Embora até possa ser uma novidade para mim e muitos parceiros, esta banda de um dos países comumente expostos na mídia como fonte de frequentes conflitos, os progmetalheads, devido às diversas e sempre elogiosas resenhas amadoras e profissionais que li em blogs e sites por aí, muito provavelmente já estejam carecas (sorry, não pude resistir à piada) de ouvir. No entanto, pouco consegui apurar sobre a banda além de ser integrada por quatro malucos guerrilheiros do roquenrou no país e que atendem por nomes com consoantes em demasia -Mikail Rafiev (Vocais) / Hafiz Bakhishov (Guitarras/Teclados/Vocais) / Andrey Kudinov (Baixo) e Fardi Ramazanov (Bateria/Percussão/Vocais)- e reforçados ao vivo por Kenan Aleskerov nos teclados. O restante é o mais puro "assim é se me parece", como também o próprio ambiente musical local. Mas algumas particularidades me chamaram a atenção, como o anúncio de uma espécie de funeral do rock -seja lá o que isso quer dizer, afinal, já tentaram enterrá-lo diversas vezes- em que a principal atração seria a execução na íntegra deste '23:61'. Na verdade, o pouco que li a respeito da banda foi em tom extremamente respeitoso e entendo perfeitamente o motivo de tamanho prestígio já que este disco foi uma tremenda surpresa desde que o conheci há poucos meses. Capitaneado pelas guitarras muitíssimo bem timbradas de um Bakhishov -que, por sinal, me parece a força motriz da sonoridade da banda- procurando sempre fugir dos estereótipos puramente 'shred' do gênero e demonstrando criatividade e precisão inquietantes, seja nos poderosos e algo complexos riffs, nas alternâncias de climas ou nas interessantes harmonizações. Outro atrativo -fundamental, no meu entender, quando procuro por música fora da rota USA/UK- é o charme da infusão discreta da cultura musical azerbaijã, seja de forma melódica ou percussiva, neste último caso percebido através da utilização de percussão típica e afinações dos tambores e caixas. Acredito ser desnecessário dizer que todos os músicos são fantásticos -além de Bakhishov, vale um belo destaque para o responsável pelas baquetas Ramazanov- mas, e isso é muito importante!, detestam jogar nota fora e os vocais singulares de Rafiev tem muitíssimo mais feeling que muito gogó já 'cascudo' no mercado. Da suscintamente linda 'Ease', uma das melhores intros em um trabalho prog que escuto em muito tempo, à soturna e longa 'Infinity' escancarando um sentimento de desespero que parece permear todo o disco como um conceito, todas as faixas descem redondinhas -a ponto de minha predileta ser 'Unudulmus', a única cantada na língua mãe.
Mas uma pergunta teima em não calar: o que quiseram dizer com este título? Pesquisei o que meu pouco tempo me permitiu -é claro que pensei ser uma espécie de liberdade poética para 'meia-noite e um', sei lá- e não encontrei bulhufas. Aceito sugestões.
Independentemente disto, a Midnight e este disco de título tão enigmático são, ao menos para mim, uma das gratas surpresas do ano.


