segunda-feira, 30 de julho de 2012

HARD STUFF

Formada por 2 ex-integrantes, John Du Cann (guitarras/cello/vocal) e Paul Hammond (bateria/percussão), da cultuada Atomic Rooster, a londrina Hard Stuff contou ainda com o soberbo ex-baixista/vocalista da Quatermass, John Gustafson, e o excelente timbre vocal do ilustre desconhecido Al Shaw em seu line-up inicial. Valendo-se do prestígio profissional e formação eclética de seus integrantes, capazes de executar do mais cru rock'n'roll ao mais intrincado prog rock com singular sensibilidade, logo conseguiram um contrato com a recém-criada Purple Records de Blackmore-Gillan-Lord-Glover-Paice. Mas nada seria tão fácil, a começar pela escolha de um nome para a banda, inicialmente, Daemon e posteriormente, Bullet, este último abandonado mesmo após o lançamento do primeiro single devido à existência de uma homônima banda norte-americana, e, por fim, a alcunha com a qual tornaram-se conhecidos e que muito bem definia esta e outras turbulentas atribuições que envolvem a manutenção de uma banda.
Mas as intempéries estavam apenas começando. Com o primeiro trabalho -'Bulletproof', de 72- finalizado e prestes a ser lançado, Shaw resolve pedir as contas e sequer encontra-se citado nos créditos. Com uma bela força dos padrinhos púrpuras e também da Uriah Heep, que os carregou em suas turnês européias, tudo, finalmente, parecia conspirar a favor.
E foi com este espírito que entraram em estúdio no ano seguinte para registrar o (desculpem-me pelo trocadilho) demencial 'Bolex Dementia' -agora com Gustafson e Du Cann dividindo os vocais-, fartamente recheado com todos os ingredientes para transformar a Hard Stuff em uma banda de insuspeito sucesso entre os mais antenados. No entanto, um grave acidente de carro envolvendo Du Cann e Hammond inviabilizaria quaisquer pretensões neste sentido.
Mais uma bela banda a engrossar as estatísticas das pérolas perdidas do período mais fértil da música em todos os tempos.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

A MELHOR CANTORA NEGRA É BRANCA? Vol. 2

Mais uma vez, a resposta é sim. E este segundo volume de sua 'The Soul Sessions', o anterior data de 2004 e foi também seu primeiro (e melhor, até o momento) álbum, é o documento que avaliza esta resposta. E, ao contrário do que muitos possam imaginar, não se trata aqui apenas de repetir uma fórmula que deu muito certo; acima de tudo, este segundo volume foi o veículo escolhido para homenagear de forma estupenda uma das vertentes mais queridas e hoje pouco divulgadas da música negra norte-americana, o psychedelic soul. Muito popular no período compreendido entre o final dos 60 e início dos 70, em muito graças à genialidade do produtor, músico, arranjador, compositor e DJ Norman Whitfield e através de gravações de The Temptations, Sly & The Family Stone, Undisputed Truth, The Chi-Lites, Curtis Mayfield, War, The Isley Bros., Rotary Connection, Isaac Hayes, Earth, Wind & Fire, etc, este subgênero tornou-se o mote deste novo trabalho de minha diva maior, seja através dos arranjos ou à escolha do repertório apoiado por músicos do porte de Ernie Isley e James Alexander, verdadeiras lendas do soul/funky.
Mais uma vez a escolha por um repertório recheado de obscuros clássicos, produção vintage e a associação com a S-Curve, selo que a lançou ao estrelato e do qual nunca deveria ter saído, fez toda a diferença. Recheado de acertos, 'The Soul Sessions Vol. 02' é um verdadeiro compêndio do gênero, pescando obras sublimes do repertório de Labi Siffre ('I Got The...'),  Linda Lewis ('Sideways Shuffle'), The Chi-Lites ('Stoned Out Of My Mind' e '(For God's Sake) Give More Power to the People'), Eddie Floyd ('I Don't Wanna Be With Nobody But You') e Don Cherry ('Then You Can Tell Me Goodbye'), só para citar alguns, e ainda apresentando, a exemplo do primeiro volume com The White Stripes e sua 'Fell In Love With A Boy (Girl)', uma nova roupagem para uma bela canção de lavra recente e fora do universo temático do álbum, 'The High Road' do duo inglês Broken Bells. Na verdade, faço ressalvas apenas à interpretação e arranjo pouco convincentes para 'Stoned Out Of My Mind', minha prediletaça do repertório da The Chi-Lites, e a inclusão da insossa e absolutamente fora de contexto 'While You're Out Looking For Sugar', do inexpressivo trio vocal The Honey Cones, equivocadamente escolhida para primeiro single. Em compensação -confesso que temi por um monumental fiasco ao percebê-la no track list-, a loirinha conseguiu o que parecia impossível: uma interpretação demencial, capaz de gerar orgasmos múltiplos em Sheldon (para quem não conhece, um hilário personagem assexuado do seriado 'The Big Bang Theory'), para 'Pillow Talk', clássico absoluto do 'mela cueca' imortalizado pela pena e voz da fantástica Sylvia Robinson.
Em resumo, um disco pelo qual os fãs de primeira hora de Joss Stone há muito ansiavam.
Mas continuo aguardando por um 'The Blues Sessions Vol. 1'!!!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SPOT-SPOT (1971)

