais crueza na sonoridade e economia nos arranjos, fazendo-os soar mais alive que nunca em apetitosas 14 faixas carregadas da salerosidade característica da banda. Seja como for, mais um delicioso petisco desta simpática e viciante banda de San Angelo e orgulho maior de papa Ringo Sr..
Gostou e quer mais? É só dar uma passada por aqui  e quedar-se a bailar!!!