segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

HÉLIO DELMIRO / Re-repostagem Mega-Super-Hiper-Ultra Aditivada

Última chamada para a discografia deste ícone da música instrumental produzida neste País e, porque não dizer?, internacional.Afinal, em seu currículo estão nomes como Joe Pass, Lalo Schifrin, Sarah Vaughn, Dave Grusin, Wagner Tiso, João Bosco, Marcos Valle, Elis Regina, Tom Jobim, entre tantos outros.
Atraquem-se aos links pois o tão temperamental quanto genial Delmiro não costuma ser simpático ao compartilhamento de seus trabalhos. Mas eu insisto, pois a cada dia que passa, o melhor de nossa cultura cai em um limbo de onde não sobram muitas esperanças de resgate e quaisquer movimentos na tentativa de resguardá-la é mais do válida. É altamente recomendada.


*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
Originalmente postado em 07/01/2008 e repostado em 28/07/2008.

Agradecimentos especialíssimos aos parceiros que enviaram links para os álbuns 'Symbiosis' e 'Compassos' e ao parceiraço Maddy Lee por ter me dado a dica do FreeRip, sem o qual não conseguiria ripar o 'Emotiva' e o 'Samambaia' por estarem protegidos por Copy Controller. Assim, acredito ser estes links os únicos disponíveis na rede para estes momentos únicos da música instrumental brasileira.


Como guitarrista, sempre fui meio arredio à 'pegada' no instrumento comum aos músicos de jazz, exceção feita ao fusion, um gênero que sempre me atraiu pela dinâmica mais próxima ao rock, minha maior paixão. Porquê? Sei lá, talvez por que me passassem exatamente uma certa ausência de...'pegada'!? Lógico que um Django, Montgomery, Christian, Pass e mesmo um Benson sempre me caíram muuuiiito bem. Mas se devo a alguém essa minha, digamos, revisão de conceitos - mesmo que parcimoniosamente -, é a um carioca nascido há 60 anos no Méier e a quem o mestre Joe Pass classifica como o maior guitarrista que já ouviu.
E o cara começou muito cedo. Se não, vejamos: aos 14 já tocava com Moacyr Silva; apenas quatro anos depois fundou o Fórmula 7 com outros talentosos moleques, entre eles Marcio Montarroyos, Luizão Maia e Claudio Caribé; logo depois, assumiu o combo de Victor Assis Brasil; com Antonio Adolfo e Beth Carvalho (ééé...ela mesma!), o Conjunto 3-D; tornou-se diretor musical e violonista/guitarrista de todos os trabalhos de Clara Nunes e, muitos etcéteras depois, o guitarrista/violonista da maior de todas, Elis Regina, e, um pouco mais à frente, Milton Nascimento. Com este último, conquistou totalmente minha admiração com aquele solo magistral em 'Caçador de Mim', que reconheci ser de sua lavra desde que o ouvi pela primeira vez. E nem vamos entrar em detalhes sobre sua carreira internacional ao lado de Larry Coryell, o já citado admirador confesso Joe Pass, Sarah Vaughn, Clare Fischer, entre tantos, e as inúmeras participações em Montreux.
Sua carreira solo inicia com o estupendo 'Emotiva', uma obra-prima recheada de composições próprias como o já clássico choro 'Marceneiro Paulo' - todo estudioso de violão já se deparou com essa obra algum dia - e releituras como 'Pro Zeca' (pratiquei muito mas nunca consegui executá-la com um milésimo de sua desenvoltura), 'Waltzin'' (liiinda composição de Victor A. Brasil), o standard 'Body & Soul' e a belíssima leitura para 'Tarde' (M. Nascimento). No ano seguinte, atendendo um pedido de seu velho amigo César Camargo Mariano, lançam em parceria mais uma gema instrumental, o acústico 'Samambaia' que, a exemplo de seu predecessor, tornou-se um clássico instantâneo da MIB. Sempre dividindo-se entre a guitarra e o violão, lança ainda 'Chama' em 84, 'Romã' em 91 e, em seguida, dedica-se à implantação da Line Records, selo focado em música evangélica, e sua carreira começa a sofrer sérios percalços. Até que aceita um convite de Clare Fischer para um disco em duo, 'Symbiosis', e volta a lecionar e gravar com mais regularidade. Seus últimos lançamentos são 'Violão Urbano'(2002) e 'Compassos'(2004). Ainda em 2004, chegou a ser detido devido a problemas com pagamento de pensão alimentícia - lamentavelmente, a única coisa que dá cadeia neste país - e a classe artística mobilizou-se em torno de concertos beneficentes para arrecadação de fundos.
Downloads recomendadaços-aços-aços!!!










Capas



E abaixo, um link para o concerto de Hélio Delmiro & Roberto Sion no Instrumental Sesc Brasil, em 2008.



Dedico esta postagem ao Cleber do Toque Musical que, muito gentilmente, me presenteou com o banner que passa a adornar o meu, o seu, o nosso Gravetos & Berlotas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

THE LAST SHADOW PUPPETS-THE AGE OF THE UNDERSTATEMENT (2008)

Essa postagem é mais uma da séria série 'Sessão Beavis & Butthead', que consiste, basicamente, em zapear, em companhia de meu filho, os canais de música em busca de algo interessante ou, ao menos, merecedor de uma bela zoada e muitas gargalhadas. E quando se tem a sorte de dar de cara com um 'Later...With Jools Holand', mesmo que jurássico, já se tem plena garantia de boas atrações. 
E foi assim conheci este interessantíssimo projeto de Alex Turner, da Arctic Monkeys, e Miles Kane, da The Rascals, e ainda a bateria de James Ford (também produtor, função que já desempenha em quase todos os trabalhos dos Monkeys) e os fantásticos arranjos orquestrais do canadense Owen Pallett executados com muito feeling e precisão cirúrgica pela prestigiosa London Metropolitan Orchestra. Como resistir a um popsych recheado de belas soluções e tamanha riqueza de detalhes nos arranjos? Já na abertura, com a faixa-título, a dinâmica chega a ser estonteante; e foi justamente esta música que deixou-nos completamente sem fôlego naquela madrugada de sábado. Na ocasião, ainda executaram o single 'Standing Next To Me', que confirmava o talento da banda mas sem o mesmo brilhantismo, e uma explosiva 'In My Room' que provocou rasgados elogios do anfitrião. Criada a curiosidade, não me restou outra alternativa que procurar saber mais sobre o projeto e baixar qualquer material que encontrasse pela frente. E o restante do conteúdo mostrou-se tão interessante quanto as já citadas, com destaques absolutos para 'Calm Like You', uma deliciosa homenagem aos clichês do gênero, a pegajosa 'My Mistakes Are Made For You', a delicadeza de 'Meeting Place' remetendo a um Style Council repaginado e uma impactante 'Only The Truth' (que arranjo!!!) não deixando pedra sobre pedra.
Com este disco arrebataram prêmios e arrancaram críticas entusiasmadas, levando-os ao topo das paradas. O que levou à minha completa ignorância acerca deste projeto à época, é uma incógnita, já que acompanho a carreira de Alex Turner e sua Arctic Monkeys desde o início.
O importante é que antes tarde do que nunca e que já prometeram uma sequência para breve. E desta vez não vou dar mole!




*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEOS




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

DUANE & GREG ALLMAN-The Legendary 1968 Sessions (G&B Remasters) / Re-repostagem

Sob pedidos desesperados de um simpático visitante gringo, o George, foi uma das repostagens mais difíceis de atender pois não encontrei o CD em nenhuma de minhas estantes e armários lotados. Tudo bem, são mais de 15.000 itens e nem sempre catalogados de forma correta, mas acredito que este item em particular não se encontra mais entre eles. Um mistério difícil de ser solucionado mas que o parceiro Celso encarregou-se de minimizar seus efeitos ao me enviar a mesma ripagem de vinil que gerou a postagem original e eu encarreguei-me de, uma vez mais, proceder nova restauração.
Divirtam-se!

*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
Originalmente publicado em 09.11.2006.

Pronto, gAllera, chega de chororô!!!
Seus pobrema si acabarum-se.
Link novo para todos.
POWER TO THE PEOPLE!!!!



Esse é o primeiro post da série 'G&B Remasters' com a colaboração do parceiro mais cara-de-pau da irmandade de blogs musicais - é esse aí mesmo que vocês pensaram, o Woody. Eu fiquei com a restauração e 'remasterização' de áudio e ele com a da capa original. É bom que se diga que, tanto o áudio quanto o artwork, estavam...digamos assim...uma merda!!! Não uma merdinha, nem um cocozinho...estava daquelas com 'M' e bem mal cheirosas.
Mas todo este esforço é plenamente justificável devido à raridade deste álbum, registrado quando o irmão mais velho tinha apenas dois 'g' no diminutivo de seu nome. O que vocês terão acesso através deste link é o registro das sessões de gravação que rolaram em setembro de 1968, quando os 'Irmãos Tudohomem' -já renomados músicos de estúdio- aproveitavam quaisquer brechas e sobras de tempos de estúdio nas inúmeras sessões de que participavam, muitas destas provavelmente já pagas pelas gravadoras dos astros principais, para viabilizar demos de material próprio ('Melissa' em versão embrionária, por exemplo) e muitos standards de country e r&b. Ou seja, trata-se de material pré-Allman Brothers Band mas já com a presença de Butch Trucks na bateria, além de feras como o saudoso David Brown - que ainda naquele ano faria parte da primeira formação da Santana Band - e Scott Boyer no violão folk e vocais, mas lançado em compilações alguns anos depois, de forma oportunista e quase pirata, quando Duane já havia falecido e a Allman Bros. Band tornado-se uma unanimidade. Na verdade, os três últimos à época faziam parte de uma banda psych folk chamada The 31st Of February e estas sessões foram uma forma de tentar montar um supergrupo tendo Duane e Greg à frente. Mas o destino quis diferente e aí já são outras histórias.
Esperamos, eu e Woody, que curtam este trabalho pois, como sempre, foi feito com um tremendo carinho e o máximo de capricho que as condições dos arquivos nos permitiram.
Este post vai dedicado ao parceiro Ed, que descolou um link para esse vynil rip e agora vai poder desfrutá-lo em condições bem mais satisfatórias. Valeu, Ed!!!


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

HOZIER-HOZIER (2014) / Deluxe Edition

Eu e meu filho temos por hábito sentarmo-nos diante da TV nos fins de noite/início da madrugada daqueles fins de semana mais ociosos para o que chamamos de 'Sessão Beavis & Butthead'. Esta produtiva atividade consiste basicamente de zappear os canais a cabo de música em busca daqueles programas dedicados a clipes. O que não é difícil, devido à proficuidade com que tais programas pipocam por estes canais. Difícil é encontrar um clipe que não lhe provoque gargalhadas asfixiantes ou ânsias de vômito. E foi numa destas madrugadas que um belo clipe em p&b conseguiu nos calar e voltarmos toda a atenção para a bela canção, 'Take Me To Church', um visceral libelo anti-fundamentalismo e propósito daquele festival de lindas e cruéis imagens. Surpreso com o conteúdo, uma espécie de amálgama de Jeff Buckley e Van Morrison, resolvi correr atrás de mais informações daquele seja lá quem ou o quê, denominado Hozier.
E assim cheguei ao cantor/compositor/multi-instrumentista irlandês de 24 anos Andrew Hozier-Byrne. Filho de músico, logo cedo dedicou-se aos estudos da música e envolveu-se com conceituados grupos dedicados ao crossover entre o folk celta e a música pop e o rock, entre os quais Trinity Orchestra e Anúna. Talento plenamente reconhecido, é convocado ainda em 2010 pela Universal para algumas sessões demo que não resultaram em nada. É a já tradicional obtusidade das majors.
No entanto, um minúsculo selo, Rubyworks, topou a empreitada de lançar aquele material, mesmo que de uma maneira um tanto tímida, apenas via downloads. E foi assim que o EP 'Take Me To Church' tornou-se um fenômeno de público e crítica em 2013, gerando, ainda no início do ano seguinte, o lançamento de mais um EP, 'From Eden', que se encarregaria de confirmar o talento de Hozier para a construção de lindas composições, arranjos de texturas e dinâmica inspiradas e um raro aproach no manuseio das palavras.
Para coroar ascensão tão surpreendente, nada mais justo que um álbum, agora também via distribuição tradicional, via Islands. E assim nos chega seu autointitulado álbum de estreia, compilando, em sua Deluxe Edition, todo seu material lançado até o momento e ainda 9 faixas inéditas. E o resultado não poderia ser melhor. Às já citadas 'Take Me To Church', uma peça de beleza única, e 'From Eden', acrescente 'To Be Alone', 'Jackie And Wilson', 'Angel Of Small Death And The Codeine Scene', 'Work Song' e, como se não bastasse, ainda nos trazendo mais uma obra-prima: a folk zeppeliniana 'In A Week', em dueto com a bela Karen Cowley, do trio Wyvern Lingo.
Para aqueles que, como eu, julgam-se um pouco órfãos de Jeff Buckley, Hozier pode ser um grande alento. Ou, ao menos, a constatação de que ainda existe vida inteligente na música pop.


*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*¨*
VIDEOS