Uma das mais gratas surpresas da incipiente cena suiça dos seventies, a Spot teve vida breve, o suficiente para legar uma aura de culto sobre seu único trabalho, prensado em poucos exemplares e sempre negociados a peso de ouro entre colecionadores. 
Admiradores do folk, que definhava a passos largos no início da década em contraponto a um longo período de prosperidade, Pavlo Pendaki (vocais/teclados), John Woolloff (guitarras/violões/vocais), Andre Jungo (baixo) e Phillipe Dubugnon (bateria) optaram por abraçar o hard prog que despontava com força no mesmo período; no entanto, justamente a pena de Jungo e Dubugnon, sempre inclinada para o gênero que tanto amavam, fez toda a diferença, até mesmo por sempre valorizar a canção. Acrescente a isto o gosto adquirido pelos arranjos mais intrincados que o rock progressivo despejava com sucesso no mercado, e estava pronta a sonoridade da Spot. Sobram excelentes momentos por toda a bolachinha, que passeia com desenvoltura pelo jazz, o latin rock, o hard rock e o que mais aparecer mas sempre sem perder de vista o bom e velho folk, com espaço até para uma excelente versão para 'Jersey Thursday' de Donovan
Para sua versão em CD, foram acrescentadas ainda 2 faixas bônus, dentre as quais uma divertida leitura para 'Sabre Dance' de Katchaturian, que costumava fechar suas apresentações.
Uma bela descoberta, sem dúvida.





segunda-feira, 2 de julho de 2012

MQN

Maximum Quantity Noise. Foi partindo destas 3 palavrinhas mágicas que a MQN foi formada ainda nos idos de 97 em Goiânia, hoje conhecida por 'Seattle brasileira' apesar de sua quase secular ligação com a música sertaneja, por 4 irrequietos amigos -Fabrício Nobre (vocais), CJ (guitarras), Jorge (baixo) e Miranda (bateria/vocais)- dispostos a fazer a diferença na música independente fora do eixo e ainda expandi-la a nível nacional, quiçá mundial. Muito disto deve-se ao ativismo de Nobre no setor, seja como sócio da Monstro Discos à época, uma das mais importantes do segmento indie tupiniquim, como produtor cultural e idealizador de 2 dos maiores festivais festivais do país -Goiânia Noise e Bananada- ou agenciando os maiores nomes da cena do centro-oeste, sua mais recente empreitada.
Desde seu início acostumada a arrastar um fiel séquito por onde passasse, graças ao empreendedorismo de seu líder e alguns singles auto-produzidos, faltava-lhes ainda a oportunidade da gravação de um trabalho capaz de levá-los ao tão almejado reconhecimento mundial, visto que seu primeiro tour pelos EUA, em 2001, mostrou-se extremamente proveitoso e de onde retornaram com seu primeiro álbum -'Hellburst', produzido por Man Or Astroman e lançado no ano seguinte- na bagagem. Recheado de hinos cafajestes do quilate de 'Stoned', 'Caribbean Beach', 'Burn Baby Burn', 'Car & Drugs' e 'Devil Woman', foi o bastante para elevá-los a um patamar apenas atingido por pouquíssimas bandas brazucas. Muitos shows pelos festivais indie aqui e acolá e mais uma turnê pelo circuito norte-americano de festivais dividindo o palco com nomes como Mudhoney, Deep Purple, Nebula, Buzzcocks e Sepultura, entre tantos outros, era chegada a hora de mais um novo álbum. E assim nasceu em 2004, 'Badass Rock And Roll', um petardo perfeito em tudo, a começar pelo título. Com 9 inéditas de chutar o traseiro de muita banda stoner gringa e um cover arrasador para 'Got This Thing On The Move', 'Badass Rock And Roll' não deixa pedra sobre pedra. Títulos como 'Come Into This Place Called Hell', 'My Baby Sold Your Heart To The Devil', 'Hot 'N' Nasty', 'Cold Queen' e 'Let It Rock'  são a deixa para shows sempre incendiários e cada vez mais dedicados à putaria, porradas e a ressacas memoráveis.
E chegamos a 2006, ano do manifesto 'Fuck CD', uma elegia à morte do formato e consistindo do lançamento de 5 singles/EPs com intervalos previstos de 3 meses em 2 formatos de mídia, vinil de 7' e free downloads, ambos adquiridos através do site da banda. Posteriormente, seriam reunidos em um único pacote denominado 'Fuck CD Sessions', e disponibilizados da mesma forma.
Infelizmente, não tenho notícias dos novos rumos da banda, já que seu site está fora do ar já há algum tempo, bem como seu maispeixe, completamente desatualizado. Mas seja qual for o seu destino, a MQN já escreveu uma bela e sacana história no nosso roquenrou